Alunos da UFPA fazem ‘vaquinha’ para representar o Pará na maior simulação jurídica do mundo nos EUA
Classificada para a etapa internacional da Jessup, em Washington, equipe precisa arrecadar R$ 120 mil para custear viagem
Após fazer história ao vencer quatro rodadas contra equipes de universidades renomadas, a Universidade Federal do Pará (UFPA) garantiu vaga na etapa internacional da Philip C. Jessup International Law Moot Court Competition, considerada a maior competição de simulação jurídica do mundo. Agora, para assegurar a participação em Washington, D.C., nos Estados Unidos, entre 28 de março e 4 de abril, os estudantes estão promovendo uma vaquinha virtual para arrecadar recursos.
A equipe precisa de R$ 120 mil para custear passagens, hospedagem e alimentação. Até o momento, foram arrecadados R$ 6.694,79. As doações podem ser feitas aqui ou por meio da chave pix 031.988.422-80 (CPF), em nome de Giovana Camelo do Nascimento (Banco Santander).
A UFPA será a única representante amazônica do Brasil na competição, criada em 1959, que reúne estudantes de Direito e Relações Internacionais de mais de 700 faculdades e mais de 100 países. Durante o evento, os participantes assumem o papel de representantes de Estados em uma simulação de julgamento perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), principal órgão judicial da Organização das Nações Unidas (ONU).
Integrante da equipe, a estudante Giovana Camelo do Nascimento, do décimo período do curso de Direito, destaca que o resultado alcançado na etapa nacional representa um marco para a universidade e para a região Norte.
“Nos sentimos honrados em representar o Brasil nas rodadas internacionais. Participamos pela primeira vez no ano passado e, em 2026, na nossa segunda participação, conseguimos um resultado fantástico, ficando com a medalha de bronze, algo inédito nos vinte anos de história da competição”, afirma.
Segundo Giovana, a evolução da equipe em curto intervalo de tempo foi decisiva para a classificação internacional. “Conseguimos evoluir muito de uma edição para outra e vencemos universidades renomadas do eixo Sul-Sudeste. Somos a primeira equipe de uma universidade pública da Amazônia a alcançar esse espaço”, ressalta.
A fase nacional da Jessup ocorreu em fevereiro, em São Paulo. A equipe da UFPA é composta por dez integrantes, todos vinculados ao Instituto de Ciências Jurídicas e à Faculdade de Direito da universidade.
A equipe de oradores e pesquisadores, responsável pela elaboração dos memoriais escritos e pelas sustentações orais, é formada por Bárbara Santos Sacramento, Dalila de Léllis Bastos Tagore Rocha da Silva, Giovana Camelo do Nascimento, Hector Rafael Vilhena Marinho e Nicolas Manoel Carvalho Vieira.
Já os coaches, que atuam na orientação técnica e estratégica da equipe, são os professores Dra. Mariana Monteiro de Matos e Dr. Rodrigo Carlos Céspedes Proto, além das estudantes Ananda Macedo Chedieck Martins, Isabelle Rosa Oliveira e Maria Luiza do Carmo Weyl Costa.
Apesar da classificação, a presença de todos na etapa internacional ainda depende da arrecadação. “O financiamento ainda é um obstáculo, mas estamos esperançosos em conseguir os recursos necessários para levar todos os oradores e coaches a Washington”, explica Giovana.
A preparação da equipe começou ainda em 2025 e envolveu uma rotina intensa de estudos e treinamentos. “A Jessup é um trabalho anual. Estudamos temas de Direito Internacional Público, analisamos jurisprudência da Corte Internacional de Justiça e de outras cortes internacionais e tivemos aulas semanais em inglês com nossos professores-orientadores”, relata.
Após a divulgação do caso hipotético internacional, em setembro, os estudantes intensificaram a produção dos memoriais escritos e os treinamentos de oratória, todos realizados em inglês. “Recebemos críticas construtivas muito importantes na fase nacional e agora estamos ajustando nossa performance para representar a UFPA e o Brasil com excelência em Washington”, acrescenta.
Para a estudante Dalila de Léllis Bastos Tagore Rocha da Silva, a participação tem um significado que ultrapassa a competição acadêmica. “A expectativa da equipe é alta, a Jessup é a maior competição de Direito Internacional do mundo, durante as rodadas vamos enfrentar times de universidades de diferentes lugares. Ter a oportunidade de representar a Região Norte e o Brasil nessa competição é uma conquista histórica, como o primeiro time do Norte a se classificar, estamos abrindo portas para que mais vozes da Amazônia sejam ouvidas, contribuindo para a construção de um cenário melhor no Direito Internacional. A nossa equipe tem se preparado para representar a UFPA com qualidade e competência, destacando o nosso estado no Brasil e no mundo”, afirma.
Giovana também destaca a importância da experiência internacional. “A Jessup é uma comunidade incrível. A rodada final, em Washington, é julgada por juízes da própria Corte Internacional de Justiça da ONU, além de ocorrer paralelamente à conferência da Sociedade Americana de Direito Internacional. É um ambiente único de aprendizado e de construção de contatos para toda a vida profissional”, afirma.
Mesmo diante das dificuldades financeiras, a equipe mantém o foco na representação da universidade e da região Norte no cenário internacional. “Mesmo com todas as dificuldades geográficas, financeiras e logísticas de estarmos no Norte do Brasil, vamos com muito orgulho levar a visão amazônica para os debates internacionais. O Direito Internacional na Amazônia pode crescer muito estando nesses espaços”, finaliza Giovana.
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