Associação repudia ataques racistas e ameaça sofrida por caloura de Direito aprovada na UFPA
A Polícia Civil informou que investiga o caso por meio da Delegacia de Baião
A Associação dos Discentes Quilombolas da UFPA (ADQ-UFPA) divulgou uma nota pública, nesta sexta-feira (6), manifestando repúdio aos ataques racistas e às ameaças direcionadas à estudante Olívia Natalina, de 18 anos, caloura do curso de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA).
Segundo a associação, Olívia passou a ser alvo de ofensas, ataques pessoais e ameaças de morte após a divulgação de um vídeo em que comemora, ao lado do pai, a aprovação em 1º lugar no curso de Direito, pelo Processo Seletivo Especial (PSE) Indígena e Quilombola 2026.
Na nota, a ADQ-UFPA reafirma que o racismo é crime e caracteriza uma violência estrutural que impacta diretamente a dignidade, a saúde mental e a permanência de estudantes negros e quilombolas no ambiente universitário. A entidade ressalta que não compactua, em hipótese alguma, com práticas discriminatórias, violentas ou intolerantes.
A associação também reforça o compromisso com a defesa da permanência estudantil, da saúde mental e da integridade física e emocional dos discentes quilombolas, além da construção de uma universidade pública antirracista, segura e comprometida com a justiça social.
Ao final do posicionamento, a ADQ-UFPA se coloca em total apoio à estudante e destaca a necessidade de apuração rigorosa dos fatos e responsabilização dos envolvidos, para que episódios de racismo e violência não sejam naturalizados nem silenciados dentro ou fora do espaço universitário.
Olívia Natalina é natural de Baião, no nordeste do Pará, liderança quilombola e filha de trabalhadores rurais. A estudante informou que todas as ameaças recebidas foram registradas e documentadas, e que um boletim de ocorrência já foi formalizado.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil informou que "o caso foi registrado como ameaça na Delegacia de Baião nesta segunda-feira (2)". "Diligências estão em andamento para identificar os envolvidos nos ataques direcionados à vítima", disse a PC.
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