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Violência contra a mulher faz uma vítima por dia em Marabá

Desde o mês de agosto, a Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher de Marabá funciona em regime de plantão

Tay Marquioro

No mês de agosto, pelo menos uma mulher foi vítima de violência de gênero por dia, em Marabá, sudeste do Estado. O dado é alarmante e foi divulgado em entrevista coletiva realizada pela Polícia Civil na última semana, com o balanço das atividades desenvolvidas pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM). Segundo o relatório apresentado pela DEAM, no mês dedicado à conscientização e combate à violência contra a mulher, chamado de Agosto Lilás, os policiais registraram 122 boletins de ocorrência e, entre eles, 110 deram origem a procedimentos policiais.

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Ainda no mês de agosto, foram registrados 31 flagrantes de violência praticada contra mulheres, o que soma uma média de um caso por dia. Houve ainda 58 pedidos de medidas protetivas, artifício judicial que tem o objetivo de afastar o agressor da vítima. “Nesses casos, as mulheres pedem que os agressores sejam afastados do lar ou solicitam acolhimento em abrigos públicos”, explica o delegado Vinícius Cardoso, superintendente regional de Polícia Civil.

Delegado Vinícius Cardoso contabiliza 58 pedidos de medidas protetivas no período (Tay Marquioro/ O Liberal)

Mas nem só por violência de gênero esse período foi marcado. Embora a Deam estivesse atuando há anos na proteção de mulheres na cidade, Marabá ainda não contava com o plantão 24 horas dessa delegacia. “O plantão integral na Delegacia da Mulher conta com equipe exclusiva, dedicada a esse tipo de ocorrência. Então nós temos a expectativa de que o número de procedimentos aumente com o passar do tempo e conforme a população tenha ciência de que a partir de agora as denúncias podem registradas a qualquer hora do dia”, detalha Cardoso.

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“O principal benefício é que o atendimento especializado encoraja a mulher a denunciar o fato. Mesmo porque, na Deam, a vítima tem o acolhimento feito de forma adequada. A delegada é mulher, a escrivã é mulher então a vítima se sente mais à vontade para falar. Evita-se aquele transtorno de ser encaminhada ao plantão ordinário, na 21ª seccional, onde muitas vezes a delegacia está cheia, tem outras apresentações e a mulher acaba até desistindo de registrar queixa. Especialmente, se ela estiver machucada, fragilizada, a vítima acaba ficando constrangida e, muitas vezes, vai embora sem fazer o boletim de ocorrência”, explica o superintendente.

Técnicas do projeto ajudam a criar a cultura da não-violência contra a mulher (Divulgação/ Ascom/Marabá)

Ainda de acordo com o delegado, denúncias de lesão corporal, crime contra a honra e ameaça são as ocorrências com maior número de registros. “A gente sempre procura aconselhar as vítimas para que denunciem qualquer tipo de violência sofrida, seja física, psicológica, moral, intimidação... Porque, quando a vítima noticia o fato, ela tem a chance de dissuadir o agressor. A violência segue uma escalada, uma progressão. Se, hoje, você ouve um xingamento, amanhã, você pode levar um tapa. E os episódios violentos só tendem a aumentar”, exemplifica.

Prevenção

Alunos de escolas da rede municipal de ensino estão recebendo um conteúdo criado especialmente para uma cultura de não-violência contra a mulher. A iniciativa é realizada pelo projeto "Construindo Caminhos de Igualdade de Gênero entre Meninos e Meninas", proposto pela Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres. O assunto é introduzido por meio de uma cartilha, desenvolvida pela equipe multidisciplinar da Coordenadoria. Cenas do cotidiano escolar são retratadas, trazendo grandes nomes femininos da cultura e da política. O material contém um gibi e conta uma história que se passa na turma Elis Regina, da Escola Chiquinha Gonzaga.

Júlia Rosa: projeto começou a ser pensado no período mais crítico da pandemia (Divulgação/Ascom/Marabá)

Júlia Rosa, titular da Coordenadoria, explica que o projeto começou a ser pensado no período mais crítico da pandemia de covid-19, quando os indicadores de violência contra a mulher cresceram. “Começamos a discutir um projeto de intervenção que trabalhasse a questão da violência doméstica e violência de gênero para que a gente pudesse intervir no cotidiano das famílias, promovendo essa cultura de paz e mostrando dentro das famílias que a questão o respeito deve sempre existir", conta a coordenadora.

A primeira unidade de ensino a receber as ações do projeto é a Escola Municipal de Ensino Fundamental São Francisco, no bairro Infraero. Karine Feitosa, 12 anos, é uma das primeiras estudantes a ter contato com a iniciativa em sala de aula. “Acredito que é muito importante, porque vamos conhecer as leis e aprender como podemos nos defender da violência doméstica", conta a aluna do 7º ano.

Karine Feitosa, 12 anos, é uma das primeiras estudantes a ter contato com a iniciativa da prevenção em sala de aula (Divulgação/ Ascom/ Marabá)

 

Denúncias

Os canais de denúncia também são grandes aliados no combate à violência praticada contra a mulher. Em Marabá, o Disque Denúncia sudeste do Pará pode ser acionado pelo número de telefone (94) 3312-3350 e pelo WhatsApp (94) 98198-3350, que funcionam 24 horas, além de um aplicativo disponível para ser baixado no celular.

Marabá
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