Ex-jogador e ídolo do Santos, Manoel Maria avalia o atual momento do futebol paraense: 'Está uma lástima'
O ex-ponta direita é amigo do Pelé e responsável por revelar muitos jogadores quando trabalhou no Santos
“Tem muitos jogadores bons no interior do Pará, mas falta oportunidade e investimento”. A afirmação é do ex-jogador e ídolo do Santos, Manoel Maria, 71 anos, que entende muito bem sobre revelar jogadores e está passando férias aqui no Pará. Ele aproveitou a visita para conceder uma entrevista exclusiva para O Liberal e fazer essa avaliação do futebol paraense e da base.
Durante muito tempo, Manoel trabalhou na base do Santos e também em uma escola de futebol que era do Pelé. Aliás é um grande amigo do ex-ponta direita.
Foi Manoel que revelou Robinho, Diego, Ganso e muitos outros jogadores.
“Eu vim passar as férias aqui e visitar o amigo Vanderlei Melo. Eu trabalhei com a base. Aproveitei também para vir no encontro do Paysandu, que deixou de ser do Paysandu e virou encontro do futebol paraense. Encontrei amigos. Eu trabalhei um tempo na base do Santos e depois trabalhei com o Pelé em uma escola de futebol. Eu estou aposentado, mas não deixo de lado o futebol, que é a minha paixão. Eu acompanho os jogos. Quando eu trabalhava no Santos eu treinei na base o Robinho, o Adiel, Rodrigão, o Diego, Gustavo Nery. O último foi o Giovani que está no Atlético-MG”, conta o ex-jogador.
Para Manoel, os times precisam ter um olhar mais atento para a base. “Na minha época a gente olhava os jogadores que apareciam no Remo e no Paysandu. E a torcida conhecia os garotos quer subiam para os profissionais”, comenta.
O ídolo do Santos avalia que não é só a base dos times que não está bem. Mas o futebol paraense por inteiro. Ele lamenta o fato de Remo e Paysandu estarem jogando a Série C.
“O futebol paraense está uma lástima. Eu fico triste de ver isso. O Paysandu perdeu no erro do árbitro do Náutico, o Remo também perdeu a oportunidade. Eu queria ver os dois times na Série B. Acho que é possível se reestruturar. Paysandu vinha bem com a estrutura. Eu acompanhei a sala de musculação, fisioterapia. O Paysandu estava com uma estrutura de time do sudeste. Muitos times lá do sudeste não tem a estrutura do Paysandu. Mas é preciso fazer um Centro de Treinamento, e aqui não é difícil”, avalia.
Com um bom currículo, Manoel Maria espera um dia ver jogadores paraenses da atual geração na Seleção Brasileira.
“O Pikachu, se estivesse no Flamengo, seria convocado. Mas olha, esse negócio de preconceito por causa de região já acabou. Eu gosto muito do Rony também. Teve um ano maravilhoso, tem velocidade, força, talento. O Rossi também é bom. Mas eles não jogaram em Belém porque não dão chance. O próprio Pará foi assim. Ele foi por uma via perigosa porque foi com empresários que pensam no dinheiro e deu sorte fora os que ficaram pelo caminho. Eu sei muitos garotos, como Marquinhos, que saiu de Castanhal e levei no Santos e Portuguesa, dois anos depois vejo no Corinthians e foi campeão da taça juniores. Mas ele poderia ter vindo pra cá”, afirma.
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Nascido em Belém, mas criado em Santarém, oeste do Pará, Manoel Maria foi contratado pelo Santos em 1968 e tornou-se absoluto na ponta direita do Alvinegro. Ele começou a carreira jogando no Clube do Remo, aos 13 anos. Depois, passou por São Raimundo, Tuna e Paysandu. Ele também teve passagem pela Portuguesa Santista, Racing-ARG, Coritiba, Colorado-PR, Corinthians/PP-SP e Cosmos-EUA, ao lado de Pelé.
Mas foi no Santos que o ex-jogador se destacou. Tudo começou quando ele foi convocado para a seleção olímpica de 1968, despertando o interesse do alvinegro e herdou a camisa nº 7. Foi um dos melhores pontas do país e esteve na lista dos 40 pré-convocados para a Copa do México. Mas um acidente sofrido em outubro de 1970 atrapalhou a carreira.
Quando se aposentou, trabalhou nas divisões de base do Peixe na década de 1990 e foi o primeiro treinador da equipe feminina do Santos, em 1997.
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