Chuvas já afetam ao menos 50 cidades no Pará e causam prejuízos de R$ 386,7 mi em 2026, aponta CMN
O levantamento aponta 384,4 mil pessoas afetadas, um óbito, além de 3,1 mil desabrigados e 29,4 mil desalojados
Ao menos 50 municípios do Pará foram afetados pelas chuvas intensas registradas entre 1º de janeiro e 23 de março de 2026, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) enviado ao Grupo Liberal. A entidade detalhou, ainda, que 93 decretos de anormalidade foram emitidos e informou que mantém o cenário em monitoramento no estado. Ao todo, os prejuízos somam R$ 386,7 milhões.
Os prejuízos econômicos atingem, de acordo com o CNM, diferentes setores, com impacto de R$ 68,5 milhões no setor privado, R$ 291,9 milhões no setor público e R$ 26,3 milhões no setor habitacional, onde cerca de 5,9 mil casas foram danificadas ou destruídas. Em relação aos danos humanos, o levantamento aponta 384,4 mil pessoas afetadas, um óbito, além de 3,1 mil desabrigados e 29,4 mil desalojados. A entidade, no entanto, não detalhou quais são os municípios do levantamento.
Entre os municípios afetados, Bragança teve a situação de emergência oficialmente reconhecida pelo Governo Federal, no início de março, devido às chuvas que atingiram a cidade e provocaram alagamentos e danos em áreas urbanas e rurais. Em meio a isso, a prefeitura criou uma força-tarefa para enfrentar os alagamentos. A força-tarefa contou com a Defesa Civil, o Demutran, a Guarda Civil, equipes de Saúde, Assistência Social e Meio Ambiente, além do Samu.
Ainda nesta semana, uma forte chuva atingiu comunidades do município de Acará, no nordeste paraense, na madrugada desta terça-feira (31). O temporal provocou alagamentos em ruas e prejuízos para moradores. E na Região Metropolitana de Belém, mais recente, Marituba estava entre os municípios mais impactados pelas fortes chuvas no Pará, especialmente em relação ao número de pessoas atingidas, com cerca de 100 famílias diretamente afetadas, após forte temporal.
Até o dia 23 de março, 23 municípios paraenses tinham reconhecimento federal de situação de emergência vigente, de acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional MIDR). Entre eles estão Belém, Ananindeua, Bragança, Baião, Bannach, Bom Jesus do Tocantins, Cumaru do Norte, Dom Eliseu, Goianésia do Pará, Jacareacanga, Jacundá, Muaná, Novo Progresso, Novo Repartimento, Pacajá, Palestina do Pará, Pau D’Arco, Portel, Rio Maria, São Geraldo do Araguaia, Trairão, Xinguara e Óbidos, todos afetados por chuvas intensas, conforme relatório do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Capacidade de resposta
Sobre a capacidade de resposta das prefeituras diante desses eventos extremos, o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, avalia que a prevenção e o enfrentamento de crises decorrentes de desastres exigem ações federativas coordenadas, com a adoção de medidas de redução de riscos não apenas pelos municípios, mas também pelos estados e pela União, conforme estabelece a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC).
“Embora a responsabilidade seja compartilhada entre todos os entes, os municípios são os mais onerados, uma vez que lidam diretamente com os impactos imediatos causados pelos desastres. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta que o aumento na ocorrência de desastres climáticos continuará a causar danos e prejuízos crescentes enquanto não houver o apoio efetivo da União aos municípios, em especial, de pequeno e médio porte”, analisa o presidente da CMN.
Entre os pontos que necessitam de maior apoio a nível regional, Ziulkoski aponta: “Como exemplo, a entidade cita ações municipais fundamentais que carecem de suporte técnico e financeiro por parte dos estados e da União, tais como o mapeamento de áreas de risco, a elaboração de estudos de identificação de ameaças, suscetibilidades e vulnerabilidades, além de atividades de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação”, relata.
Reforço de estruturas
Ainda de acordo com o presidente da CMN, as prefeituras, de modo geral, ainda precisam reforçar as estruturas das defesas civis municipais. Isso decorre da insuficiência do apoio da União e dos Estados na gestão de riscos e gerenciamento de desastres. “Um estudo da CNM (2025) revela que dos 2.484 Municípios respondentes, apenas 12% declararam possuir equipes exclusivas e com estrutura adequada de viaturas, equipamentos e instrumentos para cumprir com todas as funções municipais em proteção e defesa civil”.
Segundo ele, isso “compromete a capacidade local de preparação, articulação e resposta coordenada frente aos desastres, já 67% dos Municípios alegam precisar de auxílio financeiro para a realização de ações de prevenção de desastres”. “O cenário é de estruturas fragilizadas, acúmulo de funções, escassez de pessoal qualificado e baixo incentivo da União e dos Estados. Como consequência, a gestão municipal de riscos e desastres permanece desassistida”, acrescenta Ziulkoski.
Para Ziulkoski, as políticas públicas de prevenção ainda são insuficientes e, quando existem, não apresentam efetividade nem alcance capazes de garantir soluções efetivas. “Eesse contexto reforça a urgência de atuação federativa com o devido apoio técnico e financeiro contínuo por parte da União e dos Estados, de modo a fortalecer a gestão municipal de riscos e desastres. A entidade alerta que os prejuízos decorrentes dos desastres tendem a se agravar enquanto os Municípios não receberem o suporte previsto na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC)”, analisa.
Sobre o cenário das chuvas no Pará e as ações de prevenção e monitoramento, a Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento à Defesa Civil do Estado e ao Governo do Estado. A reportagem aguarda retorno.
Palavras-chave