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Jovens reforçam tradição e fé na confecção dos tapetes de Corpus Christi em Capanema

Os desenhos formados nos tapetes retratam símbolos da Eucaristia, imagens de Jesus Cristo, passagens bíblicas, santos, igrejas e mensagens de fé

Dilson Pimentel

Ao lado de centenas de voluntários, a juventude têm desempenhado papel fundamental na manutenção da tradição dos tapetes de Corpus Christi em Capanema, no nordeste paraense. Neste ano, em que a celebração completa 50 anos, adolescentes e jovens ajudaram a confeccionar os 1,3 km de tapetes coloridos que transformaram as ruas da cidade em verdadeiras obras de arte. Os desenhos retratam símbolos da Eucaristia, imagens de Jesus Cristo, passagens bíblicas, santos, igrejas e mensagens de fé, reforçando a importância da participação das novas gerações na preservação de uma das maiores manifestações religiosas e culturais do Pará.

A tradição da confecção dos tapetes de Corpus Christi em Capanema segue mobilizando voluntários de diferentes idades, que dedicam horas de trabalho para manter viva uma das manifestações religiosas mais importantes do município.

Amor pela fé

Entre eles, a estudante Lis Vitória Machado Barroso, de 16 anos, que participa ativamente da preparação dos tapetes há três anos. Para ela, o envolvimento na atividade representa principalmente o amor pela fé, pela religião e pelas tradições da cidade.

“Representa o amor, porque a gente, querendo ou não, é algo cansativo. A gente se doa para estar aqui, para colaborar. Então, para mim, eu acho que representa o amor que eu sinto por Deus, por Cristo, pela minha religião, pelas tradições da cidade. Eu acho isso muito importante”, afirmou Lis.

Segundo a jovem, os trabalhos começam por volta das 18h, quando os participantes se reúnem para organizar a atividade. A confecção dos tapetes geralmente inicia às 19h e pode se estender até 3h ou 4h da madrugada.

Lis destaca que a etapa mais trabalhosa é a elaboração dos desenhos, que exige atenção e cuidado com os detalhes. “Eu acho que a parte mais trabalhosa é a parte dos desenhos. É algo que se requer muito cuidado, muitos detalhes. A gente tem que ter muito cuidado. É algo surreal”, relatou.

Ela também ressaltou a importância da celebração deste ano, que marca os 50 anos da tradição em Capanema. “Esse ano é especial, porque são 50 anos de tradições aqui em Capanema. Uma das cidades do estado do Pará que tem uma quantidade incrível de tapetes”, disse.

Vivência religiosa

Outro participante é Joaquim Neto, de 18 anos. Formado no ensino médio e atualmente cursando faculdade, ele participa da confecção desde 2024. Para o jovem, a participação está diretamente ligada à fé e à vivência religiosa.

“O que representa é a fé que nós temos de participar desse momento tão incrível, que é Jesus passando aqui na Eucaristia. É um momento lindo. A gente tem que sentir a presença de Deus aqui”, destacou.

Joaquim conta que os trabalhos normalmente começam entre 19h e 20h e seguem até aproximadamente 3h da manhã. Mesmo com o cansaço, ele afirma encontrar motivação na fé. “A gente busca força no nosso coração, busca coragem. A clareza que nós temos é que tudo isso aqui é para Deus e para Nossa Senhora”, afirmou.

Diferentemente de outros participantes, Joaquim diz não encontrar grandes dificuldades durante a confecção dos tapetes. Neste ano, ele trabalhou em uma das áreas localizadas na parte da frente do percurso e participou da elaboração de desenhos, embora não se recorde exatamente do tema representado.

A dedicação dos jovens demonstra como a tradição dos tapetes de Corpus Christi continua sendo fortalecida pelas novas gerações, que unem trabalho voluntário, devoção e compromisso para manter viva uma das principais manifestações religiosas e culturais de Capanema.