Cuba: presidente critica ampliação de sanções dos EUA ao país
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rejeitou as sanções impostas ao país na sexta-feira pelo governo dos Estados Unidos e perguntou até quando o mundo continuará tolerando punições coletivas e abusivas por parte do governo norte-americano.
O discurso do presidente cubano, publicado pela imprensa oficial neste domingo, 3, foi feito no sábado, em um encontro com grupos de solidariedade à ilha, e ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma nova ordem executiva contra a nação caribenha.
"Esta política não busca apenas uma 'mudança de regime', mas também constitui um ato de desestabilização regional, forçando a comunidade internacional a uma escolha impossível entre sua relação com Cuba e o acesso ao mercado e ao sistema financeiro dos Estados Unidos", disse Díaz-Canel.
"Do ponto de vista das relações internacionais, esta ordem executiva é um caso de ingerência direta e unilateral por parte dos Estados Unidos", afirmou o mandatário cubano. "É uma clara tentativa de impor um modelo político por coerção econômica, usando uma lei doméstica (dos Estados Unidos) para ditar as políticas de outras nações, em detrimento do multilateralismo".
Díaz-Canel conclamou os governos do mundo a não tolerarem esse "abuso", que comparou aos cometidos na Palestina ou no Líbano.
Cuba e Estados Unidos enfrentam seu pior momento em décadas, depois que Trump impôs um cerco energético à ilha, pressionando por uma mudança em seu modelo político e informando explicitamente que busca asfixiar a economia do país e, eventualmente, tomá-lo até mesmo pela força.
A ordem executiva assinada na sexta por Trump bloquearia ativos de pessoas que operem na ilha em setores-chave, como energia, mineração, defesa ou segurança, além do setor tecnológico. A ameaça vale também para bancos, que poderiam perder suas contas nos Estados Unidos.
O cerco energético a Cuba desde janeiro passado quase paralisou a ilha, deixando-a mergulhada em longos apagões e com limitações de transporte, indústrias operando a meia marcha, voos cancelados ou rotas reduzidas, jornadas de trabalho encurtadas e desabastecimento de muitos produtos básicos e medicamentos.
A nação caribenha produz apenas 40% de suas necessidades de petróleo.
Díaz-Canel considerou que se trata de um "castigo coletivo". Analistas e líderes internacionais alertaram para uma crise humanitária.
"Montaram uma enorme campanha dizendo que nós somos uma ameaça incomum e extraordinária contra os Estados Unidos, que violamos os direitos humanos, que somos um Estado falido... que eles estão muito preocupados com as vicissitudes do povo cubano", afirmou o governante. "Se estão tão preocupados, que levantem o bloqueio, porque os principais problemas do povo cubano têm a ver com a imposição desse bloqueio durante tanto tempo".
*As informações são da Associated Press.
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