China e Rússia divulgam declaração conjunta em que criticam projeto de Domo de Ouro de Trump
Os dois países afirmaram que "potências nucleares" planejam posicionar mísseis terrestres de alcance intermediário e curto em outros territórios, o que representaria uma ameaça a outras nações
Os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, criticaram nesta quarta-feira, 20, em um comunicado conjunto, o plano do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, de criar o sistema de defesa antimísseis chamado Domo de Ouro.
"Esses planos contradizem completamente o princípio-chave de manutenção da estabilidade estratégica, que exige a interconexão entre armas estratégicas ofensivas e defensivas", afirmaram os dois países em trecho do documento, divulgado pela agência de notícias Reuters.
A declaração foi assinada após Xi receber Putin no Grande Salão do Povo, em Pequim, nesta quarta. Segundo a agência, o comunicado, com 9.935 palavras, abordou diversos temas, incluindo segurança nuclear, Taiwan e até pandas-gigantes.
A Reuters informou que China e Rússia também lamentaram a "política irresponsável" dos Estados Unidos, que permitiu que o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (NewStart, na sigla em inglês), expirasse sem substituição no início deste ano.
Os dois países também afirmaram que "potências nucleares" planejam posicionar mísseis terrestres de alcance intermediário e curto em outros territórios, o que representaria uma ameaça a outras nações.
No início de seu segundo mandato, Trump assinou uma ordem executiva para a criação do "Domo de Ouro para a América", que deve ser um sistema de defesa antimísseis multicamadas capaz de neutralizar uma série de ameaças aos EUA, incluindo o desenvolvimento e a implantação de interceptores espaciais.
Se bem-sucedido, a iniciativa marcará a primeira vez que os EUA posicionariam armas no espaço destinadas a destruir mísseis terrestres em segundos após o lançamento.
O projeto deve custar US$ 1,2 trilhão ao longo de 20 anos, de acordo com uma análise do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês), valor muito acima dos US$ 175 bilhões inicialmente estimados por Trump no ano passado.
As estimativas do CBO se baseiam, em parte, na falta de detalhes do Departamento de Defesa sobre quais e quantos sistemas serão implantados, o que "torna impossível estimar o custo a longo prazo" do sistema, segundo o relatório.
Quando anunciou o programa, em janeiro do ano passado, o presidente afirmou que esperava que o sistema estivesse "totalmente operacional" antes do "término do seu mandato", em janeiro de 2029.
*Com informações da Associated Press.
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