Polêmico, timaços, títulos e política; conheça a trajetória do ex-presidente do Remo Manoel Ribeiro
Apaixonado pelo Remo, Manoel Ribeiro era chamado de "lenda" por alguns azulinos. O "Marechal da Vitória" deixou seu nome marcado na história do Clube do Remo
“Um desportista nato, torcedor e defensor do Remo”, essas são palavras do historiador do clube azulino Orlando Ruffeil, sobre Manoel Nazareth Ribeiro, ex-presidente do Remo, que faleceu ontem, em Belém.
Em conversa com a equipe de OLiberal, Orlando Ruffeil falou das passagens de Manoel Ribeiro pelo Remo, seu começo no departamento de futebol, bastidores, polêmicas, e um caso de “pai e filho” com o maior ídolo do Leão Azul.
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REPEITO E ADMIRAÇÃO
No inicio da década de 70 Manoel Ribeiro iniciou a sua história no Remo, como então diretor de futebol. De acordo com o Orlando Ruffeil, ele foi responsável por trazer Alcino para o clube. O então jogador respeitava Manoel Ribeiro como pai. Ele dormia na casa do então diretor remista e aprontava todas. O historiador relembra um dos casos envolvendo Manoel e Alcino.
“Na sexta o Alcino saiu e sumiu, foi para a farra e chegou domingo de manhã embriagado no Baenão. Paulo Amaral, então treinador, vetou a participação de Alcino no jogo. Chamaram o Manoel Ribeiro que se trancou com Alcino, conversou sério com ele, que jogou e marcou o gol da vitória”, disse.
LOBBY NO BRASILEIRO DE 1972
O historiador do Remo, Orlando Ruffeil, relatou uma situação que mexeu diretamente com o calendário de Remo e Paysandu na década de 70. Em 1971 teve a primeira vez o Campeonato Brasileiro unificado. Em 1972, uma nova edição, mais robusta, foi idealizada, e em 1971 o Paysandu tinha sido o campeão estadual e foi escolhido para jogar, mas Manoel Ribeiro tinha um plano para mudar isso.
“Ele foi com o ministro Jarbas Passarinho e propôs algumas melhorias nos clubes. Foi feito um ginásio para a Tuna, a fachada de todo estádio da Curuzu para o Paysandu e construiu as duas arquibancadas do Baenão para o Remo (tobogãs da Almirante Barroso e Romulo Maiorana), com isso o Remo tinha um estádio grande e apto a receber grandes jogos e assim mudando o representante do Pará no Brasileiro”, comentou.
TÍTULOS INVICTOS E CONFUSÃO COM A FPF
Já como presidente do Remo, Manoel Ribeiro teve conquistas emblemáticas. O Leão Azul conquistou os títulos estaduais de 1973, 1974 e 1975 de forma invicta. Para Orlando Ruffeil, o tetracampeonato não veio por conflitos com a Federação Paraense de Futebol.
“Ele não ganhou em 1976 por briga com a federação e seu presidente Juvêncio Dias. O Remo queria arbitragem de fora e a federação escalou árbitro local. Por esse motivo o Remo não jogou contra o Paysandu, que decidiu o título contra a Tuna”, falou.
FORMAÇÃO DE ELENCO E RESGATE DO TORCEDOR
Engenheiro civil, Manoel Ribeiro era um torcedor apaixonado do Remo e queria ganhar sempre, para isso montou elencos com jogadores que fazem parte da memória do torcedor até hoje, como lembra Orlando Ruffeil.
“Ele mudou radicalmente o conceito dos torcedores da época, resgatou o amor que o torcedor tinha pelo Remo. Trouxe jogadores como Aranha, Dutra, Mendes, Luís Florêncio, Caíto, Tito, Hertz, Alcino, Perí, desde, então passei a acompanhar o Remo. Em 1977, 1978 e 1979 emplacou outro tricampeonato, caiu nas graças do torcedor e foi batizado pelo radialista Cláudio Guimarães como o ‘Marechal da Vitória’”, falou.
POLÊMICO
O ex-presidente do Remo colecionava polêmicas. O historiador Orlando Ruffeil relatou que em algumas partidas o presidente azulino mandava desligar os refletores do Baenão quando o Remo estava em desvantagem no placar.
“Ele era uma pessoa folclórica do futebol paraense. Ele chamava o empregado encarregado pela energia no estádio, um senhor chamado ‘Chuva’ e pedia para avisar que teve problema de circuito de energia. Muitas vezes o árbitro esperava, os refletores não eram religados e o jogo era remarcado”, relatou.
SUCESSO FORA DAS QUATRO LINHAS
O futebol levou Manoel Ribeiro a se aventurar na política. Ele foi eleito quatro vezes deputado federal e fez amizade com o cantor Agnaldo Timóteo, que esteve em Belém para assistir uma partida do Remo, a convite de Manoel Ribeiro.
“O Agnaldo Timóteo veio assistir uma partida do Remo no Baenão, ele chamava o Manoel Ribeiro de ‘Manezinho’. Timóteo foi a “atração” na partida da década de 80, os dois tomaram tacacá abaixo das cabines de imprensa e acompanharam a jogo daquele local”, disse.
ACESSO EM 2015
Manoel Ribeiro assumiu o Remo em 2015, após a saída de Pedro Minowa e seu vice. Foi um mandato pequeno, mas que gerou frutos ao Remo. Durante o Campeonato Brasileiro o dirigente esteve à frente do elenco e conseguiu o tão sonhado acesso para a Série C, após anos o Remo jogando a última divisão nacional.
ÚLTIMO MANDATO
O “Marechal” esteve à frente do Remo nas temporadas 2017 e 2018 e conquistou o título do Campeonato Paraense em 2018. No mesmo ano ainda participou da eleição concorrendo com Marco Antônio Pina (Magnata) e Fábio Bentes.
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