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Trump chama Cuba de 'nação fracassada' e diz que país não consegue comer ou acender as luzes

Trump também foi questionado se acreditava que a mudança de regime no país era necessária, mas evitou responder diretamente.

Estadão Conteúdo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 19, que Cuba é uma "nação fracassada" e que o país "precisa de ajuda", mas evitou responder se o regime cubano irá mudar.

Em um evento para apresentar o projeto do novo salão de festas da Casa Branca, Trump respondeu a perguntas sobre diferentes temas. Questionado sobre qual era sua visão a respeito da possibilidade de uma ação militar em Cuba, o republicano afirmou que o país entrou em contato com os EUA.

"Olha, Cuba está nos procurando. Eles precisam de ajuda. Veja, Cuba é uma nação fracassada. Cuba precisa de ajuda e nós vamos fazer isso", disse Trump.

Na sequência, o presidente foi questionado se acreditava ser possível chegar a um acordo diplomático com Cuba. "Acho que sim. Acho que sim", respondeu.

"Eu sou muito favorável aos cubanos. Eles têm sido pessoas incríveis. Muitos perderam familiares. Muitos sofreram muito. Estiveram presos", disse Trump. Ele acrescentou que os cubanos-americanos são "pessoas incríveis", que vivem principalmente em Miami, e afirmou acreditar ter recebido 97% dos votos desse grupo nas eleições presidenciais.

"Eles foram tratados muito, muito mal. Foram tratados extremamente mal e nós vamos resolver isso. Isso não vai ser difícil para nós resolvermos", disse.

Trump também foi questionado se acreditava que a mudança de regime no país era necessária, mas evitou responder diretamente.

"Eu poderia fazer isso. Mude o regime ou não, sabe, tem sido um regime duro. Eles mataram muitas pessoas", disse. "Mas é um país que realmente precisa de ajuda. Não tem nada. Eles não conseguem acender as luzes. Não conseguem comer. Nós não queremos ver isso", acrescentou.

As declarações foram feitas em um momento de tensão entre os governos dos dois países. Além do embargo econômico em vigor desde 1962, os EUA adotaram novas restrições ao fornecimento de petróleo para a ilha e aprovaram, neste mês, um novo pacote de sanções.

No fim de março, Trump chegou a dizer que "Cuba é a próxima", durante um discurso no qual exaltou ações militares americanas na Venezuela e no Irã. No entanto, ele não especificou quais medidas poderiam ser adotadas contra Havana.

Na segunda-feira, 18, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a ilha tem o direito "legítimo" de responder a um eventual ataque de Washington.

A declaração foi feita após o site Axios publicar, no domingo, 17, que Cuba teria adquirido mais de 300 drones militares e estaria avaliando possíveis cenários de uso próximo à base naval americana na Baía de Guantánamo, no leste da ilha. Segundo a reportagem, autoridades americanas consideram a movimentação uma "ameaça crescente".