Campanha Maio Verde alerta para sinais silenciosos e diagnóstico precoce do câncer de ovário
Hospital Ophir Loyola já diagnosticou 222 mulheres com a neoplasia de 2024 até março deste ano
Aproximadamente 222 pacientes estiveram em tratamento para câncer de ovário entre 2024 e março de 2026, no Hospital Ophir Loyola, referência no tratamento oncológico na região Norte. O combate a um dos cânceres mais desafiadores, devido ao diagnóstico tardio, ganha maior evidência neste mês com a campanha Maio Verde. A campanha começa neste dia 8 de maio busca - data dedicada ao combate à doença - e intensificará o alerta para a conscientização e prevenção da doença, essencial para evitar o agravamento do câncer de ovário.
Para se prevenir é fundamental reconhecer sinais persistentes e manter o acompanhamento regular de saúde. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 8.020 novos casos por ano entre 2026 e 2028. O câncer de ovário é a terceira neoplasia ginecológica mais comum, ficando atrás do câncer do colo do útero e do endométrio.
A médica oncologista do Hospital Ophir Loyola, Danielle Feio, aponta que a principal dificuldade no enfrentamento da doença está na característica silenciosa, especialmente nas fases iniciais. “O câncer de ovário é considerado silencioso porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas específicos no início. Quando surgem, são vagos e facilmente atribuídos a condições benignas, como distensão abdominal ou alterações gastrointestinais. O diagnóstico tardio ainda é a regra, e isso impacta diretamente o prognóstico das pacientes”, detalha.
Os sinais do câncer de ovário existem e precisam ser observados com atenção. Dentre os principais estão distensão abdominal persistente, sensação de inchaço, dor pélvica, saciedade precoce e alterações urinárias ou intestinais. “O alerta não está apenas no sintoma isolado, mas na persistência. Sintomas novos, quase diários, por mais de duas a três semanas, precisam ser investigados. Não devem ser normalizados como algo da rotina”, orienta a especialista Danielle.
RISCO - Alguns fatores são considerados de risco e devem aumentar a vigilância para os sinais. O histórico do paciente como idade acima dos 50 anos, o antecedente familiar de câncer, especialmente de ovário e mama, e mutações genéticas, como BRCA1 e BRCA2 são os fatores que aumentam significativamente o risco de desenvolvimento da doença.
“A oncogenética tem um papel estratégico nesse cenário. Mulheres com histórico familiar devem ser identificadas precocemente e acompanhadas de forma individualizada. Em alguns casos, adotamos abordagens mais proativas, como aconselhamento genético e estratégias de redução de risco”, pontua.
Danielle Feio reforça que o diagnóstico precoce impacta diretamente nas possibilidades de tratamento e na qualidade de vida das pacientes. “Em estágios iniciais, há maior chance de tratamento cirúrgico com intenção curativa, menor necessidade de terapias mais agressivas e melhores desfechos. Já nos casos avançados, o tratamento se torna mais complexo e o risco de recidiva é maior”, completa.
A prevenção está diretamente relacionada à atenção aos fatores de risco, à manutenção de hábitos saudáveis, como controle do peso corporal, e à realização de consultas médicas regulares, principalmente a partir dos 50 anos.
TRATAMENTO - A paciente Andreina Benvenuto, 57 anos, faz o acompanhamento do tratamento no hospital. O diagnóstico trouxe uma mudança significativa na forma como passou a enxergar o cuidado com a própria saúde. “Hoje eu tenho mais consciência. Antes, na correria do dia a dia, eu sempre adiava os exames, deixava para depois. A gente coloca muitas coisas como prioridade e esquece de si. Hoje eu vejo como é importante fazer os exames pelo menos uma vez por ano e estar mais atenta ao meu corpo”, relata.
A vivência com a doença também motiva Andreina a reforçor a importância do autocuidado para outras mulheres. “Mulher, se valoriza, se cuida. A gente costuma colocar tudo acima da gente, principalmente sendo mãe, e esquece de olhar pra si. Faça seus exames, fique atenta à sua alimentação, aos sinais do seu corpo. Se a gente adoece, tudo ao nosso redor é afetado. Então cuide de você, porque você tem propósito, você tem valor”, enfatiza.
MAIO VERDE - O Maio Verde ressalta a informação como uma das principais aliadas no combate ao câncer de ovário. Reconhecer sinais persistentes, valorizar o histórico familiar e manter acompanhamento médico regular são atitudes fundamentais para o diagnóstico precoce. A campanha do Hospital Ophir Loyola destaca que o alerta deve ser contínuo. A conscientização e o autocuidado precisam fazer parte da rotina das mulheres ao longo de todo o ano, contribuindo para o enfrentamento da doença e a preservação da vida.
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