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Funerária, lava-jato, pelada; ex-Remo e ex-Paysandu relatam dificuldades de viver do futebol no Pará

A média dos salários pagos aos jogadores na região Norte é de R$1.200

Fabio Will / O Liberal

O futebol é o sonho de muitos jovens, mas viver do esporte é para poucos. É o que aponta a pesquisa feita pela plataforma Cupom Válido, onde fica exposto e desmitifica aquele pensamento de que jogador de futebol vive bem e ganha milhões no Brasil, país com maior títulos mundiais no esporte. A pesquisa revela que 55% dos jogadores que atuam no Brasil recebem um salário mínimo.

O estudo aponta ainda que o futebol da região Norte é um dos que menos paga, com a média salarial de R$1.200, ficando atrás apenas do Nordeste que é de R$1 mil. No Brasil existem 360 mil atletas de futebol registrados, sendo apenas 25% são ditos profissionais. Desse número, 33% recebem um salário entre R$1.001 e R$5 mil e 12% recebem um valor acima de R$5 mil.

Treinos, jogos e trabalho na funerária

No Pará não foi difícil encontrar jogadores e ex-atletas que passam dificuldades e possuem uma outra profissão para complementar a renda familiar. O ex-zagueiro Alex Barconte, de 34 anos chegou a jogar pelo Sub-20 do Paysandu, rodou pela Segundinha, defendeu também a Tuna, Sport Belém e o Penarol-AM, mas se dividia entre os treinos e seu trabalho em uma funerária em Icoaraci, na grande Belém.

Renda extra / Jogadores

 

“Possuo uma família e tenho responsabilidades. Disputar uma Segundinha para pegar R$1.200 por dois ou três meses não existe. Eu trabalho de carteira assinada, minha patroa me liberava para jogar sem descontar nada do meu salário, ela sabia que o futebol me fazia feliz e por isso me liberava, mas não quis mais. Infelizmente é desumano o que pagam aos jogadores aqui no Pará”, disse.

Jogar pelada

Pai de dois filhos, Alex se diz frustrado por não ter seguido no futebol, porém revela uma prática comum entre atletas, que segundo ele, prejudica o futebol profissional, que é jogar “pelada”.

“Eu tenho que levar o sustento para a minha família, viver de futebol é impossível no Pará, bate uma frustração não seguir com o sonho, mas tive que fazer uma escolha. Hoje jogo pelada, muitos atletas fazem isso, pois na Segundinha poucos conseguem um ‘pacote’ de R$1.200, R$2 mil, a maioria recebe por jogo R$30, R$40, mas já joguei em clube só dava o vale transporte. Na pelada é diferente, pois pagam R$200, R$300 por partida. Por isso que muitos jogam, a necessidade leva o jogador profissional que atua em times pequenos a jogar pelada”, frisou.

Alex largou a profissão de jogador em 2019 (Arquivo pessoal)

Ex-Paysandu

O jogador Billy, de 31 anos, que estava disputando o Parazão 2021 pelo Carajás, também revela dificuldades. O atleta é cria das categorias de base do Paysandu e explicou que salários menores e atrasos no pagamento não é algo só de clube pequeno.

“É difícil viver de futebol, principalmente aqui no Pará. Os clubes valorizam demais quem vem de fora, temos que mostrar sempre algo a mais para ser lembrado. No Paysandu em 2011 tinha acabado de subir da base, não tinha um salário alto e ainda fiquei três meses sem receber. Graças a Deus tenho uma família estruturada, que me acolhe, mas tenho filho e hoje fiz um investimento com o que ganhei no Carajás e tenho uma renda extra, pois estou parado e sem clube, apenas mantendo a forma física em uma academia, além de jogar pelada, onde eu consigo ganhar alguma coisa”, disse.

Billy é cria da base do Paysandu (Marcelo Seabra / Arquivo O Liberal)

Desvalorização 

Billy mora em Ananindeua (PA), no bairro das Águas Lindas, na região metropolitana de Belém e reconhece que a prática do futebol pelada acaba desvalorizando o futebol profissional.

“Não tem como pedir para um jogador que não possui uma estabilidade financeira parar de jogar pelada. Os times de pelada pagam muito bem, R$250, R$300 por jogo no final de semana. Eu faço isso quando não estou jogando profissionalmente, mas é comum os atletas estarem em peladas no fim de semana, principalmente quem joga a Segundinha”, falou.

Ex-Remo

Rodado pelo futebol paraense e também do Nordeste, o zagueiro Martony, que já foi campeão paraense pelo Remo, também vive momentos difíceis. O jogador está sem clube e decidiu montar um lava-jato de veículos para manter as despesas da casa com a família na cidade de Castanhal (PA).

“Jogar futebol é o que mais amo fazer nessa vida, foi um sonho me tornar jogador profissional, mas a realidade é dura e poucos sabem, só quem vive no meio do esporte e seus familiares entendem isso. Ganhamos muito pouco, somos desvalorizados, muitos possuem outra profissão. Desde o ano passado decidi junto com meu cunhado e minha mãe ter outra fonte de renda e é o que realmente está dando para segurar a barra em casa”, afirmou.

Zagueiro Martony foi campeão paraense com o Remo em 2018 (Fábio Will / O Liberal)

Nova fonte de renda 

Com as economias o lava-jato que fica no Conjunto Caetano de Souza, no bairro Caiçara, em Castanhal vem sendo a principal fonte de renda. O jogador lamenta a situação dos atletas no Brasil e afirma que é quase impossível ficar sem jogar pelada.

“A pandemia só veio agravar a situação, se antes pagavam R$4 mil para um jogador, hoje os clubes querem pagar R$1.500. Não compensa ficar longe da família para receber esse valor. Lamentável a situação dos atletas, que precisa correr para o futebol pelada para sobreviver. Os times pagam muito bem, pagam uma conta de luz, água, uma despesa de mês no supermercado. Muitos só sabem jogar futebol na vida, não julgo quem atua em pelada, pois já tive que recorrer aos campeonatos de bairros em Belém para ajudar em casa”, falou.

 

Números

Alguns dados revelados pela pesquisa apontam o país possui mais de 7 mil clubes registrados na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e 874 clubes profissionais ativos. A maioria desses clubes são da região Sudeste, que também paga melhor, com a média salarial de R$15 mil. Os dados da pesquisa  são baseados na CLT, não sendo consideradas os direitos de imagens, que podem corresponder até 40% dos salários.

Futebol
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