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Enviados da Rússia e da Ucrânia se reúnem em Abu Dhabi para negociações mediadas pelos EUA

Estadão Conteúdo

Enviados da Rússia e da Ucrânia se reuniram em Abu Dhabi nesta quarta-feira, 4, para mais uma rodada de negociações mediadas pelos Estados Unidos sobre o fim da guerra que já dura quase quatro anos, disse um negociador ucraniano.

As delegações de Moscou e Kiev foram acompanhadas nos Emirados Árabes Unidos por autoridades americanas, afirmou Rustem Umerov, chefe do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia, que estava presente na reunião, em suas redes sociais.

Umerov disse que as negociações planejadas, com duração de dois dias, começaram com a presença das três delegações. Os negociadores se dividiriam em grupos de acordo com os tópicos e, em seguida, se reuniriam novamente como um grupo completo ao final.

Segundo a Casa Branca, a equipe americana deveria incluir o enviado especial Steve Witkoff e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, que também participaram da reunião do mês passado.

As negociações atuais também coincidem com o vencimento, nesta quinta-feira, 5, do último pacto nuclear remanescente entre a Rússia e os Estados Unidos. Trump e Vladimir Putin podem estender os termos do tratado ou renegociar suas condições, em um esforço para evitar uma nova corrida armamentista nuclear.

As discussões do mês passado na capital dos Emirados Árabes Unidos, parte de uma iniciativa dos EUA para colocar fim aos combates, renderam alguns progressos, mas não chegaram a um acordo sobre questões-chave, disseram autoridades.

Rússia tem como alvo a infraestrutura energética da Ucrânia As negociações em Abu Dhabi ocorreram em meio à indignação ucraniana com os grandes ataques russos ao seu sistema energético, que vêm acontecendo todos os invernos desde que a Rússia lançou sua invasão total ao país vizinho em 24 de fevereiro de 2022.

Um intenso bombardeio russo durante a noite de segunda, 2, para terça-feira, 3, incluiu centenas de drones e um número recorde de 32 mísseis balísticos, ferindo pelo menos 10 pessoas. Isso ocorreu apesar de a Ucrânia ter entendido que o presidente russo havia dito a Trump que suspenderia temporariamente os ataques à rede elétrica ucraniana.

Os civis ucranianos estão enfrentando um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos, com temperaturas em torno de -20 graus Celsius.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, não ofereceu detalhes sobre as negociações em Abu Dhabi e afirmou que Moscou não planejava comentar os resultados.

Ele afirmou que "as portas para uma solução pacífica estão abertas", mas observou que Moscou manterá suas ações militares até que Kiev atenda às suas exigências.

A Rússia está atacando instalações de energia da Ucrânia porque suas forças armadas acreditam que os alvos estão associados ao esforço militar de Kiev, disse Peskov.

Não houve clareza sobre por quanto tempo Putin prometeu respeitar a pausa nos ataques à rede elétrica, e Moscou não interrompeu seus ataques aéreos contra outros alvos na Ucrânia, apesar de um funcionário do Kremlin ter afirmado na semana passada que a Rússia havia concordado em suspender os ataques a Kiev por uma semana, até 1º de fevereiro.

O presidente ucraniano Volodmir Zelenski afirmou na noite de terça-feira (3) que, em apenas quatro dias, uma nova onda de ataques atingiu a rede elétrica da Ucrânia, acusando Putin de duplicidade.

Trump afirmou na terça-feira que Putin "cumpriu sua palavra" sobre a pausa temporária. Enquanto isso, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump "infelizmente não ficou surpreso" com a retomada dos ataques de Moscou.

O Instituto para o Estudo da Guerra, um centro de estudos de Washington, afirmou que os acontecimentos faziam parte da estratégia de negociação de Moscou.

"O Kremlin provavelmente tentará apresentar sua adesão a essa moratória de curto prazo sobre ataques ao setor energético como uma concessão significativa para obter vantagem nas próximas negociações de paz, embora o Kremlin tenha usado esses poucos dias para estocar mísseis para um pacote de ataques maior", afirmou a agência na noite de terça-feira.

Ataques noturnos

A Rússia lançou 105 drones contra a Ucrânia durante a noite, e as defesas aéreas abateram 88 deles, informou a Força Aérea Ucraniana nesta quarta-feira. Ataques com 17 drones foram registrados em 14 locais, além da queda de destroços em cinco pontos, acrescentou a Força Aérea.

Na região central de Dnipropetrovsk, um ataque russo a uma área residencial matou uma mulher de 68 anos e um homem de 38 anos, disse o chefe da administração militar regional, Oleksandr Hancha.

A cidade de Odessa, no sul do país, também sofreu um ataque em grande escala, afirmou Oleh Kiper, chefe da administração militar regional. Cerca de 20 prédios residenciais foram danificados e quatro pessoas foram resgatadas dos escombros, disse ele.

* Com informações da Associated Press.