Irã avalia que sanções dos EUA representam declaração de guerra a todos os países da ONU
Ao anunciar novas sanções econômicas contra o Irã, os Estados Unidos não somente declararam uma guerra econômica contra o país persa, mas também a todas as nações independentes que fazem parte da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou neste sábado, 22, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei.
"Trata-se de uma afirmação de soberania extraterritorial sobre todos os Estados-membros independentes das Nações Unidas", declarou Baghaei em sua conta no X.
Segundo o porta-voz, nenhum Estado pode, de forma legal, obrigar bancos, empresas ou aeroportos estrangeiros - cada um sujeito à jurisdição exclusiva de seu próprio país - a renunciar ao comércio lícito com um terceiro Estado.
As sanções secundárias, continua a autoridade iraniana, não têm base no direito internacional, ao violarem o princípio da igualdade soberana da Carta da ONU. "A coerção econômica destinada a forçar um Estado soberano a alterar escolhas de política lícitas constitui um ato internacionalmente ilícito inequívoco", criticou.
Ainda de acordo com ele, quando combinadas a um bloqueio naval equivalente a "agressão militar", as exigências dos EUA diminuem a soberania de todos os demais Estados a "algo provisório, condicionado e revogável ao sabor da vontade de outra potência". O resultado final das medidas restritivas, em sua visão, seria "a completa erosão da soberania como base fundamental do sistema interestatal ancorado na ONU - e uma receita para um retorno abissal ao colonialismo clássico em escala total".
Também neste sábado, o primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, declarou no X que o governo do Irã não permitirá que "o terrorismo econômico" dos EUA mire na estabilidade econômica e o sustento do povo iraniano. "A experiência da Revolução Islâmica demonstrou que a pressão econômica não é capaz de alterar a determinação da nação iraniana e, na verdade, produz o efeito oposto", comentou Aref.
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