Trump exige participar da escolha do novo líder do Irã
Presidente dos EUA declarou que, entre os candidatos que seu governo havia considerado para a liderança do Irã, alguns estavam mortos
Donald Trump comparou a escolha do próximo líder supremo do Irã à da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O presidente americano declarou que deve participar da seleção do novo líder iraniano, após a morte do aiatolá Ali Khamenei em 28 de março.
Khamenei foi morto em ataques dos EUA e de Israel contra a cúpula do regime. Segundo a imprensa iraniana, a Assembleia de Especialistas do Irã teria selecionado Mojtaba, filho de Khamenei, como o próximo líder supremo. A informação foi publicada pela emissora Iran International, sediada em Londres.
Trump afirmou que nomear o filho do clérigo seria "inaceitável". "O filho de Khamenei é um fracote. Tenho de participar da nomeação, como foi com Delcy", disse o americano ao site de notícias Axios nesta quinta-feira, 5.
Bombardeio e Interlocução
Na terça-feira, 3, EUA e Israel bombardearam o prédio da assembleia na cidade sagrada de Qom, onde 88 aiatolás deveriam se reunir para definir o substituto de Khamenei. A agência de notícias iraniana Fars, entretanto, afirmou que o prédio estava vazio no momento do ataque.
No mesmo dia, Trump declarou que a maioria dos candidatos considerados para a liderança do Irã já estava morta. "A maioria das pessoas que tínhamos em mente já morreu. Agora, temos outro grupo, que também pode estar morto, segundo relatos. Então, teremos uma terceira onda. Em breve, não conheceremos mais ninguém", afirmou o presidente.
Trump descartou a possibilidade de indicar Reza Pahlevi, filho do xá Mohamed Pahlavi, deposto em 1979. Ele considerou Pahlevi "um cara legal", mas indicou preferência por alguém "de dentro do regime", popular e presente.
Mojtaba Khamenei: Perfil do Candidato
O New York Times, citando autoridades anônimas, afirmou que clérigos consideravam anunciar Mojtaba, mas recuaram. A preocupação seria ele se tornar alvo dos EUA e de Israel.
Mojtaba Khamenei tem 56 anos e é o segundo filho de Ali Khamenei. Assim como o pai, ele é aiatolá, um clérigo de alto escalão no islamismo xiita. Mojtaba serviu no exército iraniano durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988) e teria liderado a milícia paramilitar Basij na repressão a protestos em 2009.
Ascensão e Influência
Mojtaba já era cotado como possível sucessor do pai antes da guerra no Oriente Médio. Ali Khamenei foi o segundo líder supremo do Irã após a Revolução Islâmica, sucedendo a Ruhollah Khomeini, e permaneceu no cargo de junho de 1989 até sua morte em 28 de fevereiro.
De acordo com a emissora Iran International, Mojtaba teria sido eleito líder supremo sob pressão da Guarda Revolucionária. Esta é uma das instituições mais poderosas do Irã, com a missão de preservar o regime islâmico e grande poderio militar.
A Guarda Revolucionária é vista como conservadora e recentemente foi designada como terrorista por países como EUA, Israel, Argentina e Austrália. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
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