A minissérie Emergência Radioativa, lançada pela Netflix, voltou a colocar em evidência o acidente com o Césio-137, registrado em Goiânia, em 1987. A produção também levantou questionamentos sobre um possível destino dos rejeitos contaminados: o Pará.
O tema chamou atenção após a série sugerir que materiais radioativos quase foram enviados para o interior do Estado, o que gerou dúvidas entre o público sobre o envolvimento da região no episódio.
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O que foi o acidente com o Césio-137? ☢️
O caso ocorreu quando catadores abriram um aparelho de radioterapia abandonado em busca de chumbo. Sem saber, eles entraram em contato com o material radioativo, que acabou sendo espalhado entre moradores.
O acidente é considerado o maior desastre radiológico do mundo fora de uma usina nuclear e mobilizou autoridades de saúde e especialistas em todo o país.
⚠️ ALERTA DE SPOILER: a minissérie Emergência Radioativa aborda a proposta de envio dos rejeitos ao Pará e a reação política ao plano.

O Pará realmente quase recebeu o lixo radioativo? 🤔
Sim. Após o acidente, autoridades federais discutiram o envio dos rejeitos contaminados para a região da Serra do Cachimbo, no sul do Pará. A área abriga uma base da Aeronáutica, atualmente chamada Campo de Provas Brigadeiro Velloso (CPBV), em Novo Progresso.
Na época, o presidente José Sarney autorizou a remoção emergencial do material. A escolha do local considerava a existência de uma estrutura com capacidade para armazenamento, incluindo um poço de cerca de 320 metros de profundidade.
Por que a Serra do Cachimbo foi escolhida? 📍
A região fazia parte do chamado “Programa Nuclear Paralelo” brasileiro. O espaço era visto como estratégico por possuir infraestrutura voltada a testes e possível armazenamento de material radioativo.
Além disso, investigações apontaram que o local poderia receber resíduos não apenas de Goiânia, mas também de outras áreas, como Angra dos Reis.

Como o Pará reagiu à proposta? 🚫
A possibilidade de receber o lixo radioativo gerou forte reação no estado. O então governador Hélio Gueiros se posicionou publicamente contra a medida e divulgou uma carta aberta com a frase: “O Pará não é lata de lixo do Brasil”.
Além disso, foi sancionada uma lei estadual proibindo o armazenamento de material radioativo em território paraense.
A pressão política e social impediu que cerca de 6 mil toneladas de rejeitos fossem enviadas ao Estado. A série mostra a mobilização de lideranças indígenas protestando em Brasília contra a decisão.
Na década de 1990, o então presidente Fernando Collor encerrou simbolicamente o projeto nuclear na Serra do Cachimbo. O episódio marcou o fim da possibilidade de uso da área como depósito de material radioativo.
