À espera da Copa de 2027, promessas do Remo sonham com futuro no futebol

Atletas das categorias de base do clube acreditam que o Mundial de 2027 pode ampliar a visibilidade e abrir mais oportunidades para o futebol feminino no Pará

O Liberal
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Enquanto o Brasil se prepara para receber a Copa do Mundo Feminina de 2027, meninas do Pará seguem construindo seus próprios caminhos rumo ao futebol profissional. Nas categorias de base do Remo, Ediele Sophia, Jaqueline Pimentel e Alessandra Rosa treinam em busca de seus sonhos, com a expectativa de que o Mundial deixe um legado que seja capaz de transformar a realidade de futuras gerações de atletas.

"A gente está tendo várias competições por meio da Copa [do Mundo], que vai ser aqui. Então, acho que é uma oportunidade muito boa para as pessoas verem o futebol daqui de Belém. Para crescer mais, porque é muito desvalorizado, o que é uma coisa muito triste. Porque tem vários talentos, muitos talentos escondidos aqui dentro. E eu acho que isso é uma possibilidade de evoluir mais", declarou Ediele Sophia.

Meia-campista, Sophia foi artilheira do Remo na Copa Pará Feminina Sub-15. Ela começou a jogar futebol quando tinha quatro anos. Natural de Santa Izabel, a jovem promessa conta que sempre teve o apoio dos pais, que a acompanham nas competições e sonham com ela. 

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Assim como ela, a volante Alessandra, de 16 anos, começou a praticar o esporte muito nova, chegou a fazer escolinha em São Paulo e também concorda com a colega de time. Ela acredita e espera que a Copa do Mundo no Brasil possa dar mais visibilidade à modalidade.

"Acho que com a Copa do Mundo, o futebol feminino vai ter mais visibilidade. Acho que a gente vai poder descobrir muitos talentos também", completou a jogadora.

image Jogadores disputam no Sub-15 do Remo (Ivan Duarte / O Liberal)

Já para o preparador físico das categorias de base do Remo, Renan Felizardo, além da visibilidade, a realização da Copa no Brasil também ajudará a reduzir o preconceito em torno da modalidade.

"Quando você começa a trabalhar com o futebol feminino, você verifica que às vezes existe um preconceito ainda porque você quer comparar o futebol masculino com o feminino, e não pode existir essa comparação. A fisiologia é diferente, a força, mas elas trabalham, elas também treinam. E, quando você vai ver cada vez mais de perto, percebe o quanto é apaixonante. E, com a Copa do Mundo, eu tenho certeza de que vai mudar muito a concepção das pessoas", ressaltou.

image Renan trabalha com as meninas na base (Ivan Duarte / O Liberal)

Esforços e atenção

No feminino, o Remo trabalha com três categorias de base, além da equipe profissional. Segundo o clube, as atletas contam com uma equipe multidisciplinar e têm acesso a nutricionista, preparador físico, psicólogo, academia e ajuda de custo para viagens e alimentação. O principal objetivo é potencializar a formação dessas jogadoras para que evoluam e possam, no futuro, chegar ao profissional.

"Todo processo de conversa é um processo de entender como a atleta funciona, verificar a posição, como a atleta vai reagir naquela posição. Às vezes, ela tem talento para outra posição. A alimentação, a suplementação, verificar o que a atleta consegue treinar, verificar se a atleta tem lesão ou não. Então, a gente faz toda uma análise, avaliação física e tem todo um acompanhamento para dar esse suporte para nossas atletas", declarou o preparador físico.

Para Jaqueline Pimentel, além do sonho de chegar ao futebol profissional, viver o dia a dia nas categorias de base já representa uma experiência transformadora.

"É uma experiência que a gente não consegue explicar. Eu já tinha vivido isso antes em outros clubes, mas é uma experiência que é surreal", contou.

Além do acompanhamento diário, o clube também aposta na melhoria da estrutura física. O Centro de Treinamento do Remo está saindo do papel após anos de promessas. A expectativa é que, com o espaço, a base se fortaleça ainda mais. Além disso, o projeto azulino prevê alojamentos para os atletas, já que muitos não são de Belém e precisam ficar na casa de amigos ou familiares durante os períodos de treinamento.

Áurea Diniz, diretora da Mulher do Remo, destaca que, apesar dos esforços, ainda é preciso fazer mais, com investimentos, remuneração adequada e atenção às equipes femininas, não só do Pará, mas de todo o Brasil.

"Na verdade, a gente conseguiu fazer com que as mulheres sejam mais vistas hoje em dia, tanto dentro do clube quanto fora. Então, a gente trabalha para conseguir isso cada vez mais. A gente precisa que as meninas tenham mais reconhecimento. Nós lutamos para que elas tenham mais estrutura, não só aqui no Clube do Remo, como em outros clubes. O futebol feminino ainda precisa evoluir muito, mas eu tenho certeza de que, hoje em dia, a gente tem vários grupos em que vai batalhando para que elas consigam o melhor", apontou a diretora.

image Aurea destaca que ainda precisa de mais investimentos (Ivan Duarte / O Liberal)

Enquanto investimentos maiores e mais reconhecimento ainda são desafios, Ediele, Jaqueline e Alessandra seguem fazendo o que cabe a elas: treinam, competem e sonham. Afinal, antes de uma Copa do Mundo inspirar uma geração, ela alimenta o sonho de meninas que acreditam que um dia também poderão vestir a camisa da Seleção Brasileira, como Marta, Formiga, Kerolin e tantas outras.

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