Polícia realiza novas buscas em endereços ligados ao ex-príncipe Andrew um dia após prisão
Autoridades britânicas realizam buscas em endereços ligados ao ex-príncipe da monarquia britânica Andrew Mountbatten-Windsor na manhã desta sexta-feira, 20, um dia após sua prisão no âmbito de uma investigação relacionada ao caso Epstein.
De acordo com a emissora pública BBC, viaturas da Polícia do Vale do Tâmisa foram vistas no Royal Lodge, residência real em Windsor mantida pela Coroa, onde Andrew morava até o início do mês. Ele teve de deixar o imóvel após ser destituído do título real em meio às repercussões de sua relação com o financista Jeffrey Epstein, condenado por exploração sexual de menores.
A BBC informou que os veículos estavam descaracterizados, mas que pelo menos dois deles eram conduzidos por policiais uniformizados.
A Polícia do Vale do Tâmisa afirmou, em comunicado divulgado na quinta-feira, 19, que prendeu "um homem de sessenta e poucos anos de Norfolk sob suspeita de má conduta em cargo público". Procurada pela BBC, nesta sexta-feira, a corporação disse que não havia nenhuma declaração adicional a fazer sobre as buscas.
As diligências começaram em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk, ainda na quinta-feira, incluindo a Sandringham House, onde Andrew mora atualmente. Segundo as autoridades, os trabalhos em Norfolk já foram concluídos.
Andrew é investigado pela Polícia do Vale do Tâmisa após uma denúncia sobre o suposto compartilhamento de material confidencial com Epstein.
Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram que, em 2010, o ex-príncipe enviou e-mails a Epstein sobre oportunidades de negócios. Na época, Andrew ocupava o cargo de Representante Especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. O caso também é investigado pelo Crown Prosecution Service, órgão equivalente ao Ministério Público no país.
Após a prisão, o rei Charles III, irmão mais velho de Andrew, afirmou, em comunicado enviado à BBC, que recebeu as notícias recentes com "profunda preocupação".
"O que se segue agora é o processo completo, justo e adequado pelo qual esta questão será investigada de forma apropriada e pelas autoridades competentes", escreveu o rei. "Deixe-me ser bem claro: a lei deve seguir seu curso."
O ex-príncipe passou algumas horas detido antes de ser liberado sob investigação. Ele foi flagrado pela BBC ao deixar uma delegacia em Norfolk, no banco traseiro de um carro. A ex-secretária de imprensa da rainha Elizabeth II, Ailsa Anderson, disse à emissora que Andrew parecia "atordoado", "em estado de choque" e que "estava cabisbaixo".
Além dessa investigação, Andrew já foi acusado de agressões sexuais contra menores de idade. A advogada Virginia Giuffre, uma das principais testemunhas de acusação do caso Epstein, afirmou ter mantido relações sexuais com o ex-príncipe em três ocasiões, uma delas na mansão do financista em Nova York, quando ainda era adolescente.
Andrew sempre negou as acusações, mas fechou um acordo judicial com Virginia em 2022, o que impediu que o caso fosse a julgamento com júri. No ano passado, após a divulgação do livro de memórias póstumas de Virginia, intitulado "Nobody's Girl", a pressão sobre o ex-príncipe aumentou, e ele renunciou ao título real.
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