MENU

BUSCA

Catar nega que ataques do Irã mirassem só alvos dos EUA e cita possibilidade de retaliação

Estadão Conteúdo

O primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Catar, xeque Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al Thani, rejeitou nesta quarta-feira (4) a afirmação do Irã de que ataques recentes de mísseis tinham como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e não o território catariano.

Em comunicado divulgado após telefonema com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, o governo do Catar afirmou que os alvos iranianos "claramente atingiram áreas civis e residenciais" dentro do Estado do Catar, incluindo regiões próximas ao Aeroporto Internacional de Hamad, além de infraestrutura vital e zonas industriais com instalações de produção de gás natural liquefeito (GNL).

O comunicado também pede a suspensão imediata desses ataques contra países da região e afirma que tais ações não demonstram boa vontade por parte do Irã em relação a seus vizinhos. O premiê reiterou ainda que o Catar privilegia o diálogo e a diplomacia, mas advertiu que o país responderá a qualquer agressão que ameace sua soberania, segurança e interesses nacionais. Segundo ele, os ataques "não podem passar sem resposta", citando o direito de autodefesa previsto no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas.

Segundo Doha, os ataques representam "uma flagrante violação da soberania do Estado do Catar e dos princípios do direito internacional". Durante a ligação, Araghchi teria afirmado que as ofensivas iranianas tinham como objetivo apenas interesses americanos.

O primeiro-ministro catariano também disse que as ações não se limitaram ao lançamento de mísseis. De acordo com ele, os ataques continuam por meio de drones, além de aeronaves que violaram o espaço aéreo do país e foram interceptadas pelas Forças Armadas do Catar. Para o governo catariano, essas ações refletem "um comportamento escalatório por parte do lado iraniano" e não indicam "qualquer desejo real de desescalada ou de busca por solução", mas sim uma tentativa de causar danos a países vizinhos e arrastá-los para um conflito mais amplo.