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Paysandu 'supera' crise, conquista título, classifica na CB e abre esperança à torcida

O jornalista Carlos Ferreira faz um balanço dos três primeiros meses do Paysandu na temporada 2026, que tinha tudo pra ser 'terra arrasada', mas se tornou um ano de esperança ao torcedor

Fábio Will

A temporada de 2026 ainda está no início, mas o Paysandu já vive uma mudança significativa em relação ao cenário recente. Após um 2025 marcado por rebaixamento à Série C, salários atrasados e ações trabalhistas de jogadores, além de um começo de ano com renúncia de presidente e processo de recuperação judicial, o clube iniciou o ano cercado de incertezas.

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O contexto de instabilidade gerou desconfiança entre os torcedores, que viam com cautela as perspectivas para a temporada. No entanto, em poucos meses, o cenário passou por uma reviravolta. O Paysandu conquistou o título estadual diante do maior rival, mesmo com orçamento inferior, e avançou à 5ª fase da Copa do Brasil, garantindo receitas importantes. O que era visto como um ano de “terra arrasada” e sem muitas expectativas, ganhou contornos de esperança para a torcida alviceleste.

Planejamento e mudanças explicam reação do Paysandu

Segundo o jornalista e comentarista do Grupo Liberal, Carlos Ferreira, a principal diferença entre as temporadas está na forma como o clube conduziu o início do trabalho.

“O Paysandu deste ano é o extremo oposto do Paysandu do ano passado. Quando estava com fôlego financeiro, fez contratações internacionais e não realizou pré-temporada adequada. O clube começou a trabalhar no dia 4 de janeiro e poucos dias depois já estava em campo. Foi tudo feito de forma equivocada”, avaliou.

De acordo com ele, a limitação financeira em 2026 levou o clube a adotar decisões mais coerentes. “Sem dinheiro, o Paysandu buscou soluções mais ajustadas à sua realidade”, afirmou.

Aposta na base e contratações pontuais fortalecem elenco

Ferreira também destacou o papel da diretoria nas escolhas para a temporada, incluindo a contratação de profissionais e o aproveitamento de jovens atletas.

“O clube foi coerente na contratação do Marcelo Sant’Ana e, a partir dele, acertou nas escolhas do técnico Júnior Rocha e dos jogadores Marcinho, Ítalo e Castro. Além disso, investiu na garotada, o que acabou sendo uma oportunidade criada pelas circunstâncias”, explicou.

Segundo o comentarista, a pré-temporada mais longa e a preparação física adequada contribuíram para o desempenho do elenco.

“O Paysandu fez cerca de 40 dias de preparação. Os jovens vinham de uma boa campanha na Copa do Brasil sub-20 e passaram por um trabalho de fortalecimento físico. Entraram em campo com intensidade e motivação, aproveitando a oportunidade”, disse.

Ele também ressaltou o ambiente interno do clube. “Houve uma grande cumplicidade entre elenco e direção, com compromisso no pagamento em dia e confiança mútua. Isso foi fundamental para os resultados”, falou.

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Desempenho desperta interesse de outros clubes

O bom momento do Paysandu também tem gerado assédio a jogadores e membros da comissão técnica, especialmente após a classificação diante da Portuguesa-SP, pela Copa do Brasil.

“O clube chamou atenção, e agora seus profissionais estão sendo procurados. O preparador físico já saiu, Júnior Rocha tem interesse do Vila Nova-GO, e jogadores como Pedro Henrique e Marcinho recebem sondagens”, afirmou.

Ferreira destacou que a disputa da Série C pode dificultar a permanência desses profissionais. “A vitrine do Paysandu hoje é a Série C, enquanto surgem propostas de equipes da Série B e até do exterior”, completou.

Da desconfiança à esperança na temporada

Apesar dos desafios, o comentarista avalia que o clube já alcançou um resultado significativo ao mudar o ambiente interno e a percepção externa.

“Há uma vitória nisso tudo. O Paysandu saiu de uma condição de descrença para um cenário de empolgação e esperança. Independentemente do que acontecer, o clube tem condições de se recompor e buscar uma boa campanha na Série C e uma participação digna na sequência da Copa do Brasil”, concluiu.