Ufra mantém candidatura de vice-reitor alvo de impugnação e confirma eleição para o dia 18 de junho
O processo ocorre após um período de suspensão judicial e será disputado por três chapas homologadas pela Comissão Eleitoral Geral (CEG)
A Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) confirmou a realização da eleição para reitor(a) e vice-reitor(a) da instituição para o quadriênio 2026-2030, marcada para o próximo dia 18 de junho. O processo ocorre após um período de suspensão judicial e será disputado por três chapas homologadas pela Comissão Eleitoral Geral (CEG).
A definição dos novos dirigentes da universidade ganhou um novo capítulo após um pedido de impugnação contra a candidatura do professor Raimundo Nelson Souza da Silva ao cargo de vice-reitor, integrante da chapa encabeçada pela professora Eldilene da Silva Barbosa de Souza.
A contestação foi apresentada pela candidata Herdjania Veras de Lima, que argumentou que Raimundo Nelson completará 75 anos durante o mandato, o que resultaria em aposentadoria compulsória e poderia comprometer a continuidade da gestão universitária.
No entanto, a Comissão Eleitoral Geral rejeitou o pedido. Em parecer administrativo, a CEG concluiu que não existe, no Estatuto da Ufra, no edital eleitoral ou na legislação aplicável, qualquer dispositivo que impeça a candidatura de docentes que venham a atingir a idade para aposentadoria compulsória durante o exercício do mandato. O entendimento da comissão é que a elegibilidade é a regra e que não se pode criar causa de inelegibilidade sem previsão normativa expressa.
A comissão também destacou a distinção entre o cargo efetivo ocupado pelo docente e o mandato de dirigente universitário. Segundo o parecer, impedir a candidatura com base em um evento futuro relacionado à idade poderia configurar discriminação etária.
A Ufra informou que todas as manifestações, recursos e questionamentos apresentados no processo eleitoral são analisados pelas instâncias competentes, observando os princípios da legalidade, transparência, impessoalidade, isonomia, contraditório e ampla defesa.
Atualmente, três chapas estão habilitadas a disputar a consulta à comunidade universitária: Eldilene da Silva Barbosa de Souza e Raimundo Nelson Souza da Silva; Herdjania Veras de Lima e Rosana Maria do Nascimento Luz; e Gracialda Costa Ferreira e Raimundo Thiago Lima da Silva.
A votação ocorrerá de forma direta, secreta e eletrônica, por meio do sistema VotaNET, em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), das 8h às 21h do dia 18 de junho. Poderão participar do processo docentes efetivos, servidores técnico-administrativos e estudantes regularmente matriculados na universidade.
O resultado final está previsto para ser divulgado em 25 de junho, com homologação pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEE) no dia seguinte.
O processo eleitoral ocorre após uma série de disputas judiciais. Em 2025, a Justiça Federal determinou que a Ufra realizasse a consulta pública para formação da lista tríplice após ação movida pela Associação dos Docentes da Universidade Federal Rural da Amazônia (Adufra). A decisão afastou questionamentos que haviam suspendido as eleições para análise da legalidade da composição do Conselho Universitário (Consun).
Paralelamente ao processo sucessório, a universidade também enfrenta cobranças da comunidade acadêmica por melhorias na infraestrutura. Em abril deste ano, estudantes realizaram manifestações denunciando problemas como forros danificados em salas de aula, mato alto em áreas do campus e deficiências no parque computacional e na climatização. As reivindicações foram reforçadas por entidades estudantis, que cobram investimentos e melhorias nas condições de ensino e permanência na instituição.
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