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Família denuncia golpe após pagar mais de R$ 21 mil por festa de 15 anos em Castanhal

Evento da filha foi adiado e cancelado sem devolução do dinheiro; caso é investigado pela Polícia Civil

O Liberal

Uma moradora de Castanhal, no nordeste do Pará, registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil denunciando um suposto golpe envolvendo a contratação de serviços para a festa de 15 anos da filha dela, que não foi realizada. O caso foi registrado na Delegacia de Polícia do município, na quarta-feira (13). A contratante, a empresária Laysa Lima de Macedo, de 35 anos, afirmou que realizou diversos pagamentos via Pix entre março e abril de 2026, totalizando R$ 21.828,00, referentes à organização da festa da filha. A comemoração foi adiada sucessivamente até, segundo ela, ser cancelada sem devolução dos valores pagos.

A filha completou 15 anos dia 6 de maio. Ainda conforme o boletim, o esposo da empresária, a que foi denunciada na Polícia, teria informado que ela estaria devendo dinheiro para integrantes do Comando Vermelho e que parte dos recursos recebidos estaria sendo usada para pagamento de extorsões. O documento também informa que a denunciante afirmou ter sido desencorajada a procurar a polícia por suposto envolvimento de criminosos e possíveis ameaças.

Laysa Lima de Macedo, 35 anos, afirmou ainda que descobriu que fornecedores anunciados para o evento não teriam sido contratados. Conversas de WhatsApp, comprovantes de Pix e outros documentos foram entregues à Polícia Civil, que deve investigar o caso. Segundo o relato da vítima, a negociação começou em março deste ano com Rosiane Correia da Silva, que se apresentava como responsável pela organização de eventos da empresa Casa Gastro Cursos e Festas Ltda, conhecida como “Casa Gastro”, localizada em Castanhal.

Ainda de acordo com a denunciante, Rosiane atuava ao lado do marido, Sérgio Villas, apontado como sócio da empresa. Laysa Lima de Macedo informou à polícia que contratou os serviços para a realização da festa da filha, marcada inicialmente para o dia 8 de maio, e realizou diversos pagamentos via Pix ao longo dos últimos meses. Conforme o boletim, os depósitos totalizaram R$ 21.828,00.

Comando Vermelho

No depoimento, a denunciante afirmou que todos os pagamentos foram feitos dentro dos prazos exigidos pela organizadora do evento e que os valores eram transferidos diretamente para a conta vinculada ao CNPJ da empresa. Ela também disse suspeitar que a suposta fraude teria sido premeditada, alegando que Rosiane aceitava apenas pagamentos via Pix e pressionava constantemente pela antecipação dos valores, sob a justificativa de que precisava repassar recursos a fornecedores.

A vítima também contou que, próximo da data marcada para a comemoração, Rosiane informou que não conseguiria realizar a festa, alegando problemas com pagamentos de fornecedores. Diante da situação, o evento foi remarcado para o próximo dia 16 de maio. Porém, ainda segundo Laysa Lima de Macedo, nesta quarta-feira (13), Rosiane voltou a informar que não realizaria a festa e que também não teria condições financeiras de devolver os valores recebidos.

Ainda conforme o boletim, durante uma reunião realizada na sede da empresa, Sérgio Villas teria afirmado que ele e a esposa estariam sendo extorquidos por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho e que o dinheiro recebido dos clientes teria sido utilizado para pagamentos ao grupo criminoso. A vítima relatou ainda que o casal teria afirmado que não procuraria a polícia por medo e por suposto envolvimento de policiais com a facção.

Laysa Lima de Macedo disse também que entrou em contato com fornecedores que supostamente participariam da festa, como decoradores, cerimonialistas e empresas de som e iluminação, mas, segundo ela, nenhum deles tinha conhecimento do evento ou havia sido contratado. No registro policial, a vítima afirma acreditar que nunca houve providências concretas para a realização da festa e que outras pessoas também teriam sido prejudicadas em situações semelhantes.

Em nota, a Polícia Civil informa que a 12ª Seccional de Castanhal apura denúncia de estelionato relacionada à contratação de serviços para a realização de uma festa de 15 anos. Segundo o registro policial, a vítima relata ter efetuado pagamentos à empresa responsável pelo evento, que não teria sido realizado, sem devolução dos valores até o momento. O procedimento segue em andamento, com análise de documentos, comprovantes de pagamento e oitivas dos envolvidos. As alegações de ameaças e suposta menção a organização criminosa também serão apuradas durante a investigação.

A reportagem tentou contato com a empresária denunciada, mas não obteve êxito. O espaço segue aberto para manifestações posteriores.