Entre o tatame improvisado na garagem de casa e as grandes competições do judô, Geraldo Costa, o Geraldo Sucuri, divide a rotina entre duas missões: formar atletas e continuar escrevendo a própria história no esporte. Aos 14 anos de faixa-preta e de volta ao alto rendimento há cerca de dois anos, o judoca paraense viveu recentemente uma das melhores fases da carreira, com o título sul-americano e o vice-campeonato brasileiro na categoria pesado M1.
As conquistas são resultado de uma preparação que, segundo o próprio atleta, começou muito antes de entrar no tatame. No Sul-Americano, Geraldo encontrou logo na primeira luta um adversário brasileiro que já o havia derrotado anteriormente. O rival havia acabado de voltar do Japão, o que aumentava o tamanho do desafio.
A resposta veio no tatame. Geraldo venceu por ippon e avançou à semifinal, onde repetiu o resultado. Na decisão, novamente terminou a luta com ippon e garantiu o título.
"Então, ganhei todas as lutas de ippon no Sul-Americano. Treinei muito, muito para isso e vim num embalo já para o Brasileiro."
A conquista também colocou o paraense em posição de destaque no ranking. Atualmente, ele lidera a classificação nacional e a sul-americana da categoria pesado M1. No Brasileiro, mesmo tendo passado mal no dia do embarque, decidiu competir e terminou com a medalha de prata.
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"Foram lutas duríssimas. Peguei adversários aí, a primeira luta foi um cara de São Paulo, um japonês forte para caramba, então eu tinha que dar logo o meu melhor e progredir até a final e, infelizmente, pegando um ippon ali, perdendo a luta."
A derrota, porém, não diminuiu a confiança para o próximo desafio. Geraldo se prepara agora para o Campeonato Mundial, na Bósnia e Herzegovina. No ano passado, terminou a competição na quinta colocação e, desta vez, mira o lugar mais alto do pódio.
"Eu vou para ganhar ouro, mas nós sabemos também que tem uns adversários fortes. No ano passado eu fiquei em quinto lugar nesse Campeonato Mundial."
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Do projeto social ao alto rendimento
A história de Geraldo com o judô também passa por um projeto social. Ainda criança, ele teve contato com uma iniciativa que lhe abriu as portas para o esporte. Foi ali que recebeu um quimono, encontrou acolhimento e começou a construir o caminho que o levaria ao alto rendimento.
Anos depois, a trajetória se transformou em compromisso. Hoje, Geraldo está à frente do projeto Judô sem Fronteiras, que atende cerca de 120 crianças e adolescentes de comunidades da região de Icoaraci. Os treinamentos acontecem em diferentes espaços, entre eles a Igreja Betel, o IFPA e a Escola Gabriel Lima.
A estrutura, porém, ainda está longe da ideal. O projeto funciona com apoio de parceiros, doações e esforço dos próprios responsáveis. A falta de patrocínio é apontada como uma das principais dificuldades para ampliar o trabalho e levar mais atletas para competições.
"Eu vim de um projeto social também. Fui conhecer o projeto social, e lá me deram um kimono, me acolheram e hoje eu cheguei a voos bem grandes, voos bem altos, graças ao projeto social que eu participei no passado e hoje em dia eu posso abrir essas portas para outras crianças, para outros jovens, outros adolescentes que têm mudado a sua vida através do esporte."

Na rotina, Geraldo conta com uma equipe que ajuda a manter o projeto funcionando. A esposa, Daniele, é responsável pela organização e pela estrutura, enquanto o professor Elias de Oliveira o acompanha na parte técnica e nas competições.
Enquanto prepara os alunos para as próximas competições, Geraldo também segue perseguindo objetivos pessoais. A experiência acumulada no alto rendimento trouxe novas oportunidades profissionais e acadêmicas, mas o próximo grande sonho está definido: conquistar o mundo. "O próximo passo agora, cara, é ser campeão mundial, em nome de Jesus."