Uma das maiores sequências sem vitórias do Remo em uma temporada coloca em evidência a forma como o clube encarou o ano de 2026, o principal da história azulina com a volta à Série A do Brasileirão. Ao todo, são 14 partidas sem vencer, sendo 12 pelo torneio nacional e duas pela Copa do Brasil.
Nestes 10 meses do ano, o Remo já soma 52 jogos com mais derrotas que empates e vitórias: 20 contra 19 e 13, respectivamente. Na última sexta-feira, revés para o Cruzeiro em Belo Horizonte que manteve a equipe na vice-lanterna do Brasileirão com 25 pontos.
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Os números abaixo do esperado passam pelo plano montado - e executado - pela gestão liderada por Antônio Carlos Teixeira, atual presidente do clube. Neste ano, dois executivos de futebol foram contratados - considerando o fim do contrato de Marcos Braz em 2025 -, e com perfis diferentes de trabalho e conhecimento de mercado.

Com a maior folha salarial da história do clube, superando a casa dos R$ 6 milhões, o torcedor azulino viu apenas duas contratações darem resultado na temporada: o atacante Jajá, artilheiro do time na Série A com oito gols, e o zagueiro Tchamba. Além deles, Marcelinho e Marcelo Rangel são os únicos com regularidade.
Escolhas
Com o "renovado" Marcos Braz de executivo de futebol, o Remo iniciou a temporada com um foco claro: ter atletas com experiência na primeira divisão. Mas este modelo não surtiu efeito por conta da má fase que alguns jogadores chegaram ao Baenão.
Outro ponto que "complicou" este planejamento foi o alto salário fechado com alguns jogadores como "convencimento" para estarem no clube. Manobra que ampliou os custos do clube.
Falta ambição
Com Luís Vagner Vivian na vaga de Braz, o Remo focou em enxugar a folha salarial e investir em atletas pouco conhecidos. Em entrevista ao Grupo Liberal no início de outubro, o executivo revelou que os cofres do clube tiveram um "alívio" de R$ 12 milhões com as rescisões e empréstimos de jogadores.
Por outro lado, cerca de R$ 3.5 milhões foram gastos com contratações em agosto. No entanto, quem chegou não conseguiu mudar o panorama do Remo no Campeonato Brasileiro.
Nesta leva de agosto, somente o lateral esquerdo Marlon e o atacante Galeano - este custando R$ 3 milhões para ser retirado da condição de reserva do Mirassol - conseguiram se firmar como titulares. Enquanto os outros três contratados são reservas e até terceira opção.
Este fluxo feito na gestão Vivian passou, tanto para torcedor como imprensa, a ideia de que o Remo passou a encarar a Série A como um "cumprimento de tabela".

A passividade para ir ao mercado entre julho e setembro deixou o Remo fora da briga para permanecer na Série A em 2027. Em comparação, os adversários do Leão foram mais agressivos no mercado, gastaram mais e conseguiram mudar de patamar, como foram os casos de Santos e Vasco.
Em campo, Thiago Carpini conseguiu organizar a equipe. Mas ele esbarra no mesmo problema que o antecessor Léo Condé: a falta de opção e qualidade no elenco montado e "reforçado" na última janela.
Sem força em campo - embora seja uma equipe mais organizada com Thiago Carpini -, o Leão caminha a passos largos para retornar à segunda divisão em 2027. E com risco de acabar o ano como lanterna da primeira divisão.

