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Epstein usou 'direito ao silêncio' ao ser questionado sobre Clinton

Estadão Conteúdo

Jeffrey Epstein invocou reiteradamente o direito de permanecer calado quando questionado sobre o ex-presidente norte-americano Bill Clinton em um depoimento de 2016 à Justiça. A transcrição integra a nova leva de documentos divulgados na sexta-feira, 30, pelo Departamento de Justiça dos EUA, sobre o caso do bilionário envolvido em tráfico sexual.

Epstein cometeu suicídio em 2019 na prisão.

No depoimento, Epstein foi perguntado sobre a relação de amizade próxima que teria mantido com Clinton até o início dos anos 2000, viagens conjuntas e voos do político em suas aeronaves, e sobre uma visita do ex-presidente, supostamente acompanhado de duas jovens de "aproximadamente 18 anos", à ilha privada do magnata, mantida em segredo por ele.

Então testemunha no processo de Virginia Giuffre (vítima que expôs os crimes) contra Ghislaine Maxwell, Epstein respondeu "quinta" durante todo o depoimento, incluindo nas perguntas sobre Clinton. A palavra se refere à quinta emenda da constituição americana, que trata do direito de não incriminar a si mesmo ao testemunhar, ficando em silêncio.

Epstein também foi perguntado se o processo teria o potencial de afetar o processo de Clinton e de outras figuras, como o príncipe Andrew, mas não respondeu.

Companheira de Epstein, Maxwell foi condenada a 20 anos de prisão por aliciar e traficar garotas menores de idade que eram então abusadas pela rede formada por ele.

Outra nova menção ao ex-presidente no arquivo de Epstein aparece em um e-mail de 2009 enviado pela socialite Peggy Siegal a Epstein. Ela relata sobre uma festa na casa de Maxwell com a presença de Clinton, Jeff Bezos e outros convidados.

Casal Clinton faltou em audiência

Até o momento, Clinton não foi indiciado no caso Epstein, não havendo acusações públicas de abuso contra ele. O ex-presidente diz que não tinha conhecimento dos crimes cometidos por Epstein.

Uma série de fotos do ex-presidente acompanhado de Epstein e Maxwell, ao lado de celebridades como Michael Jackson e Mick Jagger, já havia vindo à tona em uma divulgação do arquivo feita pelo Ministério de Justiça em dezembro.

O presidente Donald Trump já declarou que pediria uma investigação federal sobre Epstein e sua relação com o ex-presidente democrata e outras personalidades. No material mais recente do caso divulgado pelo Departamento de Justiça, consta uma denúncia anônima contra Trump por abuso sexual de uma adolescente.

No ano passado, o Comitê da Câmara dos EUA intimou Bill e Hillary Clinton a depor sobre suas ligações com Epstein, mas o casal se recusou a comparecer à audiência, o que levou a um processo por desacato. Eles acusam o presidente do comitê, de maioria republicana, de perseguição política e tratamento seletivo contra adversários de Trump.