Paysandu: Mazola resgata polêmicas de 2014 e manda recado ao elenco sobre extracampo Técnico relembrou polêmicas com Alberto Maia, minimizou atritos do passado e afirmou que jogador que não tiver postura profissional não terá espaço no grupo Fábio Will 15.09.26 16h17 Mazola chega para tentar o acesso pelo Papão (Jorge Luís Totti/Paysandu) O Paysandu apresentou oficialmente, nesta terça-feira (15), o técnico Mazola Júnior, que retorna ao clube 12 anos depois de sua primeira passagem. Aos 61 anos, o treinador chega para assumir a equipe na reta decisiva da Série C do Campeonato Brasileiro e terá apenas quatro partidas para tentar mudar o cenário vivido pelo Papão na competição. WhatsApp: saiba tudo sobre o Paysandu Experiente em momentos de pressão, Mazola não escondeu que o desafio é grande, mas afirmou que está preparado para assumir o comando justamente em um período de instabilidade. O treinador também deixou claro que pretende implementar rapidamente sua filosofia de trabalho e, principalmente, estabelecer regras rígidas para o comportamento profissional dos jogadores. “É uma satisfação enorme voltar ao Paysandu. É uma satisfação que durou 12 anos, Estou muito disposto, motivado e empolgado. O Paysandu não me fez um convite, fez uma convocação e vamos em busca do objetivo, que começa contra a Inter de Limeira-SP, no domingo”, declarou. “Os resultados assustam” Mazola reconheceu que encontrou um cenário complicado, mas evitou tratar a situação como algo fora de sua experiência. Para o treinador, momentos de turbulência fazem parte de sua trajetória e que isso o deixa motivado. “O desafio é gigantesco, mas nada do que eu já não esteja acostumado. Quando as coisas estão serenas, tranquilas, normalmente não sou chamado. Para esse tipo de situação, temos experiência e conhecimento para buscarmos o melhor para o clube. Os resultados assustam, mas sei que vou lidar com isso com um trabalho bem feito”, afirmou. O técnico também fez questão de reconhecer o trabalho de Júnior Rocha, demitido após a sequência negativa na Série C. Apesar de admitir diferenças importantes na maneira de enxergar o futebol, Mazola ressaltou que o antecessor deixa um legado positivo no clube. “Conheço o Júnior, tenho um carinho enorme por ele, mas pensamos futebol diferente. O que tentarei fazer é impor o meu pensamento de futebol o mais rápido possível. Quem se adaptar melhor vai participar dos jogos como titular ou no banco. A diferença de pensar futebol é grande. O que faltou no trabalho do Júnior Rocha foram resultados na Série C. Não vamos esquecer que o Júnior Rocha sai do Paysandu tricampeão”, falou. VEJA MAIS Mazola Júnior venceu apenas um dos últimos sete jogos antes de assinar com o Paysandu; Veja números Treinador, que chega para ser o “salvador da pátria” bicolor, está em um momento de baixa na temporada. Mazola Jr é anunciado como novo técnico do Paysandu para o restante da Série C 2026 O velho conhecido terá quatro partidas para levar o Papão de volta à Série B Paysandu perde para a Ferroviária e diminui chances de acesso à Série B O bicolor paraense não fez uma boa partida e segue na lanterna do quadrangular Relação com Alberto Maia Um dos assuntos que cercaram a primeira passagem de Mazola pelo Paysandu também apareceu na entrevista desta terça-feira. Em 2014, o treinador protagonizou algumas divergências com Alberto Maia, então integrante da diretoria bicolor e posteriormente presidente do clube. Mais de uma década depois, Mazola tratou o episódio com naturalidade e afirmou que o relacionamento entre os dois nunca foi marcado por uma inimizade. Segundo ele, o principal atrito ocorreu por conta de uma discordância envolvendo uma renovação contratual. “Aquele ano teve polêmica no começo, no meio e no fim. Teve polêmica de tudo que foi jeito. Não tenho nada contra o Maia. Assim como eu, o Maia possui um temperamento parecido comigo, muito frontal. Sempre me dei muito bem com ele. O Maia, na minha época, era diretor jurídico e ele que apagava meus incêndios”, relembrou. O treinador afirmou ainda que o tempo foi suficiente para colocar as divergências em perspectiva. Para Mazola, a própria participação de Alberto Maia na aprovação de seu retorno ao clube representa a superação de qualquer problema do passado. “O que ocorreu foi uma discordância em uma renovação contratual e mais nada. Depois daquilo, o Maia torna-se presidente do Paysandu, fiz um belo trabalho no CRB-AL e nos encontramos no calçadão de Maceió na nossa caminhada. A maior prova dessa situação é que o Maia deu a aprovação para a minha contratação e eu ter vindo, sabendo que o Maia era o diretor de futebol”, comentou. Recado direto sobre o extracampo Se a relação com Maia foi tratada com tranquilidade, Mazola adotou um tom completamente diferente ao falar sobre comportamento dos jogadores. O extracampo foi um dos assuntos que mais geraram repercussão no Paysandu ao longo da temporada, e o novo treinador deixou claro que pretende estabelecer limites desde o primeiro dia de trabalho. Sem citar nomes, Mazola afirmou que não pretende administrar a vida pessoal dos atletas, mas será rigoroso quando atitudes fora de campo interferirem na postura profissional dentro do clube. “Eu tenho uma forma de trabalhar. Sei distinguir bem o jogador, o artista da bola e o profissional. A partir do momento em que o jogador trabalha comigo, ele tem a regra do jogo no primeiro dia. Eu não mando recado para ninguém, não sou homem de palavra-cruzada. A regra é passada já no primeiro dia”, afirmou. O treinador foi ainda mais direto ao definir o que espera dos atletas. Para ele, erros dentro das quatro linhas fazem parte do futebol, mas a falta de profissionalismo é inaceitável. “Eu aceito tudo do meu atleta, que ele tome um frango, que perca o gol embaixo da trave ou perca o jogo. Eu não aceito em momento algum que ele não seja profissional. Se ele quebrar tudo fora daqui, mas for o primeiro a chegar, treinar na intensidade que eu gosto e, no jogo, resolver o nosso problema, eu deixo para a torcida e para a mulher tomar conta dele. Não tenho idade para tomar conta de marmanjo”, disse. Mazola fez questão de afirmar que a forma como o jogador se comporta durante os treinos reflete nos jogos. Segundo o técnico, é necessário ser intenso todos os dias, dando seu máximo. “Você precisa ser um leão no treino e um leão no jogo. Ele tem que treinar no máximo, todos os dias. O recado está dado”, comentou o novo técnico do Papão. Quatro jogos para mudar o cenário Mazola assinou contrato com o Paysandu até o fim da Série C de 2026. A decisão está diretamente ligada ao processo eleitoral do clube. “Faltam seis jogos para mim. O clube passa por um processo eleitoral e nada mais justo para com o clube que o contrato fosse feito até então. Como conheço o clube, aceitei o desafio até o final da Série C 2026”, explicou. O primeiro teste da nova era será contra a Inter de Limeira-SP, no domingo. Até lá, Mazola terá poucos dias para conhecer melhor o elenco, estabelecer suas regras e começar a transformar o discurso de cobrança em resultado dentro de campo. “Tenho certeza de que, com o material humano que temos e com a estrutura que o Paysandu tem hoje, que não tem a mínima comparação com 2014, tenho certeza de que vamos reverter a situação”, finalizou. Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Remo . Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo! Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é. Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos. 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