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Fé, bastidores e acesso: Pedro Rocha destaca temporada no Remo e fala sobre o futuro

Jogador deu detalhes sobre ano que marcou a sua melhor temporada em termos de número

Aila Beatriz Inete

Camisa e short de treino, chinelo e um sorriso largo que mal cabia no rosto. Foi assim que Pedro Rocha recebeu a equipe do Núcleo de Esportes de O Liberal para uma entrevista exclusiva, realizada na última quinta-feira (27), na capela do clube, no Estádio Baenão. O atacante azulino, assim como boa parte do elenco, ainda vive, em loop, as emoções do jogo contra o Goiás-GO, que selou o retorno do Remo à elite do futebol brasileiro após 31 anos. No encontro com a reportagem, o atacante tentou traduzir em palavras o sentimento de viver um momento histórico pelo Leão Azul.

"A ficha está caindo aos poucos", declarou o jogador. "Até assimilar tudo, a emoção que foi vai demorar um pouco. Mas eu acho que o mais importante é que o torcedor já sabe, está comemorando até hoje, e eles merecem muito. Para nós, viver aquilo foi algo incrível", contou o atacante.

O sentimento não é para menos. O Remo estava há 31 anos sem disputar a Série A e, há pouco mais de um ano, disputava a Terceira Divisão, ao mesmo tempo em que o atacante estava na elite do Brasileirão, mas sofria com lesões e baixa produtividade.

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A recuperação do atacante foi traçada durante toda a temporada, mas concretizada na partida que selou o acesso. Pedro Rocha marcou um gol e deu as assistências para os dois gols de João Pedro na vitória por 3 a 1 sobre o Goiás-GO. Com a camisa azulina, neste ano, foram 19 gols em 44 partidas, além de nove assistências.

Esses números transformaram 2025 no melhor ano da carreira do atleta. Até então, a sua melhor campanha havia sido no Grêmio, quando o jogador marcou 12 gols em 42 jogos.

"Eu acredito que, se não foi a melhor, foi uma das melhores [temporadas da minha carreira]. Em números, sem dúvida, foi a que fiz mais gols, que eu dei mais assistências, que eu mais joguei. É natural que as coisas aconteçam quando você tem mais jogos, mais minutos. Fico muito feliz por isso. Trabalhei muito, muito para isso, com todos aqui do clube, onde fui muito bem recebido e bem tratado. Consegui performar da forma que eu gostaria. Então, é isso, eu só tenho a agradecer a Deus, a todos que me ajudaram aí nesse processo", avaliou o jogador.

Assim, tanto para o Remo quanto para Pedro, é possível dizer que a temporada de 2025 foi símbolo de redenção após períodos complicados e incertos. O atacante teve um 2024 marcado por lesão, com passagens de pouco destaque pelo Fortaleza-CE e Criciúma-SC. Assim, segundo ele, foi preciso ter paciência e muito trabalho para cativar o torcedor azulino.

"Nas minhas últimas temporadas, eu não tinha feito gols, não tinha jogado tanto. Então, quando eu cheguei, parte da torcida acreditava, mas outra boa parte tinha um pé atrás. Mas eu sempre fiquei muito tranquilo com isso. Eu sabia que precisava trabalhar muito para, de fato, tirar essa desconfiança do torcedor. O meu objetivo era, aos poucos, ir cativando o torcedor com o meu futebol, com gols, ajudando da forma que posso. E acredito que eu consegui, com muito trabalho, com muito suor e luta, retribuir todo o carinho que eu venho recebendo", afirmou.

Para além dos gols marcados, Pedro assumiu uma figura de liderança na equipe durante o campeonato. O jogador falou sobre como foi estar nessa posição pela primeira vez.

"Foi muito importante para mim receber essa responsabilidade boa, de, por meus anos de experiência no futebol, ser um exemplo de liderança para o grupo. Isso também me motivou a exigir mais de mim mesmo, porque um líder precisa dar exemplo", apontou.

