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Ex-jogadores de Remo e Flamengo relembram histórias de bastidores antes de duelo entre as equipes

Charles Guerreiro e Roma relembraram títulos, brincadeiras e perrengues vividos em uma época em que o Flamengo ainda estava longe da estrutura atual.

Caio Maia

Charles Guerreiro não tinha esse sobrenome quando estreou pelo Flamengo. Em 1991, diante do São Paulo, na Gávea, o paraense entrou no lugar de Uidemar, que havia se lesionado. Jogou bem, ganhou elogios de Gaúcho e deixou o campo sob os gritos da torcida. Depois da partida, Júnior foi questionado sobre a atuação do estreante e deu a resposta que mudaria a vida do jogador: para jogar no Flamengo, era preciso ser como aquele rapaz, um guerreiro. O apelido pegou e o acompanha até hoje.

A história é uma das muitas lembradas por Charles e Roma, dois jogadores que tiveram passagens marcantes por Flamengo e Remo. Às vésperas do reencontro entre os clubes, neste domingo (6), no Mangueirão, os dois relembraram histórias de vestiário, títulos, brincadeiras e também dos perrengues vividos em uma época em que o Flamengo ainda estava longe da estrutura atual.

Bastidores do título

Charles chegou ao clube em 1991 e ficou seis meses sem receber salário. Mesmo assim, permaneceu. No fim daquele ano, Júnior, capitão da equipe, reuniu o elenco e avisou que quem quisesse continuar teria que ficar pela vontade, já que o dinheiro era pouco.

“Guerreiro, tu queres voltar para o Pará?”, perguntou o capitão.

Charles ficou. Em 1992, foi campeão brasileiro.

A campanha teve episódios curiosos. Antes da decisão contra o Botafogo, Renato Gaúcho e Gaúcho, amigos fora de campo, fizeram uma aposta: quem vencesse o primeiro jogo pagaria um churrasco na casa do outro. A brincadeira acabou chegando à imprensa e pegou mal para Renato, que defendia o rival do Flamengo.

“No segundo jogo, o Renato nem foi”, recorda Charles.

Na segunda partida, outro episódio marcou o elenco. Uma parte da arquibancada do Maracanã caiu, e a notícia chegou rapidamente ao vestiário. O clima ficou tenso até Júnior tentar tranquilizar os jogadores.

“Bora jogar hoje relaxado, como se fosse uma pelada de final de ano”, disse o capitão.

Resultado: empate em 2 a 2 e Flamengo campeão brasileiro.

Perrengues na Cidade Maravilhosa

Roma também guarda histórias de um Flamengo bem diferente do atual. Ele lembra que o clube treinava na Gávea em um campo que, segundo ele, era “só cocô de gato”. As condições provocavam até casos de micose entre os jogadores. No vestiário, não havia chuveiro para todos.

No Fla-Barra, no Recreio, o problema era outro. O espaço era alugado pelo Flamengo, que deixou de pagar. Certo dia, quando o elenco chegou para treinar, encontrou policiais na porta por causa de uma ação de despejo.

As dificuldades também apareciam nas concentrações. Charles conta que, certa vez, estava em um hotel no Leblon e foi impedido de entrar no próprio quarto porque o Flamengo não havia pago a diária. Foi preciso ligar para Márcio Braga, então presidente do clube, para resolver a situação.

“Descobri que isso era comum”, conta.

Ídolo por "acaso"

Apesar dos problemas, as lembranças mais fortes também estão ligadas aos grandes momentos. Roma recorda, por exemplo, a final contra o Vasco, em 2001. O Flamengo tinha salários atrasados e Petkovic não havia sequer ido para a concentração. Um amigo tentou convencê-lo a disputar a decisão.

“Cara, é uma final. Você pode entrar para a história. Se fizer o gol do título, vais ser ídolo.”

Pet chegou horas antes da partida. Jogou, fez o gol do título, e entrou para a história do Flamengo.

Maracanã pouco conhecido

Décadas depois, Roma consegue comparar aquele clube com o atual. Na época, a concentração acontecia em uma casa em São Conrado. Um dos quartos tinha cerca de 15 camas e ganhou o apelido de “Maracanã”. Quem tinha mais prestígio no elenco ficava sozinho; os demais dividiam espaço.

Hoje, a realidade é outra. O Flamengo tem hotel no centro de treinamento, com quartos individuais. “É quase um resort”, resume Roma.

Duelo pelo Brasileirão

As histórias de Charles Guerreiro e Roma voltam a se dividir neste final de semana, no Mangueirão, no duelo entre Remo e Flamengo. Enquanto o Leão, que está na 19ª colocação tenta fugir da zona do rebaixamento, o Flamengo está na vice-liderança e pode assumir a ponta em caso de vitória. A partida terá transmissão Lance a Lance pelo Oliberal.com e ao vivo na Rádio Liberal+.