Atriz convoca 'greve de sexo' contra lei que restringe direito ao aborto

Em estado norte-americano, legislação vai permitir aborto apenas até o coração do feto poder ser escutado

Redação Integrada de O Liberal com informações da BBC Brasil

Nos Estado Unidos, a atriz e ativista do movimento #MeToo, Alyssa Milano, convocou as mulheres do estado da Geórgia para uma "greve de sexo".

"Junte-se a mim não fazendo sexo até que tenhamos de volta a autonomia sobre nossos corpos", escreveu a atriz em sua rede social.

A mensagem chegou a ser compartilhada 14 mil vezes e chamou atenção para a lei sancionada pelo governador da Geórgia, Brian Kemp, que muda a orientação para a realização de aborto no estado.

"Nossos direitos reprodutivos estão sendo apagados. Até que as mulheres tenham controle legal sobre nossos próprios corpos, não podemos arriscar uma gravidez", publicou Milano.

Depois da publicação, a atriz recebeu respostas de pessoas que apoiam a iniciativa e daqueles que são contrários à ideia. As reações contrárias à greve de sexo vieram também de quem é contra a lei.

Grupos feministas se puseram desfavoráveis a Milano por entenderem que é errada a ideia de que mulheres só têm relações sexuais para agradar aos homens. Para rebater as críticas, a atriz publicou um artigo sobre como greves de sexo podem ser eficazes, aumentando a discussão.

"Protejam suas vaginas, senhoras. Homens em posições de poder estão tentando legislar sobre elas", tuitou Milano.

O que diz a lei?

A "lei dos batimentos cardíacos" foi sancionada no dia 7 de maio e entrará em vigor em 1º de janeiro de 2020.

A polêmica em torno da nova lei é sobre o banimento da possibilidade de fazer aborto a partir do momento em que os batimentos cardíacos do feto puderem ser detectados. Esse momento ocorre por volta da sexta semana de gestação.

No entanto, muitas mulheres ainda não sabem que estão grávidas na sexta semana. Os sintomas característicos do início de uma gestação costumam aparecer a partir da nona semana.

Os casos de exceção são gravidez resultante de estupro, incesto, para salvar a vida da mãe e com bebês que têm poucas chances de sobrevivência devido a problemas de saúde.

Apoio

Uma carta aberta a Kemp foi assinada por 50 atores, entre eles, Amy Schumer, Alec Baldwin, Christina Applegate, Sean Penn e Ben Stiller. Na carta, os atores ameaçam boicotar o estado da Geórgia junto à indústria do cinema e televisão caso a lei fosse aprovada. Depois, outros atores e diretores manifestaram seu apoio ao boicote.

 

 

Os diretores J.J. Abrams e Jordan Peele, que devem filmar a série "Lovecraft Contry" na Geórgia, já se pronunciaram dizendo que as gravações no estado devem prosseguir, mas que vão fazer doações para o fundo que combate a "lei dos batimentos cardíacos".

O estado da Geórgia já foi palco de filmes como "Pantera Negra" e "Jogos Vorazes" e de séries como "Stranger Things" e "The Walking Dead".

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