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União familiar se fortalece como apoio emocional na virada para 2026

O período desperta emoções intensas, como saudade, nostalgia e lembranças de desafios enfrentados

O Liberal

A chegada de um novo ano costuma ser marcada por celebrações, expectativas e reflexões. O período também desperta emoções intensas, como saudade, nostalgia e, para muitos, lembranças de desafios enfrentados ao longo dos últimos meses. Diante desse período marcado por sentimentos diversos, a família surge como um dos principais pilares de apoio emocional, oferecendo acolhimento, diálogo e fortalecimento dos vínculos de afeto.

Para o empreendedor Wallace Cardoso, de 39 anos, celebrar a chegada de 2026 ao lado da família representa muito mais do que uma tradição. “Família é tudo de mais importante que podemos ter. É o significado da verdadeira paz, do entendimento, da harmonia e de nos fazer mais fortes para o novo ciclo que vai começar. Passar a virada do ano estando com elas é valorizar tudo de bom que vivemos”, afirma. Ele e a esposa, a nutricionista e professora Thaís Cardoso, de 44 anos, são pais de duas meninas: Maria Clara e Marina, de 8 e 4 anos.

O encerramento de 2025, segundo ele, é um momento de olhar para trás e reconhecer os aprendizados vividos em conjunto. “Foi um ano repleto de aprendizados, de lições que nos deixaram mais fortes. Estar em família é, sobretudo, ter forças para um ano mais próspero e conseguir construir memórias junto com as meninas, deixando um legado positivo de superação, de união, de amor e de harmonia. Isso é muito importante”, destaca Wallace Cardoso.

União

A convivência mais próxima no fim de ano também reforça o sentimento de pertencimento e a construção de memórias afetivas. Wallace ressalta que os desafios enfrentados ao longo do ano tornam a união ainda mais necessária. “A gente entende que todos nós, de alguma forma, estamos passando por algum tipo de ‘guerra’ lá fora. Por isso, é importante despertar sempre o melhor que há dentro de nós, seja para evitar um conflito familiar, uma situação desagradável com um vizinho ou até no trânsito, e levar tudo com mais harmonia”, aponta.

Ao falar sobre os desejos para 2026, Wallace reforça que os planos da família caminham lado a lado com valores essenciais. “Nada é tão nosso quanto os nossos sonhos. A gente acredita que não perder o foco em Deus e conseguir se manter com saúde é fundamental para lutar pelos nossos sonhos em família. Acreditar todos os dias que o amanhecer representa uma oportunidade de realizar aquilo que é tão íntimo do nosso coração”, afirma.

Laços de amor

Para Thaís Cardoso, a família é a principal fonte de força para enfrentar os momentos difíceis. “Tudo que a gente faz, eu faço com o meu esposo, é realmente para as minhas filhas, para que a gente possa fazer a felicidade delas. Elas são a nossa força, a nossa fortaleza. Nós acreditamos muito que o amor é o sentimento que mais constrói”, garante.

Ela relata que o ano de 2025 foi vivido de forma intensa e marcada por experiências que fortaleceram ainda mais os vínculos familiares. “Com esse amor, com essa ligação e com a bênção de Deus, a gente tem vivido realmente o sobrenatural desse ano e espera muito mais para o próximo”, afirma.

Ao refletir sobre quem era no início de 2025 e quem se tornou ao final do ano, Thaís resume o sentimento em uma palavra: ‘gratidão’. “Por tudo que a gente viveu, pelas lembranças, pelas memórias que estamos construindo com a nossa família, por ver o crescimento das nossas filhas, em saúde e em sabedoria”, diz.

Compreensão

Ela também destaca um marco importante vivido recentemente. “A gente completou 10 anos de renovação de votos, então é acreditar realmente na família, acreditar no amor. Eu me sinto supergrata a Deus por tudo que Ele nos deu esse ano”, completa. Como aprendizado para a vida e para o convívio familiar, Thaís aponta a empatia como essencial. “Empatia é reconhecer o outro, entender o outro, ter uma escuta mais compartilhada. As dores são diferentes e, quando a gente entende o que o outro está sentindo, tudo flui mais fácil”, explica.

Segundo ela, este final de ano, mais do que festas e comemorações, é um convite à reconexão, ao cuidado emocional e à valorização dos laços que sustentam os sonhos e os recomeços. “Compartilhar sentimentos, sonhos, alegrias e conquistas fortalece a família. Quando uma família está unida nesse sentido, de se entender, de compreender as diferenças, faz toda a diferença. A gente escuta melhor, se fortalece e segue mais leve”, conclui.

