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Lula: 'Não precisamos de guerras tarifárias, nem uma nova guerra fria entre China e EUA'

Estadão Conteúdo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 20, que o mundo não precisa de uma nova Guerra Fria entre a China e os Estados Unidos, em referência à bipolarização militar e econômica que marcou a segunda metade do século passado. Em entrevista ao canal de notícias indiano India Today, Lula declarou que é preciso que as nações respeitem o território dos outros países.

"O Brasil não precisa de uma nova Guerra Fria. A Guerra Fria foi entre os EUA e a União Soviética. Não queremos outra guerra entre a China e os Estados Unidos. É necessário que as nações respeitem o território dos povos dos países, e é por isso que sou um forte defensor de algo novo, estabelecido como um alicerce", disse Lula.

O presidente também afirmou que, assim que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs o tarifaço de 50% contra produtos brasileiros, em julho passado, o governo brasileiro se reuniu para afirmar que a medida americana não era correta.

Questionado sobre a atuação do Brics, Lula declarou que o bloco esclareceu as suas posições contrárias aos conflitos entre Rússia e Ucrânia e na Faixa de Gaza. O presidente também disse que não está em discussão a criação de uma moeda do Brics, mas que os países integrantes devem discutir o modelo de transações sem o dólar, o que não deve ser feito "do dia para a noite".

"Ninguém propôs criar uma moeda do Brics, foram os americanos que mencionaram isso na gestão Biden", disse Lula para a India Today. O presidente disse também defender que um acordo entre Brasil e Índia não seja feito baseado no dólar.

Lula está na Índia desde a quarta-feira, 18, e permanecerá no país até este sábado, 21. Ao lado de líderes mundiais como o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente da França, Emmanuel Macron, o líder brasileiro participou da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial em Nova Délhi. Na ocasião, ele defendeu a participação do Sul Global para debater a regulação das novas tecnologias.

O presidente também declarou que viajou até a Índia com uma delegação composta por ministros e empresários porque o Brasil possui interesse nos avanços feitos pela indústria do país. "Queremos aprender com a Índia e compartilhar experiências, somos um grande mercado consumidor também", disse.