Ataques por animais peçonhentos acendem alerta no Pará após caso com criança
Somente em 2025, o Pará registrou 3.605 notificações de acidentes com animais peçonhentos
Os ataques por animais peçonhentos seguem como um grave problema de saúde pública, especialmente em áreas rurais e de garimpo. Em janeiro deste ano, uma criança de 5 anos foi vítima de picada de cobra no município de Itaituba, no sudoeste do estado.
Dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde (MS) mostram que, somente em 2025, o Pará registrou 3.605 notificações de acidentes com animais peçonhentos, envolvendo serpentes, aranhas, escorpiões, lagartas e abelhas. No mesmo período, foram contabilizados 13 óbitos.
Em 2024, o número foi ainda maior, sendo 5.139 casos notificados, com 12 mortes, sendo a maioria dos registros concentrados na zona rural, onde o contato com esses animais é mais frequente.
A reportagem solicitou dados atualizados à Secretaria Municipal de Saúde de Novo Progresso e à Secretaria de Estado de Saúde do Pará para obter mais informações, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.
O menino, morador de uma área de garimpo, foi picado por uma cobra jararaca no dia 14 de janeiro. No dia seguinte, 15 de janeiro de 2026, por volta das 11h, ele deu entrada na emergência do Hospital Municipal de Novo Progresso (HMNP), levado pela própria família.
A criança foi atendida, internada e assistida conforme os protocolos do Ministério da Saúde. Foram realizados exames de acordo com os critérios clínicos estabelecidos para esse tipo de acidente.
Especialista alerta para riscos e atendimento rápido
De acordo com o médico William Rodrigues Costa, especialista em clínica médica, a gravidade dos acidentes com animais peçonhentos está diretamente relacionada à inoculação de toxinas no organismo.
“Essas toxinas podem provocar desde reações simples como vermelhidão local, dor e inchaço, até quadros graves. Os sintomas podem surgir em poucos segundos ou minutos após a picada, variando conforme o animal e o próprio organismo da vítima”, explica.
O médico ressalta que a picada deve ser considerada emergência médica quando a vítima apresenta sinais como sonolência, dor intensa e progressiva, dificuldade para respirar, edema importante no local ou no rosto, alteração da voz, escurecimento da área atingida, suor excessivo, náuseas e vômitos persistentes, pressão baixa, desmaios ou até coma.
O que fazer e o que não fazer
Os primeiros socorros corretos incluem lavar o local da picada com água corrente e sabão, realizar limpeza com materiais de higiene comuns, fazer um curativo simples com álcool 70%, manter o membro afetado elevado e procurar atendimento médico o mais rápido possível. Sempre que possível, identificar o animal causador pode ajudar no diagnóstico, desde que isso não atrase a ida ao hospital.
Por outro lado, práticas como usar pó de café, creme dental, álcool de cozinha, sugar o veneno com a boca ou fazer torniquetes são contraindicadas e podem agravar o estado de saúde da vítima.
O atraso no atendimento pode resultar em complicações sérias, que vão desde cicatrizes locais até amputações, infecções graves, problemas cardíacos e respiratórios, e até o óbito.
Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas formam o grupo mais vulnerável. Segundo o especialista, nesses casos o atendimento deve ser ainda mais rápido para evitar desfechos graves. Ele também recomenda o uso de equipamentos de proteção, como botas e roupas compridas, em áreas de risco.
Ataques por animais peçonhentos no Pará
Números oficiais - Painel Epidemiológico (MS)
- 2025
- 3.605 casos notificados
- 13 óbitos
- Animais envolvidos: serpentes, aranhas, escorpiões, lagartas e abelhas
- 2024
- 5.139 casos notificados
- 12 mortes
- Maior incidência na zona rural
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