Relevância da Ceplac para a produção de cacau no Pará
Instituição é essencial para o desenvolvimento das regiões produtores de cacau
O Pará consolidou-se como referência nacional na produção cacaueira por meio de um modelo integrado que combina sustentabilidade, tecnologia e expansão das áreas cultivadas em Sistemas Agroflorestais (SAFs). Esse avanço se deve, em grande parte, ao Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável das Regiões Produtoras de Cacau (Procacau/PA), financiado pelo Funcacau e executado tecnicamente pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), com apoio da Câmara Setorial do Cacau e do Sistema Faepa/Senar.
Diante desse cenário, o presidente do Sistema Faepa/Senar, Carlos Xavier, encaminhou nesta semana um ofício ao ministro da agricultura e pecuária, André de Paula, destacando a importância estratégica da Ceplac para o desenvolvimento da produção no Estado e defendendo medidas urgentes que garantam a continuidade e a integridade das ações da entidade no Pará.
O fortalecimento da Comissão é indispensável para a cadeia produtiva do cacau paraense — atualmente a maior do Brasil, com movimentação econômica estimada em R$ 306 milhões de reais e papel central na economia rural amazônica. Entre os principais projetos da instituição está a produção de sementes híbridas de cacau nas estações experimentais, insumo considerado essencial para a expansão sustentável da cacauicultura na Amazônia.
Qualquer ruptura nesse modelo coloca em risco não apenas o crescimento da produção estadual, também a cadeia industrial brasileira do cacau e do chocolate, que depende da oferta contínua de matéria-prima de qualidade produzida no Pará.
A previsão de descumprimento das metas de produção e distribuição de sementes híbridas para 2026 — estimadas em 13,5 milhões de unidades — configura um cenário sem precedentes desde a década de 1970. A causa direta é o contingenciamento orçamentário imposto pelo Governo Federal, que vem comprometendo severamente a capacidade operacional da CEPLAC nas estações experimentais. A restrição inviabiliza a contratação de mão de obra rural necessária para manejo, colheita, beneficiamento, transporte, ensacamento e distribuição das sementes, gerando risco concreto à expansão da lavoura e ao atendimento dos produtores.
Soma-se a esse quadro a ameaça de perdas irreversíveis ao banco ativo de germoplasma de Cacau da CEPLAC — patrimônio genético construído ao longo de mais de quatro décadas, fundamental para a pesquisa, a inovação e a soberania genética da cacauicultura brasileira.
Defender a Ceplac é defender a produção sustentável, a geração de emprego e renda no campo, a segurança dos agricultores e um modelo
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