Mais de 100 municípios paraenses aderem ao selo Unicef; veja a importância
O selo apoia a gestão local ao longo de quatro anos para garantir avanços positivos na vida de crianças e adolescentes
Um total de 118 municípios paraenses já realizaram a adesão ao Selo UNICEF, uma iniciativa criada como resposta aos desafios para a realização dos direitos de crianças e adolescentes nos municípios. Ao longo de quatro anos, o Selo garante avanços reais e positivos na vida de crianças e adolescentes. O prazo para a adesão encerra no próximo dia 23, e cerca de 1.742 municípios já confirmaram a participação na edição 2025-2028.
Desenvolvido em 18 Estados das regiões da Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e norte de Minas Gerais), com mais de 2.400 municípios, o Selo UNICEF se encontra em sua 5ª edição na Amazônia. Amapá, Ceará e Sergipe já contam com 100% dos municípios engajados. Já Acre, Amazonas, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rondônia já chegaram a mais de 90% de adesão.
Carência de direitos fundamentais
O estudo “Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil - 2017 a 2023” revela grandes diferenças regionais no país. No ano de 2023, em seis dos 27 estados, mais de 80% das crianças estavam privadas de qualquer um de seus direitos fundamentais. Todos esses estados estão nas regiões Norte (Pará, Rondônia, Amapá e Acre) e Nordeste (Maranhão e Piauí). As dimensões analisadas, com base nos dados da PNAD 2023, são: educação, informação (acesso à internet), renda, moradia, trabalho infantil, água, saneamento e segurança alimentar.
No Pará, 89,5% ou seja, a cada 100 crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, quase 90 estão privadas de uma ou mais dimensões, estando entre as piores: renda, correspondendo a 16,9%, saneamento com 67%, educação com 11% e moradia, dimensão que mostra que 10,5% de crianças e adolescentes não têm este direito garantido.
Outros dados revelam ainda outros desafios, como o fato da meta de vacinação para tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, não ter sido atingida. A cobertura da primeira dose foi de 74,8%, já a segunda, de 28,5%. Os dados do Anuário VacinaBr 2025 – Relatório Estatístico de Vacinação no Brasil mostram ainda que a baixa cobertura está presente também em outros imunizantes. No caso da vacina contra poliomielite, nenhuma das três doses atingiu a meta no Estado.
O “Panorama da violência letal e sexual contra crianças e adolescentes no Brasil – 2021-2023” mostra que houve redução de 20% de mortes violentas intencionais contra crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, mas um aumento de 90% em crianças de 0 a 9 anos, entre os anos de 2022 e 2023. O Panorama, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e UNICEF, revela ainda que, na taxa de estupros de crianças e adolescentes, todas as idades apresentam números preocupantes com um aumento médio, entre 2022 e 2023, de 23%.
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