Bastidores, fé e glória

A temporada azulina foi marcada por altos e baixos e incertezas que fizeram o sonho do acesso ficar distante. Mas, na reta final, o time se renovou com a chegada de Guto Ferreira e, para Pedro Rocha, a certeza do acesso veio após os jogos decisivos no Baenão.

"Esses jogos que a gente teve aqui, principalmente no Baenão, foram uma coisa que marcou bastante, onde a gente conseguiu embalar com vitórias seguidas que a gente precisava. Acho que esse momento nos deu muita confiança. Com o apoio do torcedor também, que veio junto, que acreditou", ressaltou Pedro.

O acesso azulino veio na última rodada, em um cenário dramático para o time desfalcado, precisando vencer e contar com resultados de outros jogos. Após o jogo frustrante contra o Avaí, o atacante ressaltou que o trabalho mental foi muito importante para equilibrar a equipe.

"No vestiário, a nossa conversa foi para acalmar os ânimos, de tranquilidade, pois sabíamos que tinha um último jogo ainda com grandes possibilidades. Então, o nosso pensamento e o nosso discurso interno foi esse: calma, vamos focar bem essa semana, vamos trabalhar para poder fazer um grande jogo e ganhar a partida", revelou.

A estratégia deu certo. Contra o Esmeraldino, no Mangueirão lotado com mais de 47 mil torcedores, a equipe azulina fez sua parte: venceu. E o resto era destino.

"[Teve] uma hora que parou o jogo para atender alguém e eu fui no banco e perguntei [sobre o jogo do Criciúma], e alguém falou errado que estava 1 a 0 para o Criciúma. Eu falei: 'então não está dando para a gente'. Aí depois entrou o Nathan Camargo, eu perguntei, e ele falou que estava 1 a 0 para o Cuiabá. Aí eu pensei: 'então tá dando'", relembrou Pedro.

"E aí já foi aquela final, eu vi o pessoal do nosso banco gritando, fazendo assim que acabou. Aí que foi caindo a ficha mesmo. Foi uma emoção muito grande. Quando o juiz apitou, foi só alegria", sorriu.

Além de todo o esforço, a campanha azulina foi direcionada por Nossa Senhora de Nazaré. Dentro do Baenão, há uma capela com a imagem da padroeira dos paraenses, que também virou a de Pedro Rocha. Católico, o jogador teve o primeiro contato com a santa quando chegou ao clube, participou da Trasladação, viu o Círio de perto e se apoiou nela para seguir firme rumo ao acesso.

"Foi incrível. Desde quando eu cheguei aqui eu ouvi falar muito da história do Círio, o que ela representa para o povo paraense, e as pessoas não conseguiam me explicar de fato o que era aquilo. E eu vivendo esse ano, você não consegue mesmo explicar. Tenho certeza que ela intercedeu por nós nessa reta final. A partir do momento que a gente começou a entrar com ela nos jogos, foi aí que conseguimos aquela arrancada de vitórias decisivas", contou o jogador, que também fez uma promessa e atravessou o gramado do Mangueirão de joelhos após a confirmação do acesso.

Futuro

Dada a importância de Pedro para o time e o histórico de grandes clubes no currículo, a permanência do atacante é uma das questões para o clube. O presidente do Remo, Antônio Carlos Teixeira, já deixou claro que tem interesse na renovação de contrato, que termina agora em dezembro, e o atacante também demonstrou animação com a possibilidade de disputar a Série A com a equipe, mas ressaltou que ainda não tem nada definido.

"Pelo respeito, carinho, gratidão de tudo que foi, tudo que nós vivemos, que eu vivi aqui esse ano inteiro, sem dúvida há interesse, sim, mas são coisas que a gente não resolve de um dia para o outro, demora, é tudo burocrático, essas questões contratuais. Mas eu tenho certeza que, a qualquer momento, nós vamos conversar e decidir da melhor forma", finalizou Pedro Rocha, que agora vai descansar e curtir a família depois de um ano cheio.