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Irã ameaça retomar medidas contra EUA e Israel e rejeita interferência americana em Ormuz

Em meio aos preparativos para o funeral do aiatolá Ali Khamenei, morto no conflito, autoridades iranianas endureceram o discurso sobre o Estreito de Ormuz

Estadão Conteúdo

O Irã anunciou nesta sexta-feira (3) que retomará "medidas proporcionais" caso Estados Unidos e Israel não cumpram os acordos pós-guerra. A declaração foi feita pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em meio a um endurecimento do discurso de Teerã sobre o Estreito de Ormuz.

Autoridades iranianas advertiram que qualquer novo ataque ao país receberá uma resposta "mais devastadora do que nunca". Ghalibaf ressaltou a exigência de "implementação completa dos entendimentos alcançados" com a República Islâmica.

Segundo a agência estatal IRNA, o parlamentar afirmou que Washington e Tel Aviv aprenderam durante o conflito que "não podem enfrentar o Irã militarmente" e classificou as declarações israelenses como "mera propaganda sem fundamento".

Irã endurece postura sobre Estreito de Ormuz

Em reunião com o vice-presidente do Congresso Nacional do Povo da China, He Wei, Ghalibaf declarou que o Irã "não permitirá qualquer interferência americana no Estreito de Ormuz". Teerã tratará da regulamentação da passagem pela via marítima apenas com os países do Golfo.

A agência iraniana ISNA reportou que o presidente do Parlamento também mencionou a resolução de questões relacionadas ao trânsito de embarcações chinesas pelo estreito. Ele acusou Israel de tentar sabotar um memorando firmado entre Irã e Estados Unidos.

Ghalibaf enfatizou que o poder de dissuasão iraniano impedirá uma nova guerra na região. As declarações surgem em um momento de tensões elevadas e preparativos para o funeral do aiatolá Ali Khamenei, morto no conflito.

Guarda Revolucionária em alerta máximo

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) reforçou nesta sexta-feira sua "plena prontidão" sob a liderança do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei. A força de elite advertiu que "qualquer nova agressão será respondida de forma decisiva, mais esmagadora do que nunca".

O cenário diplomático se agita após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado na quinta-feira que o Irã aceitou "tudo o que precisamos" no acordo negociado. As cerimônias fúnebres de Ali Khamenei estão previstas para começar neste sábado em Teerã.