Dia Mundial da Reciclagem: descarte correto ajuda o meio ambiente e gera renda a trabalhadores
Além de reduzir a quantidade de resíduos enviados para lixões e aterros sanitários, a reciclagem também contribui para diminuir a poluição do solo, rios e igarapés
Celebrado neste domingo (17), o Dia Mundial da Reciclagem reforça a importância do descarte correto de resíduos e do reaproveitamento de materiais. É uma forma de reduzir impactos ambientais e incentivar práticas sustentáveis. Em Belém, além de contribuir para a preservação do meio ambiente, a reciclagem também garante renda para centenas de famílias que dependem da coleta e separação de materiais recicláveis.
Apesar de ainda ser uma cidade que enfrenta desafios relacionados à coleta seletiva e ao descarte irregular de lixo, cooperativas e trabalhadores da reciclagem atuam diariamente para retirar resíduos das ruas, canais, bueiros e aterros sanitários. Segundo Deryck Martins, presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), o Dia Mundial da Reciclagem é uma data extremamente importante para conscientizar a sociedade sobre a necessidade do consumo responsável e da destinação correta dos resíduos. “Mais do que separar lixo, a reciclagem representa uma mudança de cultura”, afirma
De acordo com ele, o crescimento urbano e o aumento do consumo tornam cada vez mais urgente a ampliação da educação ambiental. “A discussão precisa acontecer nas escolas, empresas, indústrias e dentro das casas”, destaca.
Além de reduzir a quantidade de resíduos enviados para lixões e aterros sanitários, a reciclagem também contribui para diminuir a poluição do solo, rios e igarapés. “A reciclagem ajuda a preservar recursos naturais e melhora diretamente a qualidade de vida da população”, ressalta Deryck.
“O crescimento das cidades faz com que a produção de resíduos aumente diariamente. Se não houver conscientização e participação da população, teremos impactos ambientais, sociais e até econômicos cada vez maiores”, afirma o ambientalista.
Segundo Deryck Martins, a reciclagem também possui papel importante no combate às mudanças climáticas. “Quando reciclamos materiais como plástico, papel, vidro e metal, reduzimos a necessidade de retirar novos recursos da natureza. Isso diminui o desmatamento, reduz a exploração de matérias-primas e também contribui para a redução da emissão de gases de efeito estufa”, explica.
Ele ressalta ainda que pequenas atitudes dentro de casa podem gerar impactos significativos a longo prazo. “Reduzir o uso de descartáveis, reutilizar embalagens, evitar desperdício de alimentos e separar corretamente os resíduos já fazem muita diferença. A mudança começa dentro de casa e se transforma em benefício coletivo”, destaca.
Reciclagem
Entre os materiais mais comuns que podem ser reciclados estão papel, papelão, plástico, vidro e metais, como alumínio e aço. Garrafas PET, latinhas, embalagens, jornais e caixas de papelão podem retornar para a cadeia produtiva após o descarte correto.
“O ideal é separar os resíduos em pelo menos duas categorias: recicláveis e orgânicos. Também é importante separar materiais perigosos, como pilhas, baterias, medicamentos e eletrônicos, que precisam de descarte específico”, orienta o ambientalista.
Ele explica ainda que embalagens e recipientes devem estar minimamente limpos antes do descarte. “Não é necessário desperdiçar água, mas retirar o excesso de resíduos ajuda a evitar contaminação e facilita o trabalho de quem atua na reciclagem”, afirma.
Deryck Martins alerta que materiais contaminados acabam dificultando o reaproveitamento dentro das cooperativas. Segundo ele, muitos resíduos que poderiam ser reciclados acabam descartados por estarem misturados com restos de comida ou outros materiais orgânicos.
“O cidadão precisa entender que a separação correta ajuda diretamente o trabalhador da reciclagem. Quando o material chega limpo e separado, facilita a triagem e aumenta a quantidade de resíduos que realmente podem voltar para a indústria”, explica.
O ambientalista também reforça que materiais como óleo de cozinha, pilhas, baterias e aparelhos eletrônicos não devem ser descartados no lixo comum. “Esses resíduos possuem substâncias contaminantes que podem atingir o solo, os rios e os lençóis freáticos. O correto é procurar pontos de coleta específicos ou locais que realizam logística reversa”, orienta.
Segundo ele, após a coleta seletiva, os materiais recicláveis passam por diferentes etapas até retornarem para o mercado. “Os resíduos seguem para cooperativas, centrais de triagem ou empresas especializadas. Depois de separados e prensados, eles são encaminhados para indústrias recicladoras e se transformam novamente em matéria-prima”, detalha.
Meio ambiente e renda
Na capital paraense, cooperativas realizam diariamente o trabalho de coleta, triagem e encaminhamento desses materiais para a indústria recicladora. Uma das iniciativas é desenvolvida pela Concaves, cooperativa localizada no bairro da Condor, que atua há mais de 20 anos na reciclagem de resíduos sólidos.
“A reciclagem é importante para o planeta, para o cidadão e para a vida. Quando esse material é reaproveitado, ele deixa de ir para os lixões e volta novamente para o ciclo da indústria”, afirma Jonas de Jesus da Silva, coordenador da cooperativa.
Segundo ele, a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos para o avanço da coleta seletiva em Belém. “O índice de coleta seletiva ainda é muito baixo. Muita gente não sabe da importância de separar o lixo e destinar os recicláveis para as cooperativas”, explica.
Jonas destaca que o descarte irregular dos resíduos contribui diretamente para problemas enfrentados diariamente pela população. “Belém sofre muito com canais entupidos e ruas alagadas. Grande parte disso acontece porque resíduos acabam indo parar em bueiros e áreas de drenagem”, diz.
De acordo com o coordenador da cooperativa, além da conscientização da população, o poder público também possui papel importante no fortalecimento da reciclagem. “É preciso ampliar campanhas de educação ambiental e incentivar a coleta seletiva. O cidadão precisa entender que separar o lixo traz benefícios para toda a cidade”, afirma.
Ele também chama atenção para os impactos causados pela destinação inadequada dos resíduos sólidos. “Nós temos um aterro sanitário que foi projetado para funcionar por cerca de 20 anos, mas acabou tendo a vida útil reduzida por causa da quantidade de resíduos descartados sem qualquer separação”, explica.
Segundo Jonas, grande parte do material que hoje vai para o aterro poderia ser reaproveitada. “Se existisse uma educação ambiental mais forte e uma coleta seletiva eficiente, boa parte desses resíduos retornaria para a indústria ao invés de ser enterrada”, ressalta.
Impacto Social
Além da questão ambiental, a reciclagem também possui forte impacto social. “Hoje mais de mil catadores dependem dessa atividade em Belém. Quanto mais material chega às cooperativas, mais renda é gerada para essas famílias”, afirma.
Na cooperativa, resíduos como plástico, vidro, papelão, metais e até materiais eletrônicos passam por triagem antes de serem encaminhados novamente para a indústria. “Aqui fazemos a separação, limpeza e organização dos materiais. Depois, eles retornam para o processo industrial e viram novos produtos”, explica Jonas.
O coordenador relata que a cooperativa já chegou a arrecadar cerca de 180 toneladas de resíduos recicláveis por mês em bairros de Belém. Atualmente, segundo ele, o volume caiu drasticamente, afetando diretamente a renda dos trabalhadores.
“Hoje trabalhamos com uma quantidade bem menor de material. Isso impacta diretamente a renda dos catadores que dependem dessa atividade para sobreviver”, afirma.
Jonas também destaca que a reciclagem vai além da questão ambiental. “Muita gente vê apenas o lixo, mas existe uma cadeia inteira de trabalhadores vivendo disso. São famílias que dependem da reciclagem para colocar comida dentro de casa”, diz.
Mudar o futuro
Entre as trabalhadoras da cooperativa está Katiana Moraes, de 41 anos, que começou atuando como catadora nas ruas e hoje trabalha na administração do galpão. “É um trabalho importante porque estamos pensando no futuro dos nossos filhos. Precisamos ensinar desde cedo a importância de separar o reciclável do rejeito”, afirma.
Katiana conta que a reciclagem ajudou no sustento da família e trouxe a conscientização. “Criei meus filhos trabalhando com reciclagem. Hoje tenho um filho estudando na área ambiental e participando de ações de educação ambiental”, relata.
Ela lembra das dificuldades enfrentadas diariamente pelos catadores durante a coleta nas ruas. “Muitas pessoas não imaginam o esforço que existe por trás desse trabalho. Tem gente que passa o dia inteiro recolhendo material reciclável para conseguir renda”, afirma.
Segundo Katiana, além da geração de renda, a reciclagem também representa dignidade para muitas famílias. “Quando esse material chega até a cooperativa, ele deixa de ser lixo e passa a ter valor. Isso ajuda muitas pessoas que dependem desse trabalho”, destaca.
A trabalhadora afirma ainda que a conscientização da população é essencial para melhorar a coleta seletiva na capital paraense. “Quando as pessoas fazem a separação correta dentro de casa, ajudam diretamente os catadores e também colaboram com o meio ambiente”, encerra.
Palavras-chave