Paraense de 15 anos vira exemplo de vida no judô paralímpico

Victoria Emily é um dos principais nomes do judô paralímpico paraense

Braz Chucre

Não basta apenas dedicação e perseverança para um atleta conquistar um espaço na área esportiva, principalmente quando é especial, convivendo sob condições adversas. Superar seu próprio limite, descobrindo novos valores é desafio do dia a dia de Victoria Emily, deficiente visual que busca no judô paralímpico força e determinação para ter uma vida social equilibrada.

A vida

Victoria, não tem visão desde o momento que veio mundo há quinze anos de forma prematura. Filha única de Adna Batista Vale, 38 anos, é uma jovem que irradia alegria na modesta casa de chão batido numa das ruas do populoso bairro da Cabanagem, um dos carentes em saneamento básico. Se chover, fica ilhada, sem poder sair para ir à escola ou mesmo aos treinos.  

Victoria com a família e as medalhas (Cláudio Pinheiro / O Liberal)

Emily não seria diferente dos demais deficientes visuais, senão fosse pela atividade desportiva que desenvolve como judoca. Uma terapia esportiva e social que lhe permite ver o mundo ao seu modo. Nada na vida dela tem sinônimo de tristeza. Adora uma música, curte bem celular (adaptado). "É uma menina bem alegre", aponta dona Ângela, 60 anos, avó.

Escola e esporte

Aos 15 anos completados em janeiro cursa o primeiro ano do ensino médio, faz aulas de adaptação na Escola Aluísio de Azevedo e tem como sonha ser profissional de educação física com especialidade em desportos de inclusão social.  

Classificada na categoria B (cegos totais ou com percepção de luz, mas sem reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância), a jovem pratica arte marcial desde os cinco anos. O judô veio com uma luva à vida da atleta.

Começou  com a professora de educação física Ana Carolina, hoje radicada em São Paulo. Vendo o interesse da menina na prática da arte marcial ela a indicou ao projeto Dorinha, conceituado projeto da Asfam que trabalha com crianças carentes e deficientes sem fins lucrativos.

Em dez anos como atleta de judô paralímpico e regular Emily coleciona títulos, medalhas e troféus. Mais recente, foi o torneio na cidade de Bragança. Foi campeã. Ela ainda é  tetracampeã do Grand Prix Infraero, bicampeã brasileira da paralimpíadas escolares. "Como temos poucas competições paralímpicas em Belém, nós a colocamos nas competições regulares e já foi campeã paraense regular. No ano de 2016 foi escolhida pela Fepaju a melhor judoca juvenil", diz Reinaldo da Costa, treinador. 

O judô funciona como uma janela para nova vida para Victoria (Claudio Pinheiro / O Liberal)

Foco

Jogos Paralímpicos Escolares de 2019 será em novembro em São Paulo e dá vaga aos Jogos Mundiais Paralímpicos de Jovens de 2020 nos Estados Unidos. Emily está focada na competição nacional para garantir presença na competição internacional. Ela treina três vezes na semana. Aliás, devido uma virose não treinou, mas não faltou às aulas.

Victoria Emily tem uma bolsa atleta com a qual serve para o sustento com sua alimentação, estudos e roupas e também na despesa da casa em que reside com sua genitora. A Asfam, por meio da diretora Ana Cecília, presta ajuda à jovem doando cestas básicas.

Reinaldo da Costa lamenta que a Seel não tem programa de apoio aos atletas deficientes, mas acredita numa mudanças de critérios da secretaria. " É um erro, mas vamos torcer para mudar", aponta.  

Independente  

Ela não sai de casa sem o amparo da avó, mãe e tia que se revezam no seu acompanhamento ao colégio, médico e academia, contudo quer andar sozinha com ajuda do bastão. " Não achamos certo, pois aqui temos ruas esburacadas e com muitas valas. É preciso ter uma companhia sempre com ela ", diz Ângela, avó, que cuida da neta com maior mimo. " É nossa joia. Em casa, quando não é eu, é sua mãe ou a tia (Ariadna) que cuida dela", diz.

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