Rede de apoio 

Para o psicólogo clínico Marcelo Moraes Moreira, a união familiar tem um papel central no enfrentamento das emoções que costumam se intensificar nas tradições de fim de ano. “Na psicanálise, a família se constitui como o primeiro espaço de constituição psíquica do sujeito. É nela que a gente aprende a nomear, conter e dar sentido às emoções”, explica.

Segundo ele, as celebrações de final de ano funcionam como rituais simbólicos que ativam memórias afetivas profundas. “As tradições de fim de ano reativam lembranças, afetos e experiências da infância. A comida que a avó fazia, os doces da mãe, a forma como os pais presenteavam os filhos. Tudo isso ajuda a dar sentido às emoções e evita que elas se transformem em sofrimento silencioso”, afirma.

Marcelo destaca que, nesse período de encerramento de ciclos e expectativas para o futuro, a família oferece continuidade e pertencimento. “A união familiar pode oferecer um sentimento de continuidade que ajuda o sujeito a enfrentar emoções intensas ligadas à passagem do tempo, ao fechamento de um ano e às expectativas para o próximo. Geralmente, a gente espera que o novo ano seja melhor, diferente, e isso mobiliza muitos afetos”, observa.

Segurança emocional

O psicólogo explica que o apoio familiar facilita a elaboração emocional. “Quando essas emoções podem ser compartilhadas e simbolizadas, a sensação de desamparo diminui. Estar com pessoas que compartilham histórias e vínculos semelhantes ajuda a elaborar sentimentos ambivalentes, como alegria misturada à saudade ou à tristeza”, pontua.

Na avaliação dele, a família também exerce uma função fundamental como rede de apoio emocional. “A família pode funcionar como um continente psíquico, um conceito ligado à ideia de holding, de Donald Winnicott. Isso significa oferecer sustentação emocional quando o sujeito se sente fragilizado”, explica.

Em situações de perda, adoecimento ou frustrações vividas ao longo do ano, a presença familiar tem um efeito protetivo. “O cuidado, a escuta e a convivência reforçam a sensação de que o sofrimento pode ser compartilhado e, dessa forma, melhor suportado. Isso fortalece o ego, restaura a confiança interna e ajuda a enfrentar novos desafios”, afirma.

Acolhimento

Marcelo também ressalta que estar com a família contribui para reduzir sentimentos de solidão e ansiedade, comuns nesse período. “Esses sentimentos muitas vezes estão ligados a fantasias inconscientes de abandono e exclusão. Quando a convivência familiar é acolhedora, essas fantasias tendem a se reduzir, porque existe uma presença real ou simbólica, sustentada pelas memórias, pelos rituais e pelas tradições que atravessam gerações”, explica.

Segundo o psicólogo, compartilhar momentos de alegria em família também tem impacto direto na saúde mental. “O prazer compartilhado amplia a capacidade de sentir alegria e ajuda a integrar experiências positivas ao mundo interno. Celebrar em família reforça sentimentos de gratidão, reconhecimento e conexão, que são fatores extremamente protetivos para a saúde mental”, destaca.

Para quem não consegue estar fisicamente com a família no fim de ano, Marcelo reforça que os vínculos não dependem apenas da presença física. “Hoje, a tecnologia permite manter contato por chamadas de vídeo, mensagens e até repetir tradições à distância. Um prato típico, um ingrediente, um ritual que lembra a família pode trazer conforto emocional e sustentar esses laços”, afirma.

Como manter a harmonia familiar no fim de ano?

O psicólogo também chama atenção para a importância de evitar idealizações excessivas sobre a convivência familiar perfeita. Segundo ele, a harmonia não significa ausência de conflitos.

- “É importante evitar a ideia de uma harmonia perfeita ou de integração em 100%. Os vínculos familiares são ambivalentes e isso faz parte da vida.”

- “Existem pessoas da família com quem temos mais afinidade e outras com menos. Facilitar o diálogo e a escuta é essencial, respeitando limites e reconhecendo diferenças.”

- “Valorizar pequenos gestos de cuidado e presença é fundamental, especialmente em um período de confraternização.”

- “Pensar diferente não invalida o vínculo. Reconhecer o outro como legítimo, mesmo com opiniões distintas, fortalece relações mais autênticas.”

- “Assim, a família deixa de se reunir apenas por obrigação social e passa a construir vínculos mais verdadeiros.”