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HOSPEDEIRO

Fungo mortal para plantas é detectado pela primeira vez em um ser humano

O Chondrostereum purpureum estava enraizado na garganta de um homem de 61 anos

Emilly Melo

4 de abril de 2023 às 16:39

Uma infecção causada pelo fungo vegetal Chondrostereum purpureum foi registrada, pela primeira vez na história, em um ser humano. O patógeno é responsável por desencadear doenças nas plantas, chegando a matá-las se não forem tratada rapidamente. 

O estudo foi publicado no dia 15 de março pelo periódico Medical Mycology Case Reports, e descreve o caso de um micologista indiano de 61 anos que contraiu o fungo e desenvolveu um quadro grave de doença da folha de prata na garganta, considerada rara.

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“Este caso destaca o potencial de fungos de plantas para causar doenças em humanos e enfatiza a importância de técnicas moleculares para identificar espécies fúngicas”, aponta o estudo feito na Índia.

Os principais sintomas apresentados pelo paciente foram tosse, voz rouca, fadiga e dificuldade para engolir. Os médicos fizeram uma tomografia computadorizada no indiano e encontraram uma bolsa cheia de pus ao lado da traqueia. Entretanto, os exames laboratoriais não detectaram a presença de nenhuma bactéria preocupante. 

Detecção do fungo

Os médicos decidiram usar uma técnica de coloração para fungos que revelou a existência de hifas — longos filamentos semelhantes a raízes. 

Após perceberem que a infecção do indiano não se parecia com nenhuma das comuns, os especialistas procuraram um centro de referência e pesquisa de fungos da Organização Mundial da Saúde (OMS), que constatou o DNA do patógeno. 

O paciente não recordava ter trabalhado com a espécie recentemente. No entanto, o trabalho de campo o colocou em contato com material em decomposição e outros fungos vegetais. 

É extremamente raro que patógenos desse tipo consigam enfiar as hifas através de folhas e caules dentro do corpo humano, pois precisam de um meio que garanta os nutrientes certos e formas de se defender. 

O estudo relata que o sistema imunológico do paciente estava em pleno funcionamento, sem nenhuma indicação de drogas imunossupressoras, HIV, diabetes ou qualquer tipo de doença crônica, o que torna o caso ainda mais surpreendente.

(*Emilly Melo, estagiária, sob supervisão de Hamilton Braga, coordenador do Núcleo de Política)

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