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LEÃO AZUL

Eleições no Remo: oposição critica atual gestão e foca em transparência

Gilmar Nascimento afirma que a falta de avanços na governança motivou a formação da chapa e defende uma nova condução administrativa

Fábio Will

25 de outubro de 2026 às 08:00

A transparência administrativa, a sustentabilidade financeira e o profissionalismo estão entre as principais bandeiras defendidas por Gilmar Nascimento, integrante de uma chapa de oposição na eleição do Clube do Remo. Com experiência em diferentes setores políticos e administrativos da instituição, o candidato pretende levar aos associados uma proposta de mudança na condução do Leão, com ênfase na prestação de contas, no cumprimento das obrigações estatutárias e na organização dos recursos destinados às atividades esportivas.

Em entrevista ao jornal O Liberal, Gilmar afirmou que a formação da chapa para a eleição no dia 8 de novembro, surgiu da necessidade de apresentar uma alternativa ao modelo de gestão que, segundo ele, permanece há mais de uma década no comando dos principais órgãos políticos do clube. Para o candidato, a ausência de avanços em áreas como governança e transparência compromete a sustentabilidade institucional e precisa ser enfrentada

“Nossa chapa nasceu quando percebemos que há mais de dez anos os mesmos grupos estão no poder do Conselho Deliberativo e da Diretoria do Remo, sem conseguir implementar políticas efetivas de governança, transparência e prestação de contas. Quando vemos que essas questões não avançam e que isso compromete a sustentabilidade do clube, entendemos que era o momento de apresentar uma alternativa aos associados”, declarou.

GILMAR NASCIMENTO | CANDIDATO A PRESIDÊNCIA DO REMO
Igor Mota/ O Liberal
Igor Mota/ O Liberal

Gilmar explicou que a composição da chapa reúne pessoas com histórico de participação na vida política e administrativa do Remo. Entre os nomes citados por ele estão Ricardo Ribeiro e Adalberto Rocha, apresentados como integrantes de um grupo que pretende contribuir para uma nova etapa institucional do clube.

Segundo o candidato, ele quer estabelecer mecanismos de controle e organização que alcancem diferentes áreas da instituição, incluindo os aspectos financeiro, jurídico e tributário. O objetivo seria criar condições para que o Remo mantenha o desenvolvimento do futebol profissional sem deixar de lado as demais modalidades e atividades que fazem parte da estrutura azulina.

Passagem pela diretoria jurídica

A relação de Gilmar Nascimento com o Remo começou na sede náutica, onde atuou como diretor jurídico. Posteriormente, recebeu o convite para integrar a gestão do então presidente Manoel Ribeiro. Foi durante esse período que assumiu, em 2017 e 2018, um dos desafios que considera mais importantes de sua participação na instituição, na diretoria jurídica. Segundo ele, a experiência ocorreu em um cenário de dificuldades financeiras e de uma série de pendências judiciais e tributárias que exigiam atuação constante para preservar o patrimônio azulino.

“Considero a diretoria jurídica, em 2017 e 2018, o maior desafio da minha trajetória no Remo. Foi um período em que precisei me dedicar intensamente ao clube, diante de dificuldades financeiras, penhoras sobre o patrimônio e problemas tributários, cíveis e trabalhistas. Foi um momento de muito comprometimento, em que trabalhamos para enfrentar essas questões e manter a instituição de pé”, relembrou.

Além da atuação na diretoria, Gilmar também presidiu a Comissão de Assuntos Legislativos do Conselho Deliberativo e cumpriu dois mandatos no órgão. A experiência, segundo ele, ampliou o conhecimento sobre o estatuto azulino e sobre os mecanismos que orientam as decisões internas do clube.

A passagem pela diretoria jurídica é apontada por Gilmar como uma das principais credenciais para disputar a eleição. Ele avalia que o conhecimento dos problemas administrativos e das normas internas pode contribuir para a implantação de uma gestão mais organizada.

Transparência e sustentabilidade

Gilmar colocou a transparência como o primeiro compromisso. Na avaliação dele, um clube da dimensão do Remo precisa oferecer informações claras aos associados sobre suas receitas, despesas e decisões administrativas.

“Não conseguimos admitir que um clube com a grandeza do Remo e uma torcida tão imensa não tenha uma conta própria, com informações acessíveis e uma prestação de contas transparente. Essa é uma questão fundamental, tanto para a relação com a torcida quanto para o respeito ao associado”, afirmou.

Para o candidato, o crescimento esportivo precisa estar acompanhado de planejamento financeiro e de uma estrutura administrativa capaz de manter os compromissos do clube. Ele recordou que, durante sua passagem pela diretoria jurídica, já acreditava que o Remo poderia alcançar a Série A e afirmou manter a mesma perspectiva de desenvolvimento para os próximos anos.

O terceiro eixo é o profissionalismo, com a intenção de estabelecer procedimentos mais claros para a administração e para a distribuição dos recursos. Gilmar ressaltou que o futebol profissional representa uma das principais responsabilidades de uma presidência, mas ponderou que a instituição não pode concentrar toda a atenção apenas na equipe principal.

“Qual é a maior missão de um presidente de um clube de massa como o Remo? É o futebol profissional. Mas não podemos deixar de lado as outras áreas que fazem parte da instituição, como os esportes olímpicos e a sede náutica”, destacou.

Gilmar chamou atenção para a situação das modalidades olímpicas e citou o desempenho da equipe de remo nas regatas. Segundo ele, o clube não conquista uma regata desde 2018. Gilmar também defendeu o acompanhamento dos recursos que, conforme as regras estatutárias, devem ser destinados a determinadas modalidades esportivas.

Mapeamento nos primeiros 100 dias

Caso a chapa seja eleita, Gilmar prevê que os primeiros 100 dias sejam dedicados a um levantamento da situação administrativa e financeira do Remo. A proposta é conhecer detalhadamente o funcionamento de cada setor, identificar problemas e verificar se os recursos estão sendo aplicados conforme as determinações do estatuto.

“Nos primeiros 100 dias, precisamos fazer esse mapeamento e conhecer de fato como o clube funciona. Não podemos deixar de olhar para os outros esportes nem de verificar por que determinados percentuais previstos no estatuto não foram destinados às modalidades correspondentes. É preciso ter clareza sobre essas questões para saber o que precisa ser corrigido”, explicou.

O candidato reconheceu, ainda, que o clube já estará envolvido em competições durante esse período. Por isso, defende que a reorganização administrativa seja conduzida sem ignorar as necessidades esportivas imediatas.

Apesar das críticas à condução atual, Gilmar afirmou que não pretende transformar a campanha em um movimento de perseguição a adversários. A intenção, segundo ele, é apresentar alternativas e reunir colaboradores dispostos a contribuir para uma mudança na administração azulina.

“Não estou aqui para criticar ou perseguir ninguém. Quero apresentar alternativas, com muito trabalho e a participação de todos os integrantes da chapa e dos colaboradores, para construir um Remo diferente”, declarou.

O candidato também convidou os associados e torcedores a conhecerem as propostas do grupo. A expectativa é que a discussão eleitoral coloque em pauta não apenas os resultados do futebol, mas também os mecanismos de gestão e planejamento que podem influenciar os próximos anos do Remo.