MENU

BUSCA

Pará teve 1.486 novos casos de hanseníase em 2025, aponta Sespa; Belém soma 184

Entre 2020 e 2025, Belém registrou 983 casos de hanseníase, sendo 599 novos, segundo a Sesma

O Liberal

O Pará registrou, em 2025, 1.486 novos casos de hanseníase, como apontam dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Somente na capital, foram contabilizados 184 casos. Entre 2020 e 2025, Belém registrou 983 casos de hanseníase, sendo 599 novos, o que representa cerca de 61% das notificações, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Durante todo o mês de janeiro, diversas áreas de Belém recebem ações da campanha Janeiro Roxo, de conscientização, prevenção e enfrentamento da hanseníase.

Ainda de acordo com a Sspa, os municípios com maior incidência são Belém, Ananindeua, Parauapebas, Marabá e Xinguara. A faixa etária mais afetada é a de 35 a 49 anos, que concentra 27,72% das notificações. Nesta semana, a Sesma deu início oficial à programação na ilha de Mosqueiro, distrito da capital. Ao longo do dia, cerca de 400 pessoas foram atendidas. Com o tema “Hanseníase: quem conhece, cuida; quem cuida, cura”, a campanha Janeiro Roxo 2026 é realizada de forma descentralizada, envolvendo unidades de saúde, comunidades urbanas, ilhas e territórios ribeirinhos, com foco no fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS).

Ao longo do mês, capacitações técnicas, ações educativas e busca ativa serão realizadas em Unidades Municipais de Saúde, Unidades Básicas de Saúde e Estratégias Saúde da Família. As atividades incluem capacitação de equipes, palestras sobre hanseníase e busca ativa na comunidade na UMS Terra Firme; ações de educação em saúde em sala de espera e capacitação técnica na UMS Cremação; educação em saúde, avaliação de contatos, consultas e testagem rápida na ESF Satélite; rodas de conversa e ações educativas com agentes comunitários de saúde na UMS Condor; além de capacitações, manejo clínico, organização de fluxos assistenciais e ações de saúde na UBS de Outeiro, bem como em territórios especiais.

Também está prevista a atuação da UBS Fluvial, no dia 29 de janeiro, com atendimento a comunidades ribeirinhas, incluindo avaliação de casos suspeitos e de contatos. O encerramento da campanha ocorre no dia 30 de janeiro de 2026, na Clínica Dr. João Fonseca Gouveia, UBS do Telégrafo, com a conclusão das atividades do Janeiro Roxo e programação educativa com a mobilização da equipe da unidade.

Na última quarta-feira (21), equipes técnicas estiveram no local oferecendo diversos serviços à população, como avaliação clínica para identificação de sinais e sintomas da doença, testagem rápida para contatos, ações de educação em saúde, além de atendimentos como teste de glicemia, aferição da pressão arterial e vacinação.

Contato de pacientes

De acordo com a coordenadora da Referência Técnica em Tuberculose, Hanseníase e Micose da Sesma, Gabrielle Lobo, durante a ação foram avaliados contatos de pacientes já tratados. “Os testes rápidos não apresentaram reagência, o que é um bom indicador. Isso mostra que o caso fonte está em tratamento e deixou de ser transmissor. Ainda assim, esses contatos seguirão em monitoramento por cinco anos”, explica.

“O Janeiro Roxo é uma campanha estratégica para fortalecer as ações de vigilância, prevenção e diagnóstico precoce da hanseníase. Na capital paraense, a programação está concentrada nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESFs), principais portas de entrada do SUS. Essas ações contribuem para interromper a transmissão, reduzir incapacidades e enfrentar o estigma associado à doença”, destaca Gabrielle Lobo.

Na sexta-feira (23), a Sesma atuou em parceria com a Universidade do Estado do Pará (Uepa) e a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa). A ação, realizada no bairro do Telégrafo, em Belém, registrou mais de 100 atendimentos em apenas uma manhã, com seis casos confirmados e notificados pela Sesma. As pessoas diagnosticadas foram encaminhadas imediatamente para o início do tratamento e orientadas a procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de suas residências para acompanhamento.

Sobre a hanseníase

A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que atinge principalmente a pele e os nervos. Os principais sinais são manchas claras ou avermelhadas com perda de sensibilidade e formigamento.

A transmissão ocorre por contato próximo e prolongado com pessoas não tratadas, por meio de gotículas de saliva ou secreções nasais. A doença não é transmitida por toque, abraço ou compartilhamento de objetos. O tratamento é gratuito pelo SUS, e a transmissão é interrompida após a primeira dose do medicamento.

O atendimento para hanseníase está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde de Belém. Ao identificar qualquer sinal suspeito, a orientação é procurar a UBS mais próxima para avaliação clínica e início imediato do tratamento.

O diagnóstico da hanseníase é clínico, baseado na avaliação da pele e dos nervos periféricos. Após a confirmação, o paciente segue em acompanhamento na própria UBS, com consultas regulares, monitoramento da adesão ao tratamento, prevenção de incapacidades e avaliação dos contatos. Esse cuidado contínuo amplia a efetividade do tratamento e melhora a qualidade de vida das pessoas atendidas.

Manchas na pele com alteração de sensibilidade, dormência, formigamento, diminuição da força muscular e nódulos são sinais de alerta para a hanseníase. Quando identificada precocemente, a doença pode ser tratada antes de causar deformidades físicas, incapacidades permanentes e impactos sociais.

Serviço de referência

Ainda em Belém, o Serviço de Referência Especializado em Dermatologia da Universidade do Estado do Pará (Uepa) funciona no Campus II/CCBS, localizado na Travessa Perebebuí, nº 2623, no bairro do Marco, em Belém, com atendimento realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).