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Projeto faz resgate histórico da Transamazônica e da BR-163

Projeto Jornada Sociocultural 50+50 faz devolutiva, com exibição de filmes, depoimentos e lançamento de livro

Tay Marquioro

As memórias da colonização e da abertura das rodovias Transamazônica e BR-163 ganham nessa semana espaço em um grande ato de resgate histórico. Nesta quarta-feira (3), o Teatro Municipal de Marabá, no sudeste do Pará, é o cenário desse marco sociocultural com a realização da Devolutiva Pública dos Produtos do Projeto Jornada Sociocultural 50+50.

Com uma maratona de programação gratuita que se estende durante todo o dia, o evento foi desenhado para prestar contas e devolver à sociedade civil, a pioneiros e a autoridades regionais os frutos de um extenso levantamento documental. O projeto, viabilizado por meio de emenda parlamentar do deputado federal Airton Faleiro (PT) com recursos do Governo Federal, é o resultado de uma cooperação que uniu o Governo do Estado do Pará, movimentos sociais, institutos federais e universidades públicas paraenses.

As pesquisas mergulharam nos impactos sociais, ambientais e econômicos que moldaram a vida de milhares de famílias estabelecidas nas bacias hidrográficas do Xingu, Tapajós e Araguaia-Tocantins.

A agenda no Teatro Municipal começa cedo, às 8h30, com a Abertura Institucional que reunirá os parceiros estratégicos da iniciativa. Logo em seguida, a mesa-redonda "Diálogo e Memória" colocará autores das publicações e convidados especiais frente a frente para debater as narrativas e a complexidade do território amazônico. Antes do intervalo do almoço, será realizada a entrega simbólica do Livro de Memória para representantes de comunidades tradicionais, movimentos sociais, instituições de ensino e gestores públicos.

Na retomada vespertina, a partir das 14 horas, o foco migra para as plataformas digitais e o audiovisual. O público conhecerá oficialmente o site e o acervo digital do projeto, que salvaguarda mais de 130 depoimentos inéditos em áudio e vídeo — relatos de quem vivenciou a abertura das estradas na própria pele. A Mostra Audiovisual exibirá dois curtas-metragens produzidos pela jornada, abrindo espaço para debate com a equipe criativa.

Homenagem aos pioneiros da floresta

O ponto alto da noite está reservado para a celebração das trajetórias humanas. Uma cerimônia prestará homenagem a mais de 100 lideranças regionais. O tributo busca reconhecer a coragem e a resistência de colonos, indígenas e populações tradicionais que ergueram o sul e o sudeste paraense.

Às 19 horas, fechando as atividades em Marabá, ocorre o lançamento oficial de um documentário de longa-metragem, com a presença de realizadores e dos próprios personagens retratados na obra.

Para o deputado Airton Faleiro, idealizador do aporte financeiro, o momento é de consolidação da identidade local. "Quero convidar todos os marabaenses a participar desse momento histórico. Vai ser um dia inteiro de programação, com encontros, exibição de materiais, debates e homenagens. Esse projeto nasceu através de uma emenda parlamentar do nosso mandato, mas pertence ao povo da Transamazônica e da BR-163. Porque a história dessa região merece ser contada por quem viveu ela de verdade. Espero você lá", declarou o parlamentar.

Faleiro pontua que o processo de escuta revelou as duas faces da moeda do desenvolvimento regional: "Registrar a memória e refletir sobre o futuro das famílias que deixaram seus estados de origem para participar do processo de colonização da Amazônia foi uma experiência extremamente gratificante. Ao mesmo tempo, o projeto permitiu que povos indígenas e populações tradicionais das florestas e rios da região compartilhassem os impactos vividos com a colonização".

Rota itinerante e debate nacional

Marabá abre as portas da Devolutiva, mas o projeto tem caráter itinerante e percorrerá outras cidades-polo do interior paraense ainda em junho. No dia 12, a estrutura desembarca em Santarém, cobrindo a bacia do Tapajós e o Baixo Amazonas. No dia 19 de junho, será a vez de Altamira, na bacia do Xingu, receber a programação.

O debate também ganhará eco institucional e político em outras regiões. Entre os dias 15 e 19 de junho, a capital federal, Brasília (DF), recebe uma exposição exclusiva do acervo. No dia 29 de junho, Belém sedia uma Sessão Especial na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).

O desfecho da agenda do Projeto 50+50 retorna a Brasília no dia 7 de julho, onde a Câmara dos Deputados realizará uma Sessão Solene pela manhã, seguida por uma Audiência Pública à tarde para debater os desdobramentos socioambientais e os dados colhidos pela pesquisa.

"Existem histórias que não podem ser esquecidas. Histórias de quem abriu caminho, de quem chegou aqui sem estradas, de quem lutou pra sobreviver e também de quem já vivia nessa terra muito antes da colonização. Agora, essas memórias estão virando livros, filmes, documentários e registros históricos para as próximas gerações. Porque preservar a memória também é preservar a identidade do nosso povo", concluiu Faleiro.