Reciclagem transforma vidas e fortalece economia circular no Pará
No mês do Dia Mundial da Reciclagem, iniciativas mostram como reaproveitamento de resíduos gera renda, inclusão social e preservação ambiental
Celebrado em 17 de maio, o Dia Mundial da Reciclagem reforça a importância de iniciativas voltadas ao reaproveitamento de materiais e à redução de resíduos. No Pará, projetos comunitários e histórias de catadoras revelam como a reciclagem vem se consolidando como ferramenta de transformação social, geração de renda e fortalecimento da economia circular.
Um dos exemplos é o projeto Ecovassouras, desenvolvido na sede da Associação de Moradores da Área 2, no bairro da Sacramenta, em Belém. A iniciativa reutiliza resíduos para a fabricação de vassouras e outros itens utilitários, promovendo educação ambiental e demonstrando, na prática, como materiais descartados podem retornar à cadeia produtiva.
Recentemente, o grupo conquistou um importante avanço com a ampliação do espaço de trabalho, viabilizada com apoio da Suzano. O novo ambiente garante mais conforto e segurança aos participantes, além de permitir o aumento da capacidade produtiva do projeto.
“Para nós, essa obra é motivo de muita importância, da gente ver esse reconhecimento do nosso trabalho. Também vai ajudar no crescimento da nossa produção. Estamos pretendendo fazer mais uma máquina, hoje trabalhamos com duas apenas para desfiamento, além de podermos criar escalas de horário, inclusive para o turno da noite”, afirma Janice Leite, representante da associação de moradores apoiada pela companhia.
Ela também destaca o apoio recebido ao longo do desenvolvimento do projeto. “A presença da Suzano no projeto é muito importante. Eles compraram mais uma máquina, realizaram capacitações e deram essa visibilidade para nosso projeto, através da imprensa, que também faz muita diferença no processo”, complementa.
Segundo Diego Carrara, coordenador de Relacionamento Social da empresa, iniciativas como o Ecovassouras ajudam a fortalecer comunidades e ampliar práticas sustentáveis. “Apoiar projetos que incentivam a economia circular e a geração de renda nas comunidades do entorno da fábrica é uma forma de contribuir para a preservação ambiental e para o fortalecimento social”, afirma.
Mulheres que reciclam o futuro
Além dos impactos ambientais e econômicos, a reciclagem também revela histórias marcadas por resistência e superação. Segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), as mulheres representam cerca de 70% da força de trabalho dos aproximadamente 800 mil trabalhadores do setor no Brasil.
Essa realidade é retratada no livro Mulheres que Reciclam o Futuro, que reúne relatos de 25 catadoras de diferentes estados brasileiros. Entre elas está Maria Trindade Santana de Araújo, de 53 anos, natural de Anajás, no arquipélago do Marajó.
Conhecida como Trindade, ela encontrou na coleta de recicláveis uma forma de sobreviver após fugir de um relacionamento marcado pela violência. Durante mais de dez anos, trabalhou no antigo lixão do Aurá, em Belém, onde participou de mobilizações por dignidade e reconhecimento da categoria.
“Eu inaugurei o lixão catando material reciclável e resto de comida para sobreviver”, relembra. Atualmente, ela é presidente da Associação Cidadania para Todos e uma das principais referências do movimento de catadores no Pará.
Para Trindade, a publicação ajuda a dar visibilidade às experiências das mulheres que atuam no setor. “É muito importante mostrar um pouco da nossa vida, o que a gente passou, onde a gente chegou e onde a gente ainda quer chegar. Nosso trabalho é importante para o meio ambiente, mas ainda não é reconhecido como deveria”, afirma.
A obra foi escrita por Viviane Mansi, com fotografias de Magali Moraes, e será lançada no dia 20 de maio, em Brasília. O livro poderá ser baixado gratuitamente no site da Rede Educare.
Dados do Anuário da Reciclagem 2024 apontam que o Brasil possui mais de 3 mil organizações de catadores mapeadas, reunindo cerca de 70 mil trabalhadores formalizados em cooperativas. Apesar disso, o número representa apenas uma parcela das cerca de 800 mil pessoas que vivem da atividade no país.
Ao transformar resíduos em oportunidade, renda e inclusão social, iniciativas como o Ecovassouras e histórias como a de Trindade reforçam o papel essencial da reciclagem para a construção de cidades mais sustentáveis e socialmente justas.
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