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Usar o celular conectado à tomada: entenda os riscos que podem levar à morte

Especialista orienta sobre o perigo de acidentes e lista práticas simples para garantir a segurança

O Liberal

Usar o telefone celular conectado à tomada durante o carregamento pode gerar sérios riscos à população, como descargas elétricas, incêndios, curtos-circuitos e até explosões. Casos recentes de mortes em situações do tipo acendem um alerta sobre os cuidados que devem ser tomados para evitar que o aparelho se torne um condutor de eletricidade perigoso. A bombeiro civil Milena Assis orienta sobre o risco de acidentes e lista práticas simples para garantir a segurança.

O alerta volta ao debate após a morte de Beatriz Diniz, de 15 anos, na zona rural de Augusto Corrêa, no nordeste do Pará. A adolescente sofreu uma descarga elétrica enquanto utilizava o celular ligado à tomada na comunidade de Jutaí, na noite de quinta-feira (15). Ela foi levada para unidades de saúde em Bragança e, posteriormente, transferida para o Hospital Metropolitano, em Ananindeua, onde ficou internada em UTI. Após quatro dias de tratamento, morreu segunda-feira (19). O caso gerou comoção na região.

Milena Assis explica que muitos acidentes não se devem apenas ao aparelho, mas à infraestrutura elétrica das residências. Ela afirma que, em situações de descarga elétrica, o problema frequentemente está na fiação, não nos equipamentos. “É comum que casas antigas mantenham fios de décadas sem manutenção e ainda concentrem diversos aparelhos na mesma tomada, gerando sobrecarga. É importante realizar a manutenção periódica e adequação entre a tensão da tomada e a tensão dos aparelhos”, diz.

Carregamento

Sobre o ato de utilizar o celular enquanto ele carrega, Milena ressalta que há dois riscos principais: a descarga elétrica e o superaquecimento. “Quando o carregador está ligado à tomada, o aparelho recebe energia constantemente e, ao ser utilizado ao mesmo tempo, ele acaba superaquecendo porque não carrega o suficiente.” A especialista explica que isso prejudica o celular, o carregador e também a tomada, que é forçada a ceder mais energia, gerando um ciclo de superaquecimento. “O corpo humano pode se tornar um condutor natural em situações de calor ou suor, o que aumenta a chance de choque”, afirma.

A bombeiro civil destacou que o uso de carregadores não originais ou de procedência duvidosa também aumenta os riscos. “Muitos acessórios falsificados não possuem transformador de energia adequado e podem enviar mais carga do que o aparelho suporta, com potencial de explosão ou queima”, esclarece. Segundo Milena, dormir com o aparelho carregando sob travesseiros, almofadas ou dentro de carros fechados também é perigoso, porque o celular perde ventilação e superaquece.

Ela declarou que é possível o celular explodir durante o carregamento e atribuiu parte desses eventos ao uso de equipamentos inadequados. “O aparelho não avisa com antecedência que uma explosão vai ocorrer, sendo necessário prevenir”, destaca. Milena recomenda carregar o celular em ambientes ventilados e sem uso simultâneo, deixando o aparelho longe do corpo durante o sono.

Qualidade de equipamentos

A especialista também alerta para cabos corroídos, dobrados ou com a capa rompida, destacando que esse tipo de desgaste pode causar curto-circuito, incêndio ou desconexão irregular de energia. Segundo ela, muitos acidentes envolvendo celulares e carregadores começam por falhas simples, como fios expostos, conectores frouxos e acúmulo de sujeira nas entradas do aparelho.

A bombeiro civil reforça que carregadores de baixa qualidade ou sem certificação podem aquecer mais do que o normal e transferir essa temperatura para o telefone, aumentando o risco de danos internos. “Evite o uso do aparelho em ambientes quentes, próximos a fogões, fritadeiras elétricas ou superfícies metálicas, que favorecem aquecimento excessivo e condução elétrica”, aponta Milena.

No caso dos carregadores e fones, Milena chama atenção para o fato de que muitos consumidores não percebem o risco do desgaste físico. “Quando o fio está descascado ou dobrado, o usuário pode estar segurando um material condutor, o que facilita choques elétricos e até incêndios domésticos", fala. Ainda segundo a especialista, "toda vez que o celular ou o carregador apresentarem cheiro de queimado, estalos, superaquecimento ou falhas de conexão, o ideal é interromper o uso imediatamente e substituir o equipamento".

Cuidados

Milena orientou ainda sobre o que fazer em caso de descarga elétrica. Segundo ela, a descarga pode causar queimaduras internas, alteração cardíaca, inchaço de glândulas e sufocamento, sendo essencial que a vítima seja levada imediatamente ao hospital. “A energia pode modificar batimentos cardíacos e pressão arterial, além de provocar convulsões. Razão pela qual o atendimento deve ser imediato”, destaca. Ela também recomenda acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

Um dos pontos reforçados por Milena é sobre primeiros socorros inadequados. A bombeiro civil explicou que não se deve oferecer água à vítima. "Existe risco de broncoaspiração e sufocamento, porque a descarga pode causar inchaço interno e dificultar a deglutição", afirmou. Outro alerta importante diz respeito à retirada da vítima do objeto energizado. Segundo Milena, "nunca se deve tocar no paciente enquanto ele estiver em contato com a fonte elétrica". Ela orienta que a primeira medida seja desligar a energia da residência pela chave geral antes de qualquer aproximação.

Milena destaca que o uso cotidiano do celular deve ser acompanhado de cuidados simples. "É importante comprar carregadores e fones em lojas confiáveis, garantir ventilação do aparelho durante o carregamento e evitar o uso enquanto ele estiver conectado à tomada", concluiu.