Da vida como pedreiro à titularidade na Série C: conheça a história do zagueiro do Paysandu

Com 26 anos, o jogador voltou a ser titular no time bicolor. Ele concedeu entrevista para OLiberal.com para falar da carreira, expectativas e outros assuntos

Nilson Cortinhas
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No meio do futebol paraense, ninguém conhece Auricélio Soares dos Santos. O apelido Perema, porém, é destacado. Não é a singularidade do seu apelido (em homenagem a um bairro de Santarém) que impressiona em um bate-papo de uma hora no apartamento em que vive ao lado da sua esposa, Erika Vinhote, do filho Guilherme e do bebê que está a caminho (Erika está grávida: tem duas semanas de gestação). 

A história de vida do zagueiro do Paysandu, de 26 anos, é admirável. Revelado no São Francisco de Santarém, Perema já havia tentado a sorte na Portuguesa de São Paulo e no Águia de Marabá. Não teve êxito, contudo. Como o São Francisco não tinha calendário para toda a temporada, Auricélio carregava tijolo e auxiliava pedreiros em obras de Santarém. A essa altura, não se sabia se o jogador 'fazia bico' como ajudante de pedreiro. Ou se o ajudante de pedreiro 'fazia bico' como jogador... 

image Perema é um dos poucos remanescentes do plantel 2018 (Fernando Torres/Ascom Paysandu)

Não desistiu do futebol até que o ano de 2016 reservaria surpresas tanto positivas quanto negativas. Na temporada, ele fez parte de um São Francisco histórico que acabaria vice-campeão paraense. O campeão, o Paysandu, sondou e propôs um contrato de quatro meses para Perema. O tempo curto do vínculo gerava incerteza, que se tornou negativa quando o irmão José Everton faleceu em um acidente de trânsito. "Ele era a minha referência. Fiquei sem chão. Foi difícil. Não queria vim para Belém depois disso", afirmou. 

Perema não se tornaria atleta do Paysandu caso a mulher Erika não intervisse. "Eu pensei muito no nosso futuro. E incentivei ele a vim para o Paysandu. Ele topou", diz Erika, emocionada, com a certeza de ter feito a aposta certa. Desde então, Perema já renovou contrato duas vezes com o Papão e está na terceira temporada com a camisa bicolor. 

E assim como a vida, o meio do futebol proporciona uma eterna gangorra, de altos e baixos. Campeão paraense de 2017, campeão da Copa Verde de 2018, o zagueiro impressionou pela técnica, bom posicionamento e força oriunda de 1,85m e 87 quilos. Uma derrota e os momentos difíceis pesam. Em 2019, meses após lidar com o rebaixamento à Série C, Perema iniciou o ano como titular. Perdeu a posição e pouco jogou no Campeonato Paraense. "Fiquei chateado. O jogador não pode se acostumar. Treinava no time de cima...", lembra.

image A fé acompanha Perema na carreira e na vida (Fábio Costa / O Liberal)

Perema também se lesionou e ficou fora quase um mês. Quando voltou, encarou o seu ex-clube, Águia, em Marabá, com o seu contrato em reta final. Foi bem e renovou até outubro desse ano. Ele sabe que precisa jogar e obter conquistas para continuar no clube do coração. "Torcia para o Paysandu e Corinthians quando criança", relembra. "É aquilo: você só é lembrado quando está sendo visto, ou seja, jogando", diz o defensor. 

Ainda assim, seguia entre os reservas da equipe. Em junho, a gangorra passou a tender para o lado positivo. O treinador Hélio dos Anjos chegou e o colocou como titular ao lado de Micael. Foi seguro contra o Atlético-AC, Luverdense-MT e teve uma atuação de gala contra o Clube do Remo. Satisfeito, Hélio dos Anjos o comparou ao lendário zagueiro Belterra, que também é de Santarém. "Eu gostei, claro. Mas sei que no futebol precisamos provar a cada dia. É aquele negócio: assimilamos e está tudo bem agora".

O estilo de Hélio dos Anjos tem tudo para casar com o de Perema. "O Léo Condé (ex-treinador do Paysandu) queria que tocássemos mais a bola. O Hélio até deixa que a gente carregue a bola e dê o passe". Nesses tempos de Paysandu, seu melhor companheiro de zaga foi Gilvan, hoje no Atlético Goianiense. "Passamos de sete e oito rodadas sem tomar gol numa Série B". E, agora, planeja o acesso à Série B. "Nosso time é bom. Pensamos nisso e queremos subir. Vamos continuar treinando, com força e humildade", diz.  

A família de Perema, cujos nomes do pai, mãe e irmão estão tatuados nos braços, o incentivam a pensar nos próximos passos. "Por tudo que vivi, me pego pensando que jogo num grande clube, tenho carro, crio a minha família e consigo, passo a passo, construir a minha casa em Santarém. Me sinto feliz e conquistei algumas coisas. Preciso continuar. E penso sempre no futuro". A ambição, embora tímida, própria de quem é humilde, pode levá-lo a grandes passos. "No Paysandu, já vivi mais bons momentos do que ruins. E quero continuar assim".     

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