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Ex-Remo e Fluminense, Paulo Victor relembra Copa de 86 com a Seleção: 'Tinha um grupo unido'

O ex-goleiro foi um dos três paraenses a defender o Brasil em mundiais da Fifa.

Junior Cunha | Especial para O Liberal

"O ambiente naquela equipe era muito bom", relembra o ex-goleiro Paulo Victor, um dos três paraenses a vestir a camisa da Seleção Brasileira em Copa do Mundo. Em 1986, na equipe comandada por Telê Santana, Paulo foi reserva imediato de Carlos Gallo no Mundial disputado no México. 

"A gente tinha um grupo coeso, unido em conquistar a Copa do Mundo. Naquele momento era o que mais queríamos. Mas infelizmente foi uma geração que não conseguiu ganhar. Perdemos em 82 e 86. Mas tínhamos tudo para ser campeão. Mas no futebol acontece isso", relembrou em conversa exclusiva com o Núcleo de Esportes de O Liberal. 

Nascido em Belém, Paulo Victor construiu vida e carreira longe da capital paraense. Logo cedo, ele deixou a cidade para morar em Brasília, fato que o faz se autodeclarar "candango e brasiliense de vivência". 

Apesar da "dupla naturalidade", Paulo Victor exalta o fato de ter sido um dos poucos paraenses a defender a Seleção Brasileira em uma edição de Copa do Mundo. Além dele, apenas Giovanni, o "Messias", e Sócrates ostentam isso no currículo. 

"Fico feliz por ter sido um dos paraenses que disputou a Copa do Mundo vestindo a camisa da Seleção Brasileira. Foram poucos. Eu e Sócrates em 1986".

Para 2026, Paulo Victor garante estar com a expectativa alta para a Copa do Mundo. Na avaliação dele, o que vai determinar a que será a trajetória brasileira no torneio é a estreia contra o Marrocos, marcado para o dia 13 de junho em Nova Jersey, nos Estados Unidos. 

"Como bom brasileiro e torcedor, a perspectiva é maravilhosa. Com o aumento para 48 seleções, ficou muito fechado. Vamos ter mais de 100 jogos, com algumas seleções inexpressivas. Mas temos condições que, se começar bem diante do Marrocos, podemos chegar bem até a final. O importante é começar bem", avaliou.

Além da seleção marroquina, o Brasil ainda terá na primeira fase os confrontos contra Haiti, no dia 19 de junho na Filadélfia, e Escócia, fechando o Grupo C no dia 24 de junho em Miami.

"Imprescindível"

Em relação ao trabalho de campo e bola da Seleção Brasileira para a Copa de 2026, Paulo Victor foi direto ao definir a importância de Neymar para a disputa da competição. 

Sem rodeios, ele classificou o camisa 10 do Santos como "imprescindível" para o conjunto do time comandado por Carlo Ancelotti. No entanto, ficou uma ressalva: para isso acontecer, Neymar precisar estar "bem fisicamente e tecnicamente". 

"O Neymar bem fisicamente e tecnicamente é imprescindível à Seleção Brasileira. É um jogador que agrega muito e busca a responsabilidade. Ele precisa realmente estar querendo o jogo. Ele bem fisicamente, vai estar, sem dúvida nenhuma, entre os convocados", destacou. 

De fora da Seleção desde dezembro de 2023 quando sofreu uma lesão na partida contra o Uruguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo e 2026, Neymar vive dias decisivos para convencer Carlo Ancelotti de que merece uma das vagas que restam entre os 26 que vão ao Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá. 

No entanto, desde a lesão, o camisa 10 conviveu com uma baixa física e técnica, sendo figura recorrente no departamento médico dos clubes por onde atuou no período - Al Hilal e, agora, Santos. 

Neste ano, por exemplo, dos 28 jogos disputados pelo Santos, Neymar esteve em campo em apenas 12 e marcou cinco gols. Um dos problemas enfrentados por ele é a dificuldade física para manter uma série maior que três partidas em sequência.

Relação próxima

A carreira levou o ex-goleiro a defender clubes como Brasília, Vitória do Espírito Santo, América do Rio de Janeiro, Sport, São José, Grêmio Maringá, Volta Redonda e a dupla Re-Pa. Porém, foi no Fluminense que Paulo Victor viveu os principais momentos dentro do futebol. 

Entre 1981 e 1988, ele defendeu o branco, grená e verde do Tricolor das Laranjeiras. Época em que o fez chegar à Seleção Brasileira e viver mais próximo de Sócrates, que naquele período teve uma passagem pelo rival Flamengo. 

Contemporâneos da mesma geração do futebol brasileiro, Paulo Victor detalhou como era a relação com o outro paraense, falecido em dezembro de 2011, com quem dividiu o vestiário da Seleção na Copa de 86. 

O embate entre eles era apenas dentro das quatro linhas. Fora, qualquer folga dos treinamentos era motivo para uma "reunião" regada a carteado e cerveja, como ele mesmo lembra. 

"A gente sempre estava junto. Falávamos algumas coisa. Sócrates no Flamengo, eu no Fluminense. Conversávamos muito, jogava muito baralho nas folgas. As vezes saímos para conversar, tomar uma 'cervejinha'. O ambiente entre nós dois era maravilhoso. Mesmo sendo rivais de clubes, mas amigos fora do campo", contou.

Vestindo azul marinho

Após oito temporadas, Paulo Victor deixou o Fluminense e seguiu para novos desafios - no plural. Dois anos de América do Rio de Janeiro, mais dois de Sport Recife e um de Grêmio Maringá. Até que em 1992 o retorno ao Pará.

Naquele momento, o goleiro chegava para defender o Remo, equipe que estava em ascensão na segunda divisão do futebol brasileiro. Segundo dados do site O Gol, especializado em dados de atletas, clubes e treinadores, Paulo Victor atuou em apenas quatro partidas pelo clube azulino. Porém, isso aconteceu em um momento especial para o Leão.

"Me lembro bem. Estava saindo do Paraná e indo para Belém, em uma situação boa. Cheguei para disputar o estadual. Fomos muito bem e depois entramos no Campeonato Brasileiro da Série B. O time foi bem. Já era entrosado devido ao campeonato estadual. Conseguimos com tranquilidade chegar em quarto para subir à Série A", relembrou fazendo alusão ao então último acesso à primeira divisão do clube azulino. 

No ano seguinte, Paulo Victor atravessou a Almirante Barroso para defender o Paysandu em apenas cinco partidas, conforme registrou o site O Gol. Por fim, já em 1994, a passagem pelo Volta Redonda colocou um ponto final na carreira. 

A Cobertura O Liberal na Copa envolve todos os veículos do Grupo Liberal, com dezenas de profissionais comprometidos em divulgar as notícias do evento. O projeto tem patrocínio da Agropalma.