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Operário-PR aciona o Cade para tentar recomprar direitos e amplia crise na FFU; entenda

Remo e Paysandu, apesar de não fazerem parte da liga, monitoram o caso.

Caio Maia

A crise envolvendo a Futebol Forte União (FFU), que reúne 33 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro para negociar direitos de transmissão e comerciais, ganhou um novo capítulo esta semana. O Operário-PR protocolou uma petição no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O pedido busca representação legal própria no processo que discute a governança da liga e a atuação da Sports Media Entertainment (SME), a empresa que investe no grupo.

O movimento ocorre em meio ao aumento da insatisfação de parte dos clubes com o modelo de gestão da FFU. Em junho, o Operário notificou a SME e o Condomínio Forte União (CFU), entidade que representa os clubes da liga, manifestando interesse em recomprar os direitos econômicos cedidos à empresa. Segundo o clube paranaense, houve o compromisso de devolver os valores recebidos no acordo, mas não houve resposta ao pedido.

Embora Remo e Paysandu não integrem a entidade, já que ambos fazem parte da Libra, bloco concorrente nas negociações comerciais do Brasileirão, o caso é acompanhado de perto pelo mercado do futebol brasileiro por envolver o modelo de organização das ligas nacionais. Caso haja a dissolução da FFU e a criação da uma liga única, os clubes do Pará farão parte da nova organização. 

Diante da pressão crescente, a FFU convocou uma assembleia para esta quinta-feira (9), na sede da Federação Paulista de Futebol, em São Paulo. A reunião discutirá mudanças na governança do condomínio e na relação contratual com a Sports Media Entertainment, em uma tentativa de reduzir o desgaste entre os associados.

A iniciativa acontece poucos dias depois de a Superintendência-Geral do Cade conceder uma medida preventiva determinando que a Sports Media Entertainment se abstenha de criar obstáculos para a saída de clubes da FFU ou para a adesão dessas equipes a estruturas concorrentes. A decisão foi tomada após representação apresentada pelo CSA-AL, que questiona cláusulas do contrato firmado entre a investidora e os clubes.

O ambiente de instabilidade, no entanto, já vinha se desenhando desde o início do ano. Em fevereiro, 18 clubes da Série B divulgaram um manifesto cobrando maior transparência na governança da FFU, criticando a distribuição das receitas, a falta de previsibilidade orçamentária e apontando possíveis conflitos de interesse envolvendo empresas ligadas à estrutura comercial da liga.

Além do questionamento administrativo no Cade, a crise também ganhou contornos políticos e jurídicos. Cuiabá, Vila Nova e Atlético-GO encomendaram parecer jurídico favorável à decisão do órgão antitruste, enquanto o deputado federal Luciano Amaral (PSD-AL) apresentou representação ao Ministério Público Federal pedindo a investigação de dirigentes ligados à Sports Media Entertainment e à Life Capital Partners.