Futebol, uniformes, debates, história e cultura; Remo e a sua associação da marca à Amazônia
Leão Azul trava debates com campanhas e criações de uniformes sobre a questão da biodiversidade da Amazônia
A Amazônia sempre foi pauta em discussões de vários âmbitos, mas como trazer esse debate, conscientização para o futebol? O Remo vem buscando um caminho nos últimos três anos. O clube investiu pesado no tema “Amazônia”, que vem ganhando força entre os torcedores e que ajuda o clube, ONG’s e reforça a importância da região Norte para o mundo.
Com campanhas, postagens nas redes sociais, além das confecções de camisas relacionadas à região Norte, o Remo vem se consolidando como um dos clubes mais engajados com as dificuldades do povo amazônida, desde seus costumes, anseios e sonhos. Através da diretoria de marketing, comandada por Renan Bezerra, o Remo “fincou os pés” e trabalha a questão da história e o poder de pertencimento dos torcedores.
“Sinta a Amazônia”
O clube criou uma campanha em 2020, em parceria com cinco ONG’s, para que se pudesse alertar sobre os dados do desmatamento e queimadas na região, através de debates e postagens em suas redes sociais.
“Desde 2019 trabalhamos ações, tanto com campanhas, quanto com posicionamento de marca, que consta esse apelo da Amazônia. Somos um clube que temos autoridade para falar, pois praticamos esportes na Amazônia, um clube importante nesse contexto, que conhece as dificuldades de se fazer esporte em uma região periférica, pois o Brasil sempre se acostumou a crescer de costas para a nossa região. Como somos protagonistas, precisávamos travar esse diálogo de uma forma didática com o torcedor, como dever de um clube que muda vidas através do esporte, sem esquecer suas raízes, construção histórica e social”, disse.
Uniformes
O tema “Amazônia” não parou apenas em debates nas redes sociais, foi parar na casa dos torcedores, nos uniformes oficiais do clube, que ganharam uma “pegada” de história, luta e cultura, através do sentimento de pertencimento, criado pelas campanhas azulinas.
Nas camisas desenhadas pelo clube em 2020 e 2021, o Remo conseguiu colocar em debate questão do movimento da Cabanagem, a revolta popular e social, que ocorreu entre os anos de 1835 e 1840, durante o Império, na então província do Grão-Pará. Com a camisa chamada “O Espírito Guerreiro do Clube do Remo”, o terceiro uniforme, que foi confeccionado na cor vermelha em alusão à bandeira do Pará e o sangue derramado pelo povo, homenageou a Revolução Cabana, além de constar com detalhes marajoaras.
Açaí
Outra forma de trabalhar a Amazônia, foi o lançamento da coleção 2021, usada pelo clube no primeiro semestre. Batizada de “Soberana”, a camisa trouxe o conceito “Amazônia Azul”, uma homenagem às riquezas, recursos naturais, biodiversidade da região Norte, além, de uma folhagem de açaí o meio da camisa, tratado como o fruto sagrado das famílias residentes no Norte do Brasil.
Nova coleção
O Remo mudou de fornecedora de material esportivo, porém manteve a pegada com elementos da região e dessa vez foi além. O clube em parceria com a Volt, lançou uma camisa com detalhes dos rios da Amazônia e tribos indígenas, mas também reciclável. Cada camisa fabricada, oito garrafas pets foram retiradas do meio-ambiente.
“A resposta é interessante, recebemos mensagens diárias de torcedores e sites especializados, que falam do nosso posicionamento de marca tão genuíno. A camisa da Cabanagem foi um sucesso de vendas, vendeu mais que a camisa azul, que é a tradicional. Dentro das nossas pesquisas, o torcedor se identifica com as suas raízes, com a pauta que o clube tem colocado. Ele se sente parte do contexto, se enxerga em um uniforme”, falou, Renan Bezerra.
O papel do Remo na Amazônia
Segundo Renan Bezerra, o poder que a Amazônia possui, não foi deixado de lado na questão financeira. Tudo isso foi levado em consideração, para que o Remo pudesse ter esse engajamento e que pudesse ter sucesso em vendas e atraísse o olhar de outras empresas e ONG’s que lutam pelo bem da Amazônia e de seu povo. O diretor azulino garante que o papel do esporte é forte em todos os sentidos.
“Acreditamos que a função do esporte é transformar a vida das pessoas para melhor, desde atletas, quanto formar cidadãos de caráter. O esporte é essa ferramenta de inclusão, com ele você passa a cumprir regras, ter o espírito de competitividade e esportivo. Isso é feito há mais de 100 anos pelo Remo e hoje, somos o destaque em cenário nacional falando na região amazônica, entendemos que a importância do Remo para o povo é gigante e por isso conseguimos dialogar com qualquer faixa etária, de renda, de escolaridade. Desde o torcedor mais humilde ao mais rico, todos vivem o contexto da Amazônia e eles começam se enxergar no clube”, finalizou.
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