Comunidades do Pará participam de pesquisa sobre preservação dos manguezais e carbono azul
Estudo reúne conhecimento tradicional e pesquisa científica para avaliar a contribuição dos mangues no combate às mudanças climáticas
Comunidades extrativistas do Pará participaram de um encontro para discutir formas de monitorar e preservar os manguezais da região. A atividade reuniu moradores das Reservas Extrativistas (Resex) Mãe Grande de Curuçá e Marinha Mestre Lucindo, em Marapanim, dentro do projeto Floresta Azul, desenvolvido pela Natura em parceria com a Embrapa.
A iniciativa estuda o potencial dos manguezais no enfrentamento das mudanças climáticas por meio da análise do chamado "carbono azul", que é o carbono armazenado no solo e na vegetação desses ecossistemas costeiros. Considerados importantes aliados na redução dos impactos do aquecimento global, os manguezais têm capacidade de reter grandes quantidades de carbono por longos períodos.
Além de investigar esse potencial ambiental, o projeto busca identificar novas possibilidades de aproveitamento sustentável da biodiversidade local, incluindo pesquisas sobre bioativos naturais desenvolvidas em conjunto com as comunidades tradicionais que vivem e dependem desses territórios.
Segundo os pesquisadores envolvidos, a participação dos moradores é fundamental para o trabalho. O conhecimento acumulado por gerações sobre o comportamento dos rios, marés, vegetação e fauna complementa as análises técnicas realizadas em campo, permitindo uma compreensão mais ampla da dinâmica dos manguezais.
O estudo também pretende ampliar o conhecimento sobre a quantidade de carbono armazenada nesses ambientes e contribuir para o desenvolvimento de metodologias de monitoramento que possam ser utilizadas em futuras ações de conservação e recuperação ambiental.
A cooperação entre Embrapa e a empresa do setor de cosméticos completa duas décadas e já resultou em pesquisas voltadas ao uso sustentável da biodiversidade amazônica. A experiência acumulada na floresta agora é aplicada aos manguezais, ecossistemas considerados estratégicos tanto para a proteção da costa quanto para o equilíbrio climático e a manutenção dos modos de vida das populações tradicionais.