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Sistema Deter do Inpe aponta redução de 44% nos alertas de desmatamento no Estado do Pará

Já o Sistema de Monitoramento Anual da Supressão de Vegetação Nativa (Prodes) mostrou redução de áreas desmatadas em quase todos os biomas brasileiros

O Liberal

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontou redução em desmatamentos em dois sistemas de acompanhamento da devastação ambiental no Brasil. Dados do sistema de Monitoramento Anual da Supressão de Vegetação Nativa (Prodes), no ano de 2024, apontaram redução de desflorestamento em quase todos os biomas brasileiros com oscilações entre 5,27% até 37,89%. A  Amazônia foi o bioma com a segunda maior redução de 28,09%. Outro sistema do Inpe, de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), responsável pelos alertas de desmatamento mais atuais, também mostrou redução de desmatamento na Amazônia de 36% referente ao segundo semestre de 2025.

De acordo com os dados do Deter, o Estado do Pará teve uma redução de 44% nos alertas de desmatamento no acumulado de agosto a dezembro de 2025. Os alertas caíram de 784 km² para 438 km² na comparação entre o mesmo intervalo do ano de 2024. Esse é o menor valor da série histórica para o segundo semestre desde 2019. Na Amazônia Legal, o comportamento foi semelhante. Entre agosto e dezembro de 2025, o acumulado de alertas de desmatamento totalizou 1.191 km², o que representa uma redução de aproximadamente 36% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 1.869 km².

Apesar de apontarem analisarem o mesmo problema, os sistemas do Inpe são complementares. O Deter (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real) foi desenvolvido para monitorar e alertar sobre alterações na cobertura vegetal em biomas brasileiros.

Enquanto o sistema Prodes (Monitoramento Anual da Supressão de Vegetação Nativa) fornece taxas anuais precisas, o Deter é focado na agilidade, servindo como um sistema de alerta rápido para apoiar órgãos de fiscalização, como o Ibama, no combate imediato ao crime ambiental. 

A consolidação dos dados do Prodes serve para a análise de tendências de médio e longo prazo do desmatamento no Brasil, de forma complementar aos resultados antecipados. As informações dão subsídio à construção e implementação de políticas públicas ambientais.

PARÁ - O Deter apontou que entre agosto e dezembro de 2025, alguns municípios paraenses conseguiram reduzir os alertas em 54%, passando de 454 km² para 208 km², uma diminuição absoluta de 246 km². Entre os destaques estão Altamira, que reduziu os alertas de 58 km² para 12 km² (-79%); Uruará, de 52 km² para 12 km² (-77%); Itaituba, de 47 km² para 12 km² (-75%); Portel, de 55 km² para 22 km² (-59%); e Pacajá, que caiu de 42 km² para 16 km² (-62%).

PRODES - A comparação dos dados do Prodes, entre 2023 e 2024, demonstraram uma redução da supressão de vegetação natural na maioria dos biomas monitorados. Houve redução do desmatamento por ordem na Mata Atlântica (37,89%), Amazônia (28,09%), Cerrado (25,76%), Pampa (20,08%) e em área não florestal na Amazônia (5,27%). De todos os biomas brasileiros, apenas foi apresentaram aumento de áreas com supressão de vegetação que foram Caatinga (9,93%) e Pantanal (16,5%).

SUPRESSÃO - De acordo com nota técnica divulgada pelo Inpe, somente é considerada supressão a remoção da cobertura da vegetação nativa, independentemente das características da vegetação e da futura utilização da área. As análises são feitas a partir de imagens de satélites das áreas com supressão, identificadas automaticamente e classificadas a partir dos índices de vegetação. Depois passam por interpretação visual.

Em entrevista à Agência Brasil, a vice-coordenadora do Programa do Inpe BiomasBR, Silvana Amaral, avaliou que a queda no desmatamento na maioria dos biomas brasileiros entre 2023 e 2024 corrobora a efetividade e a importância de políticas públicas de comando e controle, bem como de mecanismos regulatórios como acordos e termos de conduta firmados entre sociedade civil e setores de comércio e exportação de produtos agropecuários.