Superior, Paysandu vence o Remo no jogo de ida na final do Parazão
Papão sufocou o Leão principalmente no primeiro tempo. Após a derrota, o Leão demitiu o treinador Juan Carlos Osorio
O Paysandu saiu em vantagem na final do Parazão ao vencer o primeiro jogo por 2 a 1, neste domingo, no Mangueirão. Superior durante boa parte da partida, especialmente no primeiro tempo, o time bicolor impôs seu ritmo desde o início e construiu o resultado com autoridade diante do Remo. Mesmo enfrentando um adversário apontado como favorito — por disputar a Série A do Campeonato Brasileiro e contar com elenco mais caro —, o Paysandu mostrou competitividade, organização e intensidade, contrariando os prognósticos mais uma vez. A vitória reforçou a máxima do futebol de que, dentro das quatro linhas, são 11 contra 11. A decisão do título estadual ficará para o jogo da volta, marcado para o próximo domingo (8), novamente no Mangueirão. Após a partida, o Clube do Remo anunciou a demissão do treinador Juan Carlos Osorio.
1º Tempo
Logo no começo da partida, o Papão deixou clara a proposta: pressionar a saída de bola do Remo ainda no campo defensivo. A estratégia, semelhante à utilizada no clássico da primeira fase, surtiu efeito imediato. Em menos de dois minutos, o time bicolor já havia criado duas chances claras, obrigando Rangel e a defesa azulina a trabalharem. A intensidade inicial contrastou com o ritmo do Remo, que esteve completamente apático e teve dificuldade para encontrar espaços e se organizar com a bola durante todo o tempo.
O amasso bicolor surtiu efeito logo aos seis minutos, após erro de João Lucas na saída remista. Marcinho recuperou a bola na intermediária e atravessou para Caio Mello, que finalizou de fora da área, com precisão, no cantinho, abrindo o placar. Mesmo em vantagem, o Paysandu manteve a postura agressiva, encurtando os espaços e impedindo que o Leão avançasse com passes trabalhados. O time de Osorio, acostumado a sair jogando, recorreu em diversos momentos à ligação direta, sem conseguir transformar isso em presença ofensiva. João Pedro quase não tocava na bola.
A equipe azulina até tentou equilibrar as ações com uma pressão mais alta, mas seguiu inofensiva. A posse de bola não se converteu em chances claras, e seus principais jogadores, como Vitor Bueno e o camisa 33 Diego Hernández, foram completamente neutralizados pela defesa bicolor. O segundo gol veio aos 32 minutos, novamente com Marcinho, que participou da construção da jogada e apareceu na área para finalizar, confirmando a superioridade absoluta em campo.
Até o apito final do primeiro tempo, o cenário pouco mudou. O Paysandu continuou mais próximo de ampliar, enquanto o Remo encerrou os 45 minutos iniciais com apenas uma finalização na direção do gol.
Marcinho dominou meio-campo bicolor (Thiago Gomes/O Liberal)
2º Tempo
Na etapa complementar o roteiro mudou em relação aos 45 minutos iniciais. O Paysandu tentou sustentar o ritmo intenso do começo da partida, mas sentiu fisicamente o jogo, enquanto o Remo conseguiu equilibrar as ações. O confronto ficou mais dividido, sem um domínio claro, até que uma penalidade recolocou o Leão no jogo e manteve a decisão aberta para o duelo de volta.
O Remo voltou do intervalo com três mudanças (Leo Picco, Nico Ferreira e Marcelinho entraram), sinal claro de insatisfação de Osorio com o desempenho do primeiro tempo. A equipe mostrou outra postura logo nos primeiros minutos, adiantou suas linhas e passou a frequentar mais o campo ofensivo. Antes dos cinco minutos, criou duas boas oportunidades, uma em chute de média distância e outra em finalização dentro da área, tentando reduzir a vantagem para levar um cenário mais favorável ao segundo clássico.
O Paysandu, por sua vez, optou por baixar um pouco o bloco e administrar o jogo, sempre articulando boas jogadas principalmente com Marcinho, o melhor jogador em campo. Deu mais a bola ao adversário, apostando nos erros do Remo e em saídas rápidas. Mesmo com menor posse, seguiu perigoso em transições com Kauã Hinkel e Ítalo, e aproveitou falhas na saída do Leão, esfriando o ritmo da partida e fazendo o relógio correr.
Com mais posse, mas ainda sem grande efetividade, o Remo seguiu insistindo até ser premiado. Aos 28 minutos, Alef Manga entrou na área e finalizou, a bola tocou no braço de Facundo Bonifazi, pênalti marcado de imediato pelo árbitro Ramon Abiati. João Pedro cobrou, Gabriel Mesquita chegou a tocar na bola, que ainda bateu na trave antes de entrar, diminuindo o placar e incendiando de vez o jogo.
O gol deu novo fôlego ao Remo, que cresceu nos minutos finais e passou a pressionar em busca do empate. Nico Ferreira ainda teve boa chance dentro da área, mas parou no goleiro bicolor. Vitor Bueno chegou a pedir outro penalti após ser tocado dentro da área aos 44, e nos acréscimos Alef manga perdeu uma chance incrível de empatar. Apesar da tentativa final, o placar não voltou a se alterar, e a partida terminou em 2 a 1, deixando a decisão em aberto para o segundo jogo, no próximo domingo.